Captação e Tráfego

Como atrair paciente com implante antigo de outra clínica em que a gengiva retraiu e aparece o metal, e fechar a correção com enxerto de tecido mole e coroa nova?

O paciente com implante antigo, gengiva retraída e metal aparecendo chega motivado e desconfiado. Veja como captá-lo anunciando o problema (nunca o colega), triar peri-implantite antes de prometer enxerto, vender o diagnóstico como produto e fechar a correção em fases, com dado de estudo e regra do CFO.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 4 de outubro de 2026 · 21 min de leitura
TL;DR

Anuncie o problema que o paciente vê, trie peri-implantite antes de prometer enxerto e venda um diagnóstico pago com plano em fases: na revisão AO/AAP de 2025, a deiscência peri-implantar teve prevalência média de 46,2% em implantes sem doença.

Pontos-chave
  • O problema é comum, não exceção. A revisão sistemática AO/AAP publicada no Journal of Periodontology em 2025, com 221 estudos incluídos, encontrou prevalência média de 46,2% de deiscência de tecido mole peri-implantar (PSTD) e de 23,1% de recessão de mucosa em implantes sem doença.
  • O implante antigo é o alvo. Em estudo transversal do Journal of Periodontology (2022) com 153 pacientes e 176 implantes unitários saudáveis na zona estética, a prevalência de PSTD foi de 54,2% por paciente e 56,8% por implante, e maior tempo do implante em função foi um dos indicadores de risco.
  • O público maduro responde a anúncio de clínica. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 55,0% dos leads de clínica odontológica no Meta Ads têm 45 anos ou mais (base: cerca de 97 mil leads com demografia; janela: agosto de 2023 a agosto de 2026), o recorte que o anúncio de correção de implante antigo deve priorizar.

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Quão comum é o implante com gengiva retraída e metal aparecendo?
  4. Por que o implante antigo (de outra clínica) é o alvo certo
  5. Quem é esse paciente (e por que ele chega tão motivado)
  6. Estética ou doença? A triagem que vem antes de qualquer promessa
  7. A classificação PSTD: linguagem de diagnóstico e de orçamento
  8. Opções de tratamento: do enxerto à remoção do implante
  9. Expectativa honesta: o que prometer (e o que nunca prometer)
  10. A ética de captar paciente de outra clínica, artigo por artigo
  11. Antes e depois: quem pode publicar (e por que a clínica não pode)
  12. O anúncio certo: fale do que o paciente vê no espelho
  13. WhatsApp: a primeira resposta decide se ele vem para a consulta
  14. A consulta de diagnóstico como produto (não como "avaliação grátis")
  15. Orçamento em fases e consentimento em cada fase
  16. Funil e métricas do caso longo
  17. Segunda opinião como porta de entrada
  18. Para quem esse caso não é
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Como atrair paciente com implante antigo de outra clínica em que a gengiva retraiu e aparece o metal, e fechar a correção com enxerto de tecido mole e coroa nova?"

Ele colocou o implante há anos, em outra clínica. Pagou caro e ficou satisfeito.

Até o dia em que a gengiva recuou e apareceu uma borda cinza no dente da frente.

Agora ele evita sorrir em foto. E não sabe se o implante está falhando ou se o problema é "só estético".

Esse paciente não pesquisa "enxerto de tecido conjuntivo". Ele procura alguém que explique o que está vendo, sem assustar e sem empurrar tratamento.

A resposta direta: você capta esse caso anunciando o problema visível (nunca o colega), triando peri-implantite antes de prometer enxerto e vendendo uma consulta de diagnóstico paga, com plano em fases.

E a base de casos é grande. Na revisão sistemática AO/AAP de 2025, a deiscência de tecido mole peri-implantar teve prevalência média de 46,2% em implantes sem doença.

Neste guia você vai ver:

  • O tamanho real do problema e por que o implante antigo é o alvo
  • A triagem que separa estética de doença, antes de qualquer promessa
  • A classificação PSTD e as opções de tratamento, do enxerto à troca de pilar e coroa
  • O limite ético de captar paciente de outra clínica, artigo por artigo
  • Anúncio, WhatsApp, consulta de diagnóstico e orçamento em fases
  • As métricas de um caso que leva meses do primeiro contato à coroa definitiva

Quão comum é o implante com gengiva retraída e metal aparecendo?

Mais comum do que parece na rotina do consultório. E isso muda a conta do marketing.

A revisão sistemática com meta-regressão da AO/AAP, publicada no Journal of Periodontology em 2025, incluiu 221 estudos. Em implantes sem doença, encontrou prevalência média de 46,2% para deiscência de tecido mole peri-implantar (PSTD) e de 23,1% para recessão de mucosa (MREC).

O problema também aparece com o tempo. Na mesma revisão, a incidência em até 5 anos após a carga chegou a 38,3% para PSTD, 47,8% para recessão de mucosa e 23,6% para deslocamento apical da margem da mucosa.

Achado (implantes sem doença) Valor Fonte
Prevalência média de PSTD 46,2% Revisão AO/AAP, Journal of Periodontology, 2025
Prevalência média de recessão de mucosa (MREC) 23,1% Revisão AO/AAP, Journal of Periodontology, 2025
Incidência de PSTD em até 5 anos após a carga até 38,3% Revisão AO/AAP, Journal of Periodontology, 2025
Incidência de MREC em até 5 anos após a carga até 47,8% Revisão AO/AAP, Journal of Periodontology, 2025
Deslocamento apical da margem em até 5 anos após a carga até 23,6% Revisão AO/AAP, Journal of Periodontology, 2025

O que isso significa para o seu negócio?

  • A base de casos não depende de erro grosseiro. Os números acima são de implantes saudáveis, sem doença.
  • Ela se renova com o tempo. Como a deiscência pode surgir nos anos seguintes à carga, os implantes já instalados na sua região podem virar candidatos à correção.
  • Correção não compete com implante novo. É outro produto, outro público e outra mensagem.

Por que o implante antigo (de outra clínica) é o alvo certo

O tempo joga a favor da sua captação.

Um estudo transversal clínico e ultrassonográfico, publicado no Journal of Periodontology em 2022, avaliou 153 pacientes com 176 implantes unitários saudáveis na zona estética. A prevalência de PSTD foi de 54,2% por paciente e 56,8% por implante.

Dois achados do mesmo estudo interessam direto ao marketing:

  1. O tipo mais frequente é exatamente a queixa do seu anúncio. Ele combinava coroa sobre implante mais longa que a coroa clínica do dente homólogo e pilar ou corpo do implante visível na boca. Na fala do paciente: "o dente ficou maior que o do lado e aparece o metal".
  2. Maior tempo do implante em função foi indicador de risco. Na análise multivariada, ele apareceu ao lado de implante adjacente, mucosa mais fina e faixa reduzida de mucosa queratinizada, entre outros.

A revisão AO/AAP de 2025 aponta na mesma direção. Espessura de mucosa limitada, implante imediato e ausência de enxerto de tecido mole peri-implantar foram fatores de risco para PSTD.

Do outro lado, cirurgia guiada, enxerto ósseo na instalação, aumento de tecido mole e mucosa queratinizada e espessura adequadas foram fatores de proteção para a estabilidade da margem.

Repare no retrato que sai daí. O paciente que você procura tende a ter:

  • Implante com anos de função, na região anterior.
  • Mucosa fina ao redor do implante.
  • Instalação feita sem enxerto de tecido mole associado.

Lembre: você não está caçando erro de colega. Está atendendo uma condição comum, documentada em implante saudável, que aparece com o tempo de função.

Quem é esse paciente (e por que ele chega tão motivado)

Entender o perfil decide o tom do anúncio, do WhatsApp e da consulta.

  • Fez o implante há anos, em outra clínica. Às vezes nem mora mais perto dela.
  • A queixa é estética e no dente da frente: "o dente ficou comprido", "apareceu uma borda cinza", "a gengiva subiu".
  • Já pagou caro uma vez. Desconfia de quem promete fácil.
  • Tem dois medos: perder o implante e pagar de novo pelo mesmo dente.

Nem todo implante com deiscência gera queixa. Quando a linha do sorriso não expõe a margem, o paciente muitas vezes nem percebe.

Por isso quem chega até você é auto-selecionado: notou, se incomodou e decidiu agir. Isso faz dele um lead muito motivado.

E muito exigente. Ele vai testar se você entende o problema dele antes de falar de preço.

Pensa assim: você não vende enxerto. Vende o dia em que ele volta a sorrir na foto sem procurar o metal no espelho.

Se a sua clínica já capta casos de gengiva, o raciocínio conversa com o de atrair pacientes de periodontia, com uma diferença: aqui o paciente já sabe que tem um problema e quer resolvê-lo.

Estética ou doença? A triagem que vem antes de qualquer promessa

Os números de prevalência acima são de implantes sem doença. Mas o paciente que chega dizendo "a gengiva desceu" pode ter peri-implantite.

E aí o caso é outro: muda o prognóstico, muda o plano e muda o orçamento. A captação desse perfil segue a lógica do paciente com implante que falhou por peri-implantite.

Critério Deiscência em implante saudável (PSTD) Suspeita de peri-implantite
Queixa principal Estética: dente comprido, cinza, metal visível Estética somada a sangramento, pus, mau gosto ou desconforto
Sondagem Sem sangramento nem supuração relevantes Sangramento e/ou supuração, profundidade aumentada
Imagem Sem perda óssea progressiva Perda óssea progressiva em relação ao registro anterior
Primeira fase do plano Planejamento de cirurgia plástica peri-implantar e prótese Controle da infecção e tratamento da doença antes da estética
Orçamento Foco em cobertura e harmonia do sorriso Pode envolver tratamento cirúrgico da doença ou remoção do implante

O anúncio vai atrair os dois perfis. Quem separa é a consulta, nunca a foto no WhatsApp.

Mas tem um detalhe comercial: se você promete enxerto antes da triagem e descobre peri-implantite na cadeira, o orçamento muda de natureza na frente do paciente. A confiança cai junto.

A classificação PSTD: linguagem de diagnóstico e de orçamento

Classificar o defeito organiza a equipe e o discurso.

A classificação de PSTD publicada no Journal of Periodontology em 2019 organiza esses casos em quatro classes, definidas pela posição da margem gengival da coroa sobre implante em relação ao dente natural homólogo.

Ela também considera a posição vestíbulo-lingual da cabeça do implante e subdivide cada classe pela altura das papilas anatômicas.

Para cada categoria, o trabalho sugere uma abordagem cirúrgica: técnicas bilaminares, abordagem combinada protético-cirúrgica ou aumento de tecido mole com cicatrização submersa.

Por que isso interessa ao dono da clínica?

  1. Padroniza o diagnóstico entre implantodontista, periodontista e protesista.
  2. Vira linguagem de orçamento. A classe e a subclasse explicam por que um caso custa mais que outro, sem você precisar falar do colega.
  3. Ancora a expectativa. A altura das papilas e a posição do implante pesam no que é possível alcançar, e o paciente precisa ouvir isso antes de assinar.

Opções de tratamento: do enxerto à remoção do implante

O paciente pergunta "dá para arrumar?". A resposta honesta é: depende da classe, e existem caminhos diferentes.

Abordagem Quando costuma entrar O que envolve O que o paciente precisa ouvir
Técnica bilaminar (retalho posicionado coronalmente com enxerto de tecido conjuntivo) Deiscência com implante em posição favorável Cirurgia plástica peri-implantar com enxerto do palato Há área doadora, e cobertura completa não é garantida
Abordagem combinada protético-cirúrgica Coroa e pilar atrapalham o ganho de tecido Remover a coroa, reduzir ou trocar o pilar, provisório, cirurgia e coroa definitiva depois Haverá período com provisório, e a coroa nova faz parte do tratamento
Aumento de tecido mole com cicatrização submersa Casos mais graves, conforme a classe Remover a coroa, cobrir o implante com o enxerto e reabrir depois Tratamento mais longo e com mais etapas
Substitutos de tecido mole (matriz dérmica acelular, matriz de colágeno) Quando se prioriza menor morbidade Material no lugar do enxerto do palato Escolha técnica do especialista, discutida caso a caso
Troca de pilar metálico por zircônia e coroa livre de metal Complemento quando o cinza transparece Componentes protéticos novos Melhora a cor, mas não repõe gengiva que falta
Remoção do implante Malposição severa, perda óssea importante ou peri-implantite recorrente Explante, reconstrução e nova reabilitação Às vezes corrigir não é a melhor opção

Repare em um ponto que muda o seu orçamento: a coroa nova não é um extra. Na abordagem combinada, remover a coroa e ajustar ou trocar o pilar é parte do que abre espaço para o tecido mole.

Por isso venda um tratamento com fases, não "enxerto" e "coroa" como dois produtos soltos. O paciente que compra só o enxerto e descobre a coroa depois conclui que foi enganado.

E a última linha da tabela também gera confiança. Dizer "neste caso, corrigir não compensa" é o que separa o especialista do vendedor. Esse paciente já ouviu promessa demais.

Expectativa honesta: o que prometer (e o que nunca prometer)

Este é o ponto em que o caso de correção mais dá errado depois de fechado.

O que você pode afirmar:

  • Existe tratamento, e o plano depende do diagnóstico.
  • O resultado depende da classe do defeito, das papilas, da espessura de tecido e da posição do implante.
  • A margem leva meses para estabilizar depois da cirurgia, e a coroa definitiva só entra depois dessa maturação.

O que você nunca deve prometer:

  • Cobertura completa do metal.
  • Prazo curto de tratamento.
  • Resultado "igual ao dente do lado" antes de classificar o caso.

O Código de Ética Odontológica trata como infração ética exagerar em diagnóstico, prognóstico ou terapêutica (Art. 11, III).

Mais um cuidado: a nota estética do clínico e a satisfação do paciente não são a mesma medida. Registre a queixa com as palavras dele na consulta e avalie o resultado contra essa queixa também, não só contra o índice técnico.

Lembre: neste caso, a promessa exagerada custa em dobro. O paciente já se frustrou uma vez com o sorriso. Uma segunda frustração vira reclamação.

A ética de captar paciente de outra clínica, artigo por artigo

Aqui é onde a captação de correção descarrila com mais facilidade.

Primeiro, um ponto que costuma passar batido: o Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) alcança a clínica, não só o dentista. O Art. 1º regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e das pessoas jurídicas que exerçam atividades na Odontologia.

Os artigos que pesam nesse caso:

  1. Não agenciar, aliciar ou desviar paciente de colega. O Art. 13, I trata isso como infração ética. Seu anúncio atrai quem tem o problema; não mira a base de pacientes de uma clínica específica.
  2. Não criticar erro de colega ausente. O Art. 13, VI trata como infração ética criticar erro técnico-científico de colega ausente, salvo por meio de representação ao Conselho Regional.
  3. Não criticar técnica alheia. O Art. 44, IV trata como infração ética criticar técnicas utilizadas por outros profissionais como sendo inadequadas ou ultrapassadas.
  4. Não aliciar com anúncio falso. O Art. 44, VII trata como infração ética aliciar pacientes com informação ou anúncio falso, irregular, ilícito ou imoral, com o intuito de atrair clientela.
  5. Responsabilidade solidária. Pelo Art. 45, pela publicidade em desacordo com o Código respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que concorreram na infração, na medida da culpabilidade. Se a agência escreve o anúncio, você responde junto.

A regra prática é simples: você descreve estado clínico, nunca conduta de colega.

Fale do problema Nunca fale do colega
"A gengiva recuou no seu implante e aparece cinza ou metal? Existe tratamento." "Seu implante foi mal feito?"
"Avaliamos a gengiva ao redor do implante antes de indicar qualquer correção." "Corrigimos o erro de outras clínicas."
"Correção estética de implante com enxerto de gengiva e coroa nova, quando indicado." "Técnica antiga, resultado ruim: venha fazer do jeito certo."

E na consulta, quando o paciente perguntar "ficou mal feito?", a resposta segura descreve o estado, como fazem os estudos: a gengiva ao redor do implante recuou, isso acontece mesmo em implante saudável, e o tempo de função é um dos fatores de risco.

Uma ferramenta operacional: o Art. 18, I trata como infração ética negar ao paciente acesso ao prontuário ou deixar de fornecer cópia quando solicitada. Oriente o paciente a pedir a cópia dele na clínica anterior, com radiografias e o registro do sistema de implante, que você vai precisar para planejar pilar e coroa.

O mesmo limite vale para outros casos de refação, como mostra o guia de refação de facetas feitas em outra clínica.

Antes e depois: quem pode publicar (e por que a clínica não pode)

O caso de correção é visualmente forte. A tentação de postar no perfil da clínica é grande. Não poste.

Pela Resolução CFO-196/2019, a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. Pessoa jurídica, a clínica, não está autorizada a essa divulgação.

Para você, que opera como PJ, isso tem três consequências:

  1. O perfil da clínica não publica o caso. Quem pode publicar é o cirurgião-dentista que executou, no próprio nome e com o CRO dele na imagem.
  2. O "durante" continua fora. O Art. 44, XII do Código de Ética trata como infração expor ao público leigo artifícios de propaganda com o intuito de granjear clientela, especialmente imagens ou expressões de antes, durante e depois relativas a procedimentos odontológicos, e a 196/2019 só abriu diagnóstico e conclusão, para quem executou.
  3. A clínica comunica o problema e o método. Conteúdo educativo, explicação das fases e vídeo do especialista falando da condição não dependem de imagem de caso.

O anúncio certo: fale do que o paciente vê no espelho

O paciente não sabe o nome técnico do problema. Ele sabe o que vê.

Por isso o anúncio lidera com a queixa, não com a técnica:

  • Gancho de problema: "A gengiva recuou no seu implante e apareceu uma borda cinza?"
  • Promessa calibrada: "Existe tratamento. O primeiro passo é saber se é só estética ou se há doença ao redor do implante."
  • Chamada para diagnóstico: consulta com avaliação da gengiva, imagem e plano por escrito.

No Google, a intenção aparece em buscas como "gengiva retraída no implante", "implante aparecendo metal" ou "enxerto de gengiva em implante". Quem digita isso já tem o problema e está procurando solução.

No Meta, o público maduro é o centro. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 55,0% dos leads de clínica odontológica têm 45 anos ou mais (a faixa 65+ lidera, com 19,3%). Base: cerca de 97 mil leads no Meta Ads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

É dado de clique para lead, não de conversão por idade. Mas mostra que o público maduro responde a anúncio de clínica, e é nele que o anúncio de correção deve concentrar a verba.

Complete o anúncio com duas peças:

  • Conteúdo de segunda opinião: "o que fazer quando a gengiva recua no implante", explicando triagem, opções e fases, sem prometer resultado.
  • Página de diagnóstico: uma landing page só desse problema, com o que a consulta inclui, a equipe que avalia e o caminho em fases. Nada de imagem de caso no domínio da clínica.

WhatsApp: a primeira resposta decide se ele vem para a consulta

A decisão emocional acontece no primeiro contato. O paciente criou coragem para mandar a foto do sorriso. Se ninguém responde, ele guarda o celular e o incômodo volta para a gaveta.

E ele escreve fora de hora. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

E quem agenda decide rápido. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), entre os leads que agendam, metade fecha em até 34 minutos e 53,6% em menos de 1 hora. Base: 3.148 agendamentos. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Esse número mede o ritmo de quem recebeu resposta imediata e agendou, sem grupo de comparação com resposta lenta. Não é promessa de prazo, mas mostra que a janela de decisão é curta.

Veja como fica o roteiro da primeira conversa:

  1. Acolha a queixa com as palavras dele. "Entendi, a gengiva subiu e aparece uma parte escura no implante."
  2. Faça a triagem mínima. Há quanto tempo o implante foi colocado? Tem sangramento, dor, pus ou mau gosto?
  3. Use a foto só para orientar a agenda. Deixe claro que o diagnóstico é na consulta, com exame.
  4. Explique o que a consulta inclui e o valor. Sem surpresa na recepção.
  5. Ofereça horário concreto. "Tenho quinta de manhã ou sexta à tarde."
  6. Não comente a clínica anterior. Nem quando ele pedir.

A consulta de diagnóstico como produto (não como "avaliação grátis")

O Código de Ética trata como infração ética divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso (Art. 20, IX).

E nesse caso a avaliação grátis seria mau negócio de qualquer jeito. O diagnóstico dá trabalho e tem entregável.

O que a consulta precisa entregar:

  • Queixa registrada com as palavras do paciente.
  • Fotos padronizadas do sorriso e da região.
  • Sondagem peri-implantar: sangramento, supuração e profundidade.
  • Imagem (radiografia ou tomografia), comparada ao registro anterior quando o paciente trouxer.
  • Classificação PSTD, com classe e subclasse.
  • Identificação do sistema de implante e do pilar, para planejar a troca.
  • Plano em fases por escrito, com a equipe nomeada.

A equipe é parte do produto. Implantodontista, periodontista com experiência em cirurgia plástica peri-implantar e protesista decidem juntos a sequência. O paciente percebe a diferença entre "um dentista olhou" e "uma equipe planejou".

Orçamento em fases e consentimento em cada fase

O caso leva meses. Se o paciente entende só a primeira parte, ele abandona no meio ou se considera enganado no fim.

O Código de Ética é claro em três pontos:

  • Art. 11, IV: é infração ética deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento.
  • Art. 11, X: é infração ética iniciar qualquer procedimento ou tratamento sem o consentimento prévio do paciente, exceto em urgência ou emergência.
  • Art. 20, V: é infração ética abusar da confiança do paciente submetendo-o a tratamento de custo inesperado.
Fase O que acontece O que o paciente aprova Risco se for mal comunicada
1. Diagnóstico Consulta paga, exame, imagem e classificação Valor da consulta Parecer venda disfarçada
2. Saúde peri-implantar Tratamento de inflamação ou doença, quando houver Plano e custo da fase "Achei que já ia fazer o enxerto"
3. Preparação protética Remoção da coroa, ajuste ou troca do pilar, provisório Período com provisório e custo dos componentes Susto com o provisório
4. Cirurgia plástica peri-implantar Enxerto ou substituto, técnica definida pela classe Consentimento específico da cirurgia, riscos e área doadora Expectativa de cobertura total
5. Maturação Acompanhamento da margem Retornos agendados Paciente some no meio do caminho
6. Prótese definitiva Pilar definitivo e coroa nova Consentimento da fase protética Custo inesperado no fim
7. Manutenção Consultas periódicas Plano de manutenção Recidiva sem acompanhamento

Duas regras fecham o orçamento sem atrito:

  1. Mostre o custo total na largada, mesmo que o pagamento siga as fases. Ninguém aceita bem descobrir a coroa no fim.
  2. O aceite da fase cirúrgica não substitui o consentimento das fases seguintes. Cada fase tem a própria conversa e a própria assinatura.

Funil e métricas do caso longo

Medir só lead esconde onde esse caso se perde. Acompanhe do anúncio à coroa definitiva.

Etapa Métrica Por que importa nesse caso
Anúncio para conversa Custo por conversa com a queixa certa Separa curioso de implante de quem tem o problema
Conversa para agendamento Taxa de agendamento da consulta de diagnóstico A primeira resposta decide
Tempo até agendar Intervalo entre a primeira mensagem e o agendamento Queixa estética esfria rápido
Comparecimento Comparecimento na consulta paga Mede o compromisso real do paciente
Diagnóstico para aceite Aceite do plano ou da primeira fase Onde o alto ticket se decide
Aceite para coroa definitiva Conclusão das fases Caso de meses perde paciente no meio
Orçamento em aberto Follow-up de orçamento não fechado Ele decide com a família, e o retorno na hora certa retoma o caso

O erro clássico é comemorar volume de conversa enquanto a agenda de diagnóstico está vazia. Nesse caso, poucos pacientes que concluem as fases valem mais que muitos que só perguntam preço.

Segunda opinião como porta de entrada

Parte desses pacientes chega com um plano de outra clínica na mão. Outros ouviram que "não tem o que fazer".

Os dois estão com a decisão em aberto. E os dois procuram alguém que explique, não alguém que critique.

Ofereça uma revisão do caso com parecer escrito, dentro da consulta paga. Você lê o que o paciente traz, faz o próprio diagnóstico e apresenta o seu plano, sem comentar o plano anterior.

O passo a passo para esse tipo de lead está em como captar segunda opinião de caso de alto ticket. E quando a conversa envolve osso, o raciocínio é o mesmo do paciente de implante complexo recusado em outra clínica.

Para quem esse caso não é

Captar correção estética de implante sem estrutura transforma uma oportunidade em problema. Este caso não é para a clínica que:

  • Não tem periodontista ou implantodontista com experiência em cirurgia plástica peri-implantar.
  • Não tem imagem e fluxo de prótese para trocar pilar e coroa.
  • Não consegue acompanhar um tratamento de meses, com retornos e consentimento por fase.
  • Tem equipe que comenta o trabalho do colega na frente do paciente.
  • Quer vender "enxerto" isolado em vez de um plano.

Se a sua clínica tem a equipe e o protocolo, esse é um dos casos de maior valor percebido da agenda: o paciente chega motivado, com o problema na frente do espelho, e fecha com quem explica melhor.

Seu próximo passo

  1. Monte o protocolo antes do anúncio. Triagem de peri-implantite, consulta de diagnóstico paga com entregável, classificação PSTD e plano em fases com consentimento por fase.
  2. Escreva o anúncio e o roteiro de WhatsApp pelo problema, não pelo colega. Queixa do espelho, público maduro, resposta imediata e nenhum comentário sobre a clínica anterior. Imagem de caso só no perfil do dentista que executou, com nome e CRO.
  3. Meça até a coroa definitiva. Agendamento, comparecimento, aceite por fase e follow-up do orçamento em aberto, porque esse caso fecha em meses, não na primeira conversa.

Quer transformar o paciente de implante antigo da sua região em casos de correção previsíveis na sua agenda? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Implante com gengiva retraída e metal aparecendo é sempre peri-implantite?

Não. A deiscência de tecido mole peri-implantar é comum em implantes sem doença: a revisão sistemática AO/AAP de 2025 encontrou prevalência média de 46,2% nesse grupo. Mas o mesmo sintoma estético pode esconder peri-implantite, por isso a sondagem e a imagem vêm antes de qualquer promessa de enxerto.

Posso anunciar correção de implante feito em outra clínica?

Pode anunciar o problema e o tratamento, nunca o colega. O Código de Ética Odontológica trata como infração ética agenciar, aliciar ou desviar paciente de colega (Art. 13, I), criticar erro técnico-científico de colega ausente (Art. 13, VI) e criticar técnicas de outros profissionais como inadequadas ou ultrapassadas (Art. 44, IV). O anúncio fala da gengiva retraída e do metal aparecendo, não de quem instalou o implante.

A clínica pode postar o antes e depois da correção?

Não, se for a clínica como pessoa jurídica. Pela Resolução CFO-196/2019, a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem, e a pessoa jurídica não está autorizada a essa divulgação. Imagem do durante segue vedada pelo Art. 44, XII do Código de Ética.

O enxerto de tecido mole garante cobrir todo o metal?

Não há garantia de cobertura completa. O resultado depende da classe da deiscência, da altura das papilas, da espessura de tecido e da posição do implante, e a margem precisa de meses para estabilizar antes da coroa definitiva. Prometer cobertura total é exagerar em prognóstico, o que o Código de Ética trata como infração (Art. 11, III).

Por que cobrar a consulta de diagnóstico em vez de oferecer avaliação grátis?

Porque o Código de Ética trata como infração ética divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso (Art. 20, IX). Além disso, o caso exige sondagem, imagem, fotos padronizadas e classificação da deiscência, e esse trabalho tem entregável: um plano em fases por escrito.

Quem deve compor a equipe para fechar esse caso?

Implantodontista, periodontista com experiência em cirurgia plástica peri-implantar e protesista. A correção mexe em tecido mole, em pilar e em coroa, e o plano só fica coerente quando os três decidem juntos a sequência das fases.