Como acordar com a agência a frequência de gravação de conteúdo sem travar minha agenda clínica?
A gravação com o dentista compete com a cadeira ocupada, e quase metade dos consultórios do Censo da ABIMO tem uma cadeira só. O jeito de não travar a agenda é gravar em lote numa janela fixa fora do horário de paciente e escrever essa cadência no contrato como SLA de mão dupla: quem atrasa, o que acontece, de quem é o material bruto e o que a norma do CFO deixa gravar.
Combine uma sessão de gravação em lote, numa janela fixa fora do horário de paciente, e escreva no contrato a frequência mínima e máxima, a regra de reagendamento, o prazo de edição e aprovação de cada lado e a propriedade do material bruto, que por lei só é transferida por escrito.
- A gravação disputa a sua cadeira, não o seu tempo livre. No Censo da Odontologia da ABIMO (com apoio do CFO, notícia de 30/01/2025, quase 3 mil cirurgiões-dentistas entrevistados), 49% dos consultórios tinham apenas uma cadeira, 30% duas e 21% três ou mais: por isso a cadência certa é uma sessão em lote numa janela fixa, não gravação picada entre pacientes.
- O dia de gravação tem limite ético. Segundo o CFO, a Resolução CFO-196/2019 libera selfie, mas a imagem de diagnóstico e de resultado final só pode ser divulgada pelo cirurgião-dentista que executou o procedimento, com nome e número do CRO, e a clínica como pessoa jurídica não pode fazer essa divulgação; vídeo do transcurso do procedimento é proibido.
- O material bruto precisa de cláusula própria. Pela Lei 9.610/1998 (art. 49), a transmissão total e definitiva de direitos de autor só é admitida mediante estipulação contratual escrita e, sem estipulação escrita, o prazo máximo é de cinco anos: contrato que não fala do bruto pode deixar as suas horas de gravação na mão da agência.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que a gravação compete com a cadeira, não com o seu tempo livre
- Qual cadência de gravação funciona: lote mensal, quinzenal ou contínua?
- Onde encaixar a sessão na agenda (inclusive com uma cadeira só)
- O que precisa estar pronto antes do dia de gravação
- O que gravar numa sessão para render várias semanas
- O que a Resolução CFO-196/2019 deixa gravar, e quem pode publicar
- Consentimento de imagem: paciente e funcionário no dia de gravação
- Como transformar a cadência em cláusula de contrato
- Divisão de papéis: quem faz o quê na cadência
- Como reduzir a dependência do rosto do dono
- Como medir se a cadência de gravação paga a agenda
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como eu combino com a agência a frequência de gravação de conteúdo sem que isso trave a minha agenda clínica?"
Toda agência quer a sua cara no vídeo. E toda hora que você passa na frente da câmera é uma hora em que não está na cadeira.
Esse conflito não se resolve com boa vontade. Resolve com contrato.
A resposta curta: grave em lote, numa janela fixa fora do horário de paciente, e transforme essa cadência numa cláusula de mão dupla, que diz o que acontece quando você falta, quando a agência atrasa, quem aprova o quê em quanto tempo e de quem é o material bruto.
Neste guia você vai ver:
- Por que a gravação compete com a cadeira (e o que isso custa de verdade)
- A cadência que funciona: lote mensal, quinzenal ou captura contínua
- Onde encaixar a sessão na agenda, inclusive no consultório de uma cadeira só
- O que precisa estar pronto antes do dia e o que gravar numa sessão
- O que a Resolução CFO-196/2019 deixa gravar e quem pode publicar
- Consentimento de imagem de paciente e de funcionário
- As cláusulas que transformam a cadência em SLA de mão dupla
- Como medir se a cadência paga a agenda
Por que a gravação compete com a cadeira, não com o seu tempo livre
Comece pelo que o contrato padrão de agência ignora: o seu tempo de gravação sai da capacidade produtiva da clínica.
No Censo da Odontologia da ABIMO (estudo com apoio do CFO e execução da consultoria Key-Stone, notícia de 30/01/2025, com quase 3 mil cirurgiões-dentistas entrevistados; a página não informa o ano de coleta), 49% dos consultórios tinham apenas uma cadeira, 30% tinham duas e 21% tinham três ou mais.
O que isso significa na prática?
Em quase metade dos consultórios desse levantamento, não existe "outra cadeira rodando" enquanto o dono grava. Se a sessão cai no horário de atendimento, a agenda para.
E mesmo em clínica maior, o dono costuma ser o dentista de maior ticket. A hora dele na câmera é a hora mais cara da casa.
O custo que ninguém coloca na proposta
A proposta da agência mostra quantos vídeos você recebe. Não mostra quanto custou produzi-los do seu lado.
A conta é simples de montar:
- Horas de cadeira bloqueadas para a sessão (incluindo preparação e deslocamento de equipe).
- Margem por hora de cadeira, que você calcula a partir do custo-hora de cadeira da sua clínica.
- Reagendamentos gerados quando a gravação atrasa e empurra paciente.
Multiplique as horas pela margem e some o custo dos reagendamentos. Esse é o preço real de cada sessão, e é ele que a cadência precisa pagar.
Gravar entre pacientes parece grátis, mas não é
O formato "grava um tema rápido no intervalo" parece não custar nada. Na prática, cada troca entre atendimento e câmera cobra:
- Você sai do raciocínio clínico e precisa voltar a ele.
- A equipe interrompe a preparação da sala para ajudar na gravação.
- Um take que não sai atrasa o próximo paciente, e o atraso se propaga pela agenda do dia.
Por isso a regra deste guia é: gravação é bloco, não fresta.
Qual cadência de gravação funciona: lote mensal, quinzenal ou contínua?
A saída é gravação em lote (batch filming). Uma sessão bem preparada rende várias semanas de publicação.
A diferença está no ritmo do lote. Veja como os modelos se comparam:
| Modelo | Como funciona | Peso na agenda | Risco principal | Quando usar |
|---|---|---|---|---|
| Lote mensal | Uma sessão longa, pauta do mês inteiro | Um bloqueio previsível por mês | Pauta envelhecer antes de ir ao ar | Plano de conteúdo estável, dono com agenda cheia |
| Lote quinzenal | Duas sessões menores por mês | Dois bloqueios menores | Uma falta desmonta metade do mês | Plano com mais tema sazonal ou campanha ativa |
| Captura contínua pela equipe | Equipe grava bastidor no dia a dia, agência edita | Quase nenhum para o dono | Qualidade irregular, risco ético sem treino | Complemento do lote, nunca substituto |
| Gravação avulsa sob demanda | Agência pede vídeo quando precisa | Imprevisível | Trava agenda e gera atraso dos dois lados | Evitar como regra |
Repare no padrão: os modelos de maior risco para a agenda são justamente os que não têm data fixa.
Consistência vence frequência
A tentação é pedir mais vídeo. Mas publicar muito por um mês e sumir no seguinte rende menos do que manter um ritmo que você consegue sustentar o ano inteiro.
A cadência de publicação (quantas peças vão ao ar por semana em cada rede) e a cadência de gravação (quantas vezes você para a agenda) são coisas diferentes. A agência resolve a primeira com edição, cortes e banco de conteúdo. Você só precisa garantir a segunda.
Lembre: o contrato não deve fixar "X vídeos por semana com o doutor". Deve fixar quantas sessões por mês, de quanto tempo, em qual janela, e quantas peças a agência entrega a partir de cada sessão.
Onde encaixar a sessão na agenda (inclusive com uma cadeira só)
Existem três encaixes possíveis. Cada um serve para um tipo de clínica.
| Encaixe | Como fica na agenda | Bom para | Cuidado |
|---|---|---|---|
| Bloco antes do primeiro paciente | Sessão começa cedo e termina antes da agenda abrir | Consultório de uma cadeira, dono que opera de manhã | Pauta precisa ser curta e totalmente roteirizada |
| Meio período bloqueado no mês | Um turno inteiro reservado com antecedência | Clínica com várias cadeiras e corpo clínico | Bloquear na agenda com a mesma antecedência de um paciente |
| Dia de menor movimento | Sessão no dia ou turno historicamente mais vazio | Clínica que conhece a própria sazonalidade | Confirmar com dados da agenda, não com impressão |
Com uma cadeira só, o bloco antes do primeiro paciente é quase sempre o melhor. Ele não desmarca ninguém.
Com várias cadeiras, bloquear um turno inteiro costuma render mais. Outros dentistas seguem atendendo e a agência aproveita para gravar corpo clínico e equipe, não só você.
Dica: peça à agência o calendário de sessões do trimestre antes de abrir a agenda do período. A sessão entra no sistema como compromisso fixo, igual a um paciente.
O que precisa estar pronto antes do dia de gravação
Sessão improvisada é o que faz uma manhã de gravação virar um dia inteiro. A pré-produção é responsabilidade da agência, e a aprovação do roteiro é sua.
Checklist de pré-produção que vale colocar no contrato:
- Pauta fechada com os temas da sessão, enviada com antecedência.
- Roteiro aprovado por você antes do dia, não no set. A revisão clínica acontece aqui, com calma.
- Lista de tomadas (shot list): quais cenas, em qual ambiente, com quem.
- Teleprompter ou tópicos para você não decorar texto.
- Mais de uma tomada por ângulo, para a edição ter escolha sem pedir regravação.
- Vídeo vertical e curto, no formato de Reels e Stories, gravado pensando em cortes.
- Termos de consentimento assinados de todo paciente e funcionário que aparecer (veja a seção de consentimento abaixo).
- Ambiente preparado: sala liberada, iluminação testada, equipamento, instrumental e material clínico sem aparecer de forma identificável no quadro.
Se a agência chega no dia sem roteiro aprovado, a sessão atrasa. Por isso "roteiro aprovado até X dias antes" precisa estar no contrato, com consequência para os dois lados.
Veja também como montar o fluxo de aprovação de criativo sem você virar o gargalo.
O que gravar numa sessão para render várias semanas
Uma sessão bem montada mistura formatos. Assim a agência consegue publicar sem repetir o mesmo tipo de vídeo toda semana.
Pauta-base de uma sessão:
- Apresentação do dentista: quem é você, sua formação, o que a clínica resolve.
- Perguntas frequentes: dúvidas reais que o seu CRC ouve toda semana no WhatsApp.
- Tecnologia e método: o que diferencia o tratamento, explicado para o paciente, sem imagem que permita identificar equipamento, instrumental ou material (o CFO veda esse tipo de imagem; veja a seção sobre a Resolução CFO-196/2019).
- Serviço explicado: o que é, para quem serve, como é a jornada do tratamento.
- Bastidor de equipe: recepção, CRC, preparação, cuidado com biossegurança.
- Tour da clínica: ambientes, conforto, acessibilidade.
- Cortes de reaproveitamento: trechos curtos de cada tema, já pensados para virar peça isolada.
O item 7 é o que multiplica o rendimento da sessão. Uma resposta mais longa vira vários cortes curtos, cada um com um gancho diferente.
Quer aprofundar o tema? Veja de quem é o conteúdo de marca pessoal que a agência produz.
O que a Resolução CFO-196/2019 deixa gravar, e quem pode publicar
O dia de gravação tem limite ético. E o limite depende de quem publica, não só do que foi gravado.
Segundo a página oficial do CFO sobre a Resolução CFO-196/2019, a norma, editada em 29/01/2019, autoriza o cirurgião-dentista a divulgar autorretratos (selfie) e imagens relativas ao diagnóstico e ao resultado final de tratamentos. A permissão de diagnóstico e conclusão é apenas do cirurgião-dentista que executou o procedimento, e nas imagens deve constar o nome do profissional e o número de inscrição no CRO.
E tem um detalhe que pesa para você, dono:
Segundo o mesmo CFO, a clínica, como pessoa jurídica, não está autorizada a fazer esse tipo de divulgação. O antes e depois gravado na sessão não vai para o perfil da clínica. Vai para o perfil profissional do dentista que executou o caso.
Em matéria de 11/06/2025 sobre redes sociais na odontologia, o CFO reforça três pontos que mudam a pauta do dia:
- A resolução proíbe a divulgação de vídeos e imagens com conteúdo relativo ao transcurso e à realização dos procedimentos. A câmera não grava procedimento em andamento para as redes.
- A resolução também veda a publicação de imagens que permitam a identificação de equipamentos, instrumentais, materiais e tecidos biológicos. No bastidor e no tour, a tecnologia se explica falando, não mostrando o aparelho de forma identificável.
- Selfie com paciente só pode ser publicada com autorização prévia do paciente (ou do representante legal, no caso de menor), formalizada em Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Na mesma matéria, o CFO também lembra que a norma veda expressões que caracterizem sensacionalismo, autopromoção ou promessa de resultado. Isso vale para o roteiro, não só para a imagem.
Traduzindo para o dia de gravação:
| Conteúdo | Pode gravar? | Quem pode publicar | Condição |
|---|---|---|---|
| Selfie e vídeo do dentista falando | Sim | Dentista | Com paciente no quadro, só com TCLE |
| Diagnóstico explicado com imagem do caso | Sim | Só o cirurgião-dentista que executou, no perfil dele | Nome e CRO na imagem, TCLE do paciente |
| Resultado final (antes e depois) | Sim | Só o cirurgião-dentista que executou; a clínica (pessoa jurídica) não | Nome e CRO na imagem, TCLE do paciente |
| Procedimento em andamento | Não para divulgação | Ninguém | Proibido pela resolução, segundo o CFO |
| Bastidor, equipe, tour, FAQ | Sim | Clínica ou dentista | Consentimento de quem aparece; sem equipamento, instrumental ou material identificável |
Nota: essa tabela resume a orientação pública do CFO. Em caso concreto de dúvida, consulte o seu CRO antes de publicar.
Consentimento de imagem: paciente e funcionário no dia de gravação
O CFO cuida da ética da publicação. A lei civil e a LGPD cuidam da imagem e do dado de quem aparece.
Direito de imagem. O Código Civil, art. 20 prevê que, salvo se autorizada, a utilização da imagem de uma pessoa pode ser proibida a seu requerimento, sem prejuízo de indenização, se atingir a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinar a fins comerciais. Conteúdo de marketing da clínica tem fim comercial. Isso vale para paciente e para funcionário.
Dado de saúde. A LGPD classifica dado referente à saúde como dado pessoal sensível (art. 5º, II). Pelo art. 11, o tratamento de dado sensível com base em consentimento exige que ele seja dado de forma específica e destacada, para finalidades específicas. Um vídeo que mostra o paciente e o tratamento dele carrega dado de saúde.
Na prática, o contrato com a agência deve prever:
- Termo por escrito antes da gravação, com finalidade específica (quais redes, anúncio ou orgânico, por quanto tempo).
- Registro do consentimento vinculado ao clipe: cada arquivo bruto aponta para o termo de quem aparece nele.
- Termo próprio para funcionário, separado do contrato de trabalho, e regra do que acontece com os vídeos quando ele sai da clínica.
- Procedimento de retirada: se alguém revogar o consentimento, quem tira do ar e em quanto tempo.
Sem esse registro, o banco de vídeos vira um passivo. Você não sabe mais o que pode continuar no ar.
Como transformar a cadência em cláusula de contrato
Aqui está a lacuna que quase nenhum material sobre produção de conteúdo cobre: a cadência de gravação precisa estar escrita, com número e consequência, para os dois lados.
"A agência fará gravações periódicas com o doutor" não é cláusula. É intenção.
As cláusulas que fecham a lacuna:
- Frequência mínima e máxima. Quantas sessões por mês a agência pode pedir, e quantas ela precisa realizar. O máximo protege a sua agenda; o mínimo protege a entrega.
- Duração máxima da sessão. Um teto de horas por sessão, com pauta que caiba nele.
- Janela fixa. Dia e turno definidos com antecedência (por exemplo, "primeira terça do mês, antes da abertura da agenda"), bloqueados como compromisso.
- Aviso prévio para reagendar. Prazo mínimo para qualquer um dos lados remarcar sem consequência.
- Falta do dentista. Se você desmarca fora do prazo, o que acontece com a entrega do mês (a agência usa o banco de conteúdo e a meta de peças é ajustada).
- Falta da agência. Se a agência desmarca, chega sem roteiro aprovado ou sem equipe, o que ela deve (nova data prioritária, desconto ou crédito).
- Prazo de edição. Quantos dias úteis entre a sessão e a entrega das peças editadas para aprovação.
- SLA de aprovação e revisão clínica. Quantos dias você tem para aprovar, e a regra de que conteúdo clínico nunca vai ao ar sem aprovação expressa do dentista responsável.
- Banco de conteúdo perene. Um estoque mínimo de peças prontas e aprovadas para cobrir semanas sem gravação.
- Propriedade do material bruto. De quem são os arquivos brutos, em qual formato são entregues e em qual prazo, inclusive no fim do contrato.
Exemplo de redação (os números entre colchetes são seus para negociar): "A CONTRATADA realizará no mínimo [1] e no máximo [2] sessões de gravação por mês, de até [N] horas cada, na janela fixa acordada no calendário trimestral. Qualquer das partes poderá reagendar com aviso mínimo de [N] dias úteis."
SLA de mão dupla: o que acontece quando cada lado atrasa
A cláusula só funciona se prever a falha. Monte a matriz com a agência:
| Evento | Responsável | Consequência contratual sugerida |
|---|---|---|
| Dentista desmarca fora do prazo | Clínica | Mês coberto pelo banco de conteúdo; meta de peças ajustada sem multa para a agência |
| Agência desmarca fora do prazo | Agência | Nova sessão em data prioritária e crédito ou desconto proporcional |
| Roteiro não aprovado até a data-limite | Quem atrasou | Se a agência não enviou, ela responde; se você não aprovou, a sessão usa só temas já aprovados |
| Edição entregue fora do prazo | Agência | Penalidade prevista no SLA de entrega de criativos |
| Aprovação fora do prazo | Clínica | Prazo de publicação da agência corre a partir da aprovação, sem penalidade para ela |
| Consentimento faltando no dia | Quem ficou responsável pelo termo | Pessoa sem termo não entra no quadro; cena regravada sem ela |
Repare que a matriz protege a agência também. Isso é o que torna o acordo sustentável: ninguém é punido pelo atraso do outro.
Para calibrar penalidade de atraso de entrega, veja como montar o SLA com multa por atraso de criativos.
Por que o material bruto precisa de cláusula própria
As horas de gravação custaram cadeira parada. O bruto é o ativo que sobra dessas horas.
A Lei 9.610/1998, no art. 49, estabelece que a transmissão total e definitiva dos direitos de autor somente se admite mediante estipulação contratual escrita (inciso II) e que, sem estipulação contratual escrita, o prazo máximo é de cinco anos (inciso III). O mesmo artigo diz que, sem especificação da modalidade de utilização, o contrato é interpretado restritivamente (inciso VI), e o art. 50 determina que a cessão de direitos de autor se faz sempre por escrito.
O que isso significa para você:
- Se o contrato não fala do bruto, você não pode presumir que ele é seu.
- A cláusula deve dizer quais usos você pode fazer (orgânico, anúncio, site, outra agência).
- Deve dizer em que formato e prazo os arquivos brutos são entregues, inclusive no encerramento.
Nota: este é um resumo da lei para orientar a negociação, não um parecer jurídico. Leve a cláusula final ao seu advogado.
Divisão de papéis: quem faz o quê na cadência
O dono não precisa dirigir, editar nem caçar pauta. Precisa aparecer, aprovar e decidir.
| Tarefa | Agência | Dono (dentista) | Equipe / CRC | Dentista executor do caso |
|---|---|---|---|---|
| Pauta e roteiro | Faz | Aprova | Sugere dúvidas reais dos pacientes | Revisa o caso dele |
| Direção no dia | Faz | Aparece | Apoia a logística | Aparece quando o caso é dele |
| Captura do dia a dia | Orienta | Não faz | Captura bastidor permitido | Não faz |
| Termos de consentimento | Fornece modelo e registra | Garante assinatura | Coleta na recepção | Garante no caso dele |
| Edição e cortes | Faz | Não faz | Não faz | Não faz |
| Revisão clínica e ética | Checa o básico | Aprova conteúdo clínico | Não faz | Aprova o próprio caso |
| Publicação de antes e depois | Opera no perfil do executor, se autorizada | Só se foi ele quem executou | Não faz | Publica no perfil profissional dele |
A coluna "Equipe / CRC" é a que mais reduz a sua carga. O CRC ouve as dúvidas reais todos os dias, e essa é a melhor pauta que existe.
Como reduzir a dependência do rosto do dono
A cadência mais segura é a que não depende só de você.
Quatro formas de tirar peso da sua agenda sem perder autoridade:
- Corpo clínico na câmera. Cada dentista grava sobre a própria especialidade e publica os próprios casos, com nome e CRO, no próprio perfil profissional.
- Equipe e CRC como rosto do atendimento. Recepção, CRC e auxiliares explicam jornada, agendamento e cuidados. O paciente conhece quem vai atendê-lo no WhatsApp.
- Bastidor permitido. Rotina de biossegurança, preparação da sala, chegada do paciente (com consentimento), sem equipamento ou instrumental identificável e nunca procedimento em andamento.
- Reaproveitamento em cortes. Uma boa resposta sua vira vários cortes, legendas e peças estáticas. Menos sessão, mesmo volume publicado.
Isso também protege a clínica: se você viaja, adoece ou decide reduzir a agenda, o canal não para.
Como medir se a cadência de gravação paga a agenda
Frequência de publicação é meio. O fim é paciente na cadeira.
A pergunta certa para a reunião mensal com a agência não é "quantos vídeos saíram?". É "quantas conversas, leads e agendamentos esse conteúdo gerou, e quanto custou de cadeira?".
Três leituras que separam conteúdo que trabalha de conteúdo que só enfeita o perfil:
- Conversa iniciada: mensagens no direct ou no WhatsApp que citam o vídeo ou chegam pelo link dele.
- Lead e agendamento atribuídos: quantas dessas conversas viraram agendamento.
- Retenção do vídeo: quanto do vídeo as pessoas assistem. Vídeo que ninguém assiste até o fim não educa nem convence, por mais frequente que seja.
E o conteúdo que funciona gera conversa em horário em que a clínica não está atendendo.
Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Se a cadência gera conversa e ninguém responde, a sessão de gravação foi desperdiçada na última etapa.
Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Use esse tipo de régua para comparar: se o conteúdo gera lead mas o agendamento fica muito abaixo do resto da operação, o problema não está na frequência de gravação. Está na promessa do vídeo ou no atendimento depois dele.
Lembre: a cadência certa é a menor frequência de gravação que sustenta a publicação e gera agendamento. Mais sessão sem mais paciente é cadeira parada com câmera ligada.
Seu próximo passo
- Calcule o custo de uma sessão. Some as horas de cadeira bloqueadas, a margem por hora e os reagendamentos. Esse número vira a régua para decidir quantas sessões por mês fazem sentido.
- Leve as dez cláusulas para a agência. Frequência mínima e máxima, janela fixa, reagendamento, falta de cada lado, prazos de edição e aprovação, banco de conteúdo, consentimento e material bruto. Cada uma com número e consequência.
- Cobre a métrica que paga a agenda. Na próxima reunião, peça conversas, leads e agendamentos gerados pelo conteúdo, não número de posts.
Quer ver como fica uma operação de conteúdo e captação que respeita a sua agenda e mede resultado até o paciente na cadeira? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Com que frequência o dentista precisa gravar conteúdo com a agência?
Uma sessão em lote por mês é um bom ponto de partida, ou uma a cada quinze dias quando o plano de conteúdo é mais pesado. O que importa é a sessão render várias semanas de publicação e acontecer numa janela fixa fora do horário de paciente. Gravar toda semana entre atendimentos é o formato que mais pesa na agenda e o mais fácil de desmarcar.
O que colocar no contrato sobre a gravação de conteúdo?
Frequência mínima e máxima de sessões, janela fixa na agenda, prazo de aviso para reagendar, o que acontece quando o dentista falta e quando a agência falta, prazo de edição, prazo de aprovação e revisão clínica, banco de conteúdo para semanas sem material e a propriedade do material bruto. Cada item precisa de um número e de uma consequência.
O perfil da clínica pode publicar o antes e depois gravado na sessão?
Não. Segundo o CFO, a Resolução CFO-196/2019 permite a imagem de diagnóstico e de resultado final apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com nome e CRO, e a clínica como pessoa jurídica não pode fazer essa divulgação. O caso vai para o perfil profissional do dentista executor, com o termo de consentimento do paciente.
Posso gravar um procedimento em andamento para as redes?
Não para divulgação. O CFO reforça que a Resolução 196/2019 proíbe vídeos e imagens com conteúdo relativo ao transcurso e à realização dos procedimentos. No dia de gravação, a agência capta diagnóstico explicado, resultado final (pelo executor), bastidor e explicação, nunca o procedimento acontecendo.
De quem é o vídeo bruto gravado pela agência?
De quem o contrato disser por escrito. A Lei 9.610/1998 só admite transmissão total e definitiva de direitos de autor com estipulação contratual escrita, e interpreta restritivamente o contrato que não especifica a modalidade de uso. Sem cláusula, você corre o risco de sair da agência sem as horas de gravação que custaram cadeira parada.
Como sei se a cadência de gravação está valendo a pena?
Meça conversa, lead e agendamento gerados pelo conteúdo, não número de posts nem curtida. Se a cadência aumenta a produção mas não muda a agenda, ela está consumindo cadeira sem devolver paciente. A frequência é meio; o comparecimento é o resultado.