Escolher Agência

A agência deixou minha conta de anúncio ser bloqueada: de quem é a responsabilidade?

Conta de anúncio bloqueada tem três credores diferentes, e eles não se substituem. Perante a plataforma responde o titular, perante o CRO responde a clínica e o responsável técnico, e da agência você cobra no contrato. Veja como separar cada camada, o que fazer nas primeiras horas e quais cláusulas decidem o caso antes dele acontecer.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 23 de setembro de 2026 · 21 min de leitura
TL;DR

Perante a plataforma responde o titular da conta, quase sempre a sua clínica. Perante o CRO responde a clínica e o responsável técnico. Da agência você cobra no contrato, por culpa na execução e por falta de prestação de contas.

Pontos-chave
  • No Google Ads, uma violação grave suspende a conta imediatamente e sem aviso prévio. Nas demais violações que levam à suspensão, o aviso descrevendo a violação e a ação corretiva possível é enviado pelo menos sete dias antes, segundo a Ajuda das Políticas do Google Ads.
  • O bloqueio se espalha pelo meio de pagamento. A Ajuda das Políticas do Google Ads diz que todas as contas relacionadas (o exemplo dado pelo próprio Google é usarem a mesma forma de pagamento) e as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.
  • A responsabilidade ética não é terceirizável. O Código de Ética Odontológica publicado pelo CFO regula também as pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia (art. 1º) e, pela publicidade e propaganda em desacordo com as normas do Código, prevê que respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade (art. 45).

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. A resposta curta: três responsabilidades, três credores
  4. De quem é a conta de anúncio? Titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes
  5. O papel de Admin no Business Manager: o acesso que muda quem responde
  6. Níveis de acesso do Google Ads e a propriedade em conta de administrador
  7. Como a Meta trata a violação (e o que ela diz ser responsabilidade sua)
  8. Como o Google suspende: violação grave, aviso de sete dias e contestação
  9. O efeito cascata: por que o cartão espalha o bloqueio
  10. Verificação do anunciante: a armadilha do CNPJ da agência
  11. Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência
  12. A responsabilidade ética não terceiriza: o que o CRO cobra de você
  13. Imagem de antes e depois: quem pode publicar, segundo a Resolução CFO-196/2019
  14. A responsabilidade civil da agência: obrigação de meio, prestação de contas e culpa na execução
  15. As cláusulas que decidem esse caso antes dele acontecer
  16. Protocolo das primeiras horas depois do bloqueio
  17. Plano de contingência de mídia enquanto a conta está fora
  18. O custo real dos dias parados
  19. Auditoria de exposição: o checklist para rodar hoje
  20. Quando a culpa é de fato da agência e o que dá para cobrar
  21. Prevenção de criativo: o fluxo de aprovação com o responsável técnico
  22. Seu próximo passo
  23. Perguntas frequentes

"A agência deixou minha conta de anúncio ser bloqueada, de quem é a responsabilidade?"

A pergunta parece jurídica. Na prática, ela é de titularidade.

Quando a conta cai, a sua clínica para de aparecer, o WhatsApp esfria em poucas horas e a agenda das próximas semanas começa a abrir buraco. E aí surge a conversa errada: quem tem culpa.

A conversa certa é outra. Existem três responsabilidades diferentes, com três credores diferentes, e elas não se substituem. A plataforma cobra do titular da conta. O CRO cobra da clínica e do responsável técnico. Você cobra da agência, mas só até onde o contrato e a prova permitem.

Neste guia você vai ver:

  • De quem é de fato a conta de anúncio, e por que titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes
  • Como a Meta e o Google bloqueiam, com o que cada um publica sobre aviso, cascata e contestação
  • Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência que outros nichos
  • O que o Código de Ética Odontológica cobra de você, independente de quem operou a conta
  • O protocolo das primeiras horas, o plano de contingência e as cláusulas que evitam a próxima

A resposta curta: três responsabilidades, três credores

Antes de abrir o contrato, separe as camadas. É isso que destrava a decisão.

1. Responsabilidade perante a plataforma. Quem responde é o titular da conta e do ativo. Nos Padrões de Publicidade publicados no Transparency Center, a Meta atribui ao anunciante a responsabilidade de entender e cumprir as políticas, os Termos de Serviço e também as leis e os regulamentos locais. Não existe figura de "a agência operava, então a agência responde" nessa camada.

2. Responsabilidade ética perante o conselho. Quem responde é a clínica e o responsável técnico. Essa camada não terceiriza, não importa quem clicou em publicar.

3. Responsabilidade contratual e civil da agência. Aqui sim você cobra. Mas o que você cobra depende de cláusula escrita, de prova de culpa na execução e de dever de prestação de contas.

Lembre: ganhar a discussão com a agência não reativa a sua conta. As camadas 1 e 2 continuam sendo suas enquanto você discute a camada 3.

De quem é a conta de anúncio? Titularidade, acesso e gestão são coisas diferentes

Esse é o ponto que quase toda clínica descobre tarde demais: no dia do bloqueio.

Titularidade é quem é dono do ativo. Acesso é quem consegue entrar. Gestão é quem opera no dia a dia. Uma agência pode ter as três, ou só a última.

No lado da Meta, o divisor é onde a conta de anúncio nasceu:

  • Business Manager da própria clínica, com a conta de anúncio criada lá dentro: o ativo é seu. A agência entra como parceira, com acesso concedido e revogável.
  • Business Manager da agência, com a conta criada lá dentro: o ativo nasce dela. Você opera dentro da casa do fornecedor.

No lado do Google Ads, o divisor é quem criou a conta:

  • Conta Google Ads da clínica, vinculada à conta de administrador (MCC) da agência: a conta continua sua. O vínculo é gerencial e você pode remover o acesso de propriedade da MCC.
  • Conta criada pela MCC da agência: ela nasce sob aquela estrutura, e a saída é bem mais trabalhosa.
Arranjo Quem é titular Quem abre o recurso no bloqueio Risco para a clínica
BM da clínica, agência como parceira Clínica Clínica, com apoio da agência Baixo
BM da agência, clínica com acesso Agência Agência Alto, você depende de terceiro
Conta Google Ads própria vinculada à MCC Clínica Clínica Baixo
Conta Google Ads criada pela MCC Estrutura da agência Agência Alto
Cartão da agência pagando a mídia Agência Agência Alto, cascata por meio de pagamento

Se você ainda não fez essa conferência, comece por aqui: de quem ficam a conta de anúncios e o pixel quando você troca de agência.

O papel de Admin no Business Manager: o acesso que muda quem responde

Admin no Business Manager da Meta não é "um acesso mais completo". É o controle da casa.

Quem é admin adiciona e remove pessoas, adiciona e remove outros admins, conecta e desconecta ativos (conta de anúncio, Página, conta do Instagram, pixel, catálogo) e altera configurações de negócio.

Entregar admin para um fornecedor externo troca a natureza da relação. Você deixa de contratar operação e passa a compartilhar governança.

E é por isso que essa escolha aparece no dia do bloqueio: se a restrição atinge o Business Account, quem tem admin é quem consegue mexer, e quem não tem fica olhando.

O padrão saudável é simples: a clínica mantém pelo menos dois admins internos (dono e uma pessoa de confiança da gestão), e a agência entra com o papel operacional necessário, nada além.

Níveis de acesso do Google Ads e a propriedade em conta de administrador

O Google Ads é mais granular que a Meta, e isso joga a seu favor.

Os níveis de acesso vão de administrador (controle total, inclusive de usuários) até padrão (opera campanha, não mexe em usuário), somente leitura (vê e exporta, não altera), acesso apenas por e-mail (recebe relatório) e acesso de faturamento (mexe só na parte financeira).

Repare no que isso permite: a agência não precisa de administrador para trabalhar. Acesso padrão cobre a operação inteira de campanha.

E existe uma camada acima dessa, que é a que costuma passar despercebida: em conta de administrador (MCC), a conta de cliente continua dona dos próprios dados e pode remover o acesso de propriedade da MCC. Quem concede, revoga.

O teste prático: entre na sua conta agora e veja quem tem administrador. Se o único administrador for um e-mail com domínio da agência, você não é dono operacional da sua própria conta.

Como a Meta trata a violação (e o que ela diz ser responsabilidade sua)

A Meta trabalha com duas frentes: análise do anúncio antes da veiculação e monitoramento contínuo do comportamento do anunciante.

A análise inicial olha texto, imagem, vídeo e o destino do anúncio, incluindo a landing page. O monitoramento vai além do anúncio isolado e observa o histórico do anunciante.

Quando a Meta entende que houve violação, a restrição pode atingir vários níveis de uma vez: a conta de anúncio, a Página, a conta de usuário de quem operou e o próprio Business Account. Não é um anúncio reprovado, é um conjunto de ativos fora do ar.

E aqui está a frase que decide a conversa com a sua agência: nos Padrões de Publicidade, a Meta coloca no anunciante o dever de entender e cumprir as políticas, os Termos de Serviço e também as leis e regulamentos locais.

Traduzindo para a sua realidade: se a conta é da clínica, a plataforma entende que a clínica é a anunciante. Quem operou o computador é assunto entre você e o fornecedor.

Como o Google suspende: violação grave, aviso de sete dias e contestação

O Google publica o processo de forma mais literal, e isso facilita a sua vida na hora de cobrar.

Segundo a Ajuda das Políticas do Google Ads, quando o Google detecta uma violação grave, a conta é suspensa imediatamente e sem aviso prévio.

Já nas outras violações que levam à suspensão, o Google envia um aviso descrevendo o tipo de violação e a ação corretiva possível, e essa notificação sai pelo menos sete dias antes da suspensão.

Guarde esse detalhe. Ele é uma prova contratual poderosa.

Se a sua conta caiu por violação não grave, existiu um aviso com pelo menos sete dias de antecedência. Alguém recebeu esse aviso e não agiu. Pergunte para a agência quem recebeu a notificação, em que data, e o que foi feito nesses dias. A resposta separa acidente de negligência.

A mesma página do Google diz o que acontece com a conta suspensa: todos os anúncios deixam de ser exibidos, e o Google não aceita mais publicidade daquele anunciante, a menos que ele envie uma contestação.

Ou seja: o caminho de volta existe, é o recurso, e ele precisa ser aberto por quem tem acesso legítimo à conta.

O efeito cascata: por que o cartão espalha o bloqueio

Esta é a parte que costuma transformar um problema em uma crise.

A Ajuda das Políticas do Google Ads afirma que, com a conta suspensa, todas as contas relacionadas (o exemplo dado pelo próprio Google é aquelas que usam a mesma forma de pagamento) e as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.

Pense no que isso significa quando a agência paga a sua mídia com o cartão dela.

Esse cartão paga outras contas. Se uma delas cai, o sinal de relação existe. E se você mantém uma conta secundária para uma segunda unidade, no mesmo cartão, ela entra junto.

A recomendação é direta: a mídia da sua clínica é paga por um meio de pagamento da sua clínica, exclusivo dela. Não é assunto financeiro, é assunto de contenção de risco.

E, pelo mesmo motivo, criar conta nova para "continuar rodando" é o pior movimento possível no Google Ads. Você não contorna a suspensão, você amplia o alcance dela.

Verificação do anunciante: a armadilha do CNPJ da agência

O Google Ads exige verificação do anunciante, e o efeito do processo é prático: enquanto a verificação não é concluída, a conta fica parada.

O problema aparece quando a verificação foi feita com os documentos da agência, porque foi ela que abriu a conta.

Nesse arranjo, o anunciante verificado perante o Google é a agência, não a sua clínica. Se a relação azeda, se a agência some, ou se a conta precisa ser reverificada no meio de um bloqueio, você depende de um terceiro para provar quem você é.

Confira hoje em que CNPJ a sua conta está verificada. Se a resposta for "no da agência", isso entra na sua lista de correções antes da próxima renovação de contrato.

Por que clínica odontológica leva bloqueio com mais frequência

Odontologia é saúde, e saúde é território sensível nas duas plataformas. Alguns padrões de criativo concentram a maior parte dos bloqueios que você vai ver:

  1. Imagem de antes e depois. É o criativo que mais converte e o que mais derruba conta, na plataforma e no conselho.
  2. Afirmação de inferioridade sobre aparência física. Anúncio que sugere que o corpo, o sorriso ou os dentes da pessoa estão errados cruza a linha de atributos pessoais.
  3. Uso de atributos pessoais. Texto que trata o leitor como se a plataforma soubesse a condição de saúde dele ("você que perdeu os dentes") é uma das reprovações mais comuns em saúde.
  4. Clickbait em contexto de saúde. Promessa de resultado, urgência artificial e curiosidade forçada pesam muito mais quando o tema é tratamento.
  5. Destino inconsistente. Anúncio que promete uma coisa e a landing page entrega outra é analisado junto, não separado.

Repare no padrão: quase tudo aqui é decisão de criativo, não de configuração de campanha. E criativo é exatamente onde a agência opera com mais autonomia, e onde o dono costuma olhar menos.

A responsabilidade ética não terceiriza: o que o CRO cobra de você

Aqui está o ponto que mais surpreende o dono de clínica: mesmo que a agência tenha subido o anúncio sozinha, a camada ética continua sendo sua.

O Código de Ética Odontológica publicado pelo CFO não se dirige apenas ao profissional pessoa física. O art. 1º estabelece que ele regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e também das pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia.

O art. 45 vai adiante: pela publicidade e propaganda em desacordo com as normas do Código respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida da culpabilidade de cada um.

E o art. 46 fecha o cerco no assunto que interessa aqui: as normas do capítulo de publicidade e propaganda alcançam clínicas e policlínicas.

Nunca escreva no seu contrato, nem aceite ouvir, que a clínica fica de fora porque é empresa. Ela não fica.

O que isso muda na prática: anúncio irregular pode gerar dois processos com naturezas diferentes ao mesmo tempo, o da plataforma (conta bloqueada) e o do conselho (representação ética). Reativar a conta resolve um. O outro segue.

Imagem de antes e depois: quem pode publicar, segundo a Resolução CFO-196/2019

Como esse é o criativo campeão de bloqueio, vale isolar a regra com o sujeito correto.

A Resolução CFO-196/2019 autoriza a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A pessoa jurídica, ou seja, a clínica, não está autorizada a essa divulgação.

Leia de novo a segunda frase, porque ela é quase sempre lida ao contrário.

O dono de clínica opera como PJ. Logo, o perfil da clínica publicando resultado de procedimento é justamente o caso que a resolução não autoriza, ainda que o procedimento tenha sido feito dentro dela, por um profissional do seu quadro.

E isso tem consequência direta no contrato com a agência: se o briefing pede "antes e depois para a página da clínica", o pedido já nasce fora da norma. Quem aprovou o pedido tem participação no problema, mesmo que outra pessoa tenha subido o anúncio.

A responsabilidade civil da agência: obrigação de meio, prestação de contas e culpa na execução

Agora sim, a camada que você cobra dela.

Contrato de agência de marketing é, em regra, obrigação de meio, não de resultado. Ela se compromete a operar com diligência técnica, não a garantir faturamento nem a garantir que nenhuma conta jamais será bloqueada.

Isso não é escudo. Obrigação de meio é obrigação de diligência, e diligência é verificável.

Três deveres aparecem em quase todo contrato, mesmo quando mal redigido:

  • Dever de diligência técnica. Conhecer e aplicar a política das plataformas é parte do serviço contratado. Subir criativo de saúde sem checagem é falha de execução, não azar.
  • Dever de informação. Notificação de política recebida pela agência precisa chegar até você. Aviso engavetado é omissão, e no Google Ads existe uma janela documentada de pelo menos sete dias nas violações não graves.
  • Dever de prestação de contas. Ela opera um ativo e uma verba que são seus. Você tem direito ao histórico do que foi feito.

O que você precisa provar é culpa na execução: a agência agiu fora do padrão técnico esperado, ou deixou de agir quando deveria.

Sem registro de aprovação de criativo, sem histórico de notificação e sem log de quem subiu o quê, essa prova fica difícil. É por isso que a próxima seção é a mais valiosa deste guia.

As cláusulas que decidem esse caso antes dele acontecer

A discussão de responsabilidade se resolve no contrato assinado meses antes, não no e-mail nervoso do dia do bloqueio.

Cláusula O que precisa estar escrito O que ela evita
Titularidade dos ativos Business Manager, conta de anúncio, Página, pixel, tag e conta Google Ads são da clínica Ficar refém para abrir o recurso
Nível de acesso A agência recebe acesso operacional; a clínica mantém administradores internos Perder a governança da própria casa
Meio de pagamento A mídia é paga por meio de pagamento exclusivo da clínica Cascata de suspensão por conta relacionada
Verificação do anunciante A verificação é feita no CNPJ da clínica Depender de terceiro para provar quem você é
Aprovação prévia de criativo Criativo de saúde só sobe com aprovação registrada, incluindo o responsável técnico Anúncio irregular subindo sem trilha de decisão
Repasse de notificação Toda notificação de política é repassada em prazo definido, por escrito Aviso engavetado virar suspensão
SLA de reativação Prazo de abertura do recurso, quem conduz e relatório de andamento Recurso que nunca sai do lugar
Responsabilidade por prejuízo Hipóteses de ressarcimento de verba perdida e de multa Discussão sem régua no pior momento
Saída com transferência Transferência de ativos e acessos em prazo definido na rescisão Sair da agência e perder o histórico

Se o seu contrato atual não cobre isso, vale revisar a lista completa em o que deve constar no contrato com a agência de marketing odontológico.

Protocolo das primeiras horas depois do bloqueio

A janela logo após a queda é curta e cara. Siga na ordem.

  1. Identifique o titular real do ativo bloqueado. Antes de qualquer ação, saiba se o recurso pode ser aberto por você ou se depende da agência. Isso define tudo o que vem depois.
  2. Capture a notificação inteira. Print da mensagem, código do motivo, data e hora, e o anúncio ou ativo citado. Sem isso, o recurso vira adivinhação.
  3. Peça o histórico à agência, por escrito. Quais criativos estavam ativos, quem subiu, quando, e se houve notificação anterior. Peça por e-mail, não por áudio de WhatsApp.
  4. Abra o recurso pelo canal oficial. No Google Ads, a contestação é o caminho previsto pela própria Ajuda das Políticas. Na Meta, a revisão sai do painel do ativo restrito.
  5. Corrija a causa antes de pedir revisão. Recurso pedido com o criativo problemático ainda no ar tende a voltar negado.
  6. Acione o plano de contingência no mesmo dia. Não espere a resposta para começar a compensar a captação.

E o que não fazer, porque cada item aqui já custou caro para alguma clínica:

  • Não crie conta nova. No Google Ads, a própria Ajuda das Políticas diz que as contas novas que você criar são suspensas automaticamente.
  • Não troque a forma de pagamento para "despistar". O meio de pagamento é justamente um dos sinais de relação entre contas.
  • Não suba os mesmos criativos em outro ativo. Você transfere o problema para um ativo que ainda estava limpo.
  • Não deixe a discussão de culpa travar o recurso. Resolver a conta e cobrar a agência são trilhos paralelos.

Plano de contingência de mídia enquanto a conta está fora

Conta bloqueada não pode virar mês sem captação. Três frentes seguram a agenda enquanto o recurso corre.

1. Segundo canal de mídia já configurado. Se o bloqueio foi na Meta, o Google entra com busca de alta intenção, e vice-versa. O detalhe é que "já configurado" é a parte que ninguém faz antes. Conta ativa, verificada, com conversão medindo e uma campanha mínima rodando é o que permite escalar em horas, não em semanas.

2. Base própria. Paciente inativo, orçamento em aberto e lista de contatos são o ativo que nenhuma plataforma bloqueia. É a frente mais rápida de ativar e a que menos gente usa no momento certo. Vale estruturar antes: como reativar a base de pacientes inativos com campanha.

3. Orgânico e indicação. Perfil no Google, redes sociais e protocolo de indicação não cobrem o volume da mídia paga, mas sustentam parte da agenda e não param.

Lembre: contingência não é improviso do dia da crise. É estrutura montada em tempo de paz, que você aciona em minutos.

O custo real dos dias parados

O dono costuma medir o bloqueio em dias. O negócio mede em fila de agenda.

O primeiro custo é o lead que não entrou. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads. Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Exemplo hipotético, para você fazer a conta com os seus números: suponha que a sua clínica gere 20 leads por dia. Cinco dias fora do ar são 100 leads que não existiram, e a reposição desse volume sai pelo custo por lead da sua própria operação.

Mas o custo em reais é o menor dos três.

O segundo é o buraco na agenda, que só aparece depois. Lead que não entrou hoje é consulta que não acontece nas próximas semanas, e é receita que some do mês seguinte, não do mês do bloqueio.

O terceiro é o efeito no comparecimento e no aprendizado da campanha. Quando a conta volta, ela volta fria: histórico interrompido, aprendizado perdido e custo por resultado pior nos primeiros dias. A recuperação não é instantânea no dia da reativação.

Por isso a pergunta certa não é "quanto tempo demora para voltar". É "quanto da minha agenda depende de um único ativo que um terceiro controla".

Auditoria de exposição: o checklist para rodar hoje

Você não precisa esperar um bloqueio para saber se está exposto. Rode esta lista agora, item por item.

  1. Titularidade. O Business Manager e o pixel estão no CNPJ da clínica? A conta Google Ads é da clínica, apenas vinculada à MCC da agência?
  2. Administradores. Quantos administradores internos a sua clínica tem em cada plataforma? Se a resposta for zero, esse é o item mais urgente da lista.
  3. Meio de pagamento. A mídia é paga por um cartão da clínica, exclusivo dessa finalidade? Ele paga alguma outra conta?
  4. Verificação do anunciante. Em que CNPJ a conta está verificada?
  5. Pixel e tag. O pixel da Meta e a tag do Google estão no ativo da clínica ou em um ativo da agência compartilhado com você?
  6. Catálogo de criativos aprovados. Existe um repositório com os criativos no ar e o registro de quem aprovou cada um?
  7. Trilha de notificação. Existe um e-mail da clínica recebendo as notificações de política das plataformas, além do e-mail da agência?
  8. Segundo canal. Existe conta ativa e verificada na outra plataforma, pronta para escalar?

Qualquer item respondido com "acho que sim" conta como não.

Quando a culpa é de fato da agência e o que dá para cobrar

Existem cenários em que a responsabilidade da agência fica clara e documentável:

  • Criativo subido sem a aprovação prevista em contrato, principalmente antes e depois e promessa de resultado.
  • Notificação de política recebida e não repassada. No Google Ads, nas violações não graves, a Ajuda das Políticas descreve um aviso enviado pelo menos sete dias antes da suspensão. Se ninguém agiu, houve tempo e houve omissão.
  • Recusa de prestação de contas. Agência que não entrega histórico de criativo, de notificação e de operação está descumprindo dever básico do contrato.
  • Mídia paga no cartão da agência sem a sua autorização expressa, gerando cascata para a sua conta.
  • Abandono do recurso. Titular do ativo é ela, e ela não abre a contestação.

O que dá para cobrar, em ordem de escalada:

  1. Correção e condução do recurso sem custo adicional, com prazo e relatório de andamento por escrito.
  2. Prestação de contas formal, com entrega do histórico completo em prazo definido.
  3. Ressarcimento da verba perdida e de prejuízo, quando o contrato previr essa hipótese.
  4. Rescisão por inadimplemento contratual, com transferência de ativos e sem multa, se a cláusula sustentar.

O passo seguinte é operacional, e ele costuma ser mais difícil que o jurídico: retirar os ativos de lá sem quebrar a captação. O caminho está em como sair de uma agência de marketing odontológico sem dano.

Prevenção de criativo: o fluxo de aprovação com o responsável técnico

Quase todo bloqueio de clínica odontológica nasce em um criativo. Então é lá que a prevenção mora.

O fluxo que funciona tem quatro estações e cabe em dias, não em semanas:

  1. Agência produz e classifica. Todo criativo de saúde entra marcado como sensível, com o motivo (imagem de procedimento, promessa, atributo pessoal).
  2. Responsável técnico revisa o que é clínico. Ele olha a afirmação, a imagem e a identificação profissional, na régua do conselho, não na régua da plataforma.
  3. Dono ou gestão aprova o que é comercial. Oferta, preço, promessa e posicionamento.
  4. Registro da aprovação. Quem aprovou, quando, e qual versão subiu. É esse registro que, meses depois, define quem responde por um anúncio.

Parece burocracia. Na prática, é o que transforma "a agência subiu sem me mostrar" de suspeita em fato comprovável, e o que impede o criativo irregular de chegar na fila de revisão.

Se o medo é o fluxo travar a operação de mídia, o desenho certo resolve: veja como montar o fluxo de aprovação de criativo com a agência sem virar gargalo.

Seu próximo passo

  1. Faça a auditoria de titularidade esta semana. Abra as duas plataformas e responda os 8 itens do checklist. O item mais urgente é ter pelo menos dois administradores internos em cada ativo, e um meio de pagamento exclusivo da clínica.
  2. Monte o segundo canal antes de precisar dele. Conta ativa, verificada, com conversão medindo e uma campanha mínima rodando na plataforma em que você hoje não investe. Contingência que você configura no dia da crise chega tarde.
  3. Leve as cláusulas para a mesa na próxima renovação. Titularidade, nível de acesso, meio de pagamento, verificação, aprovação prévia de criativo, repasse de notificação, SLA de reativação e saída com transferência de ativos. Fornecedor que resiste a escrever isso está dizendo algo sobre o arranjo que ele prefere.

Quer previsibilidade de agenda sem depender de um ativo que você não controla, do anúncio ao paciente na cadeira? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

A agência pode ser responsabilizada pelo bloqueio da minha conta de anúncio?

Pode, no plano contratual e civil, se você provar culpa na execução (criativo subido sem aprovação, política ignorada, aviso da plataforma não repassado) e o contrato previr esse dever. Perante a plataforma, porém, quem responde é o titular da conta. Perante o CRO, quem responde é a clínica e o responsável técnico. As três camadas correm em paralelo e não se anulam.

A conta de anúncio é minha ou da agência?

Depende de onde ela nasceu. Conta criada dentro do Business Manager da própria clínica, ou conta Google Ads da clínica apenas vinculada à conta de administrador da agência, é sua. Conta criada dentro do Business Manager da agência, ou criada pela conta de administrador dela, nasce como ativo da agência e você só tem acesso. Confira isso antes de qualquer briga, porque muda quem consegue abrir o recurso.

Quanto tempo demora para reativar uma conta bloqueada?

Não existe prazo garantido por nenhuma das duas plataformas. Trabalhe com a hipótese de dias, não de horas, e monte o plano de contingência de mídia no mesmo dia do bloqueio. O erro caro é ficar esperando a reativação sem segundo canal rodando.

Posso abrir uma conta nova enquanto a antiga está bloqueada?

No Google Ads, não. A Ajuda das Políticas do Google Ads é explícita ao dizer que as contas novas que você criar são suspensas automaticamente, assim como as contas relacionadas. Criar conta nova costuma piorar o caso e queimar ativos que ainda estavam limpos.

Antes e depois de paciente pode ser publicado pela clínica?

A Resolução CFO-196/2019 autoriza a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A clínica como pessoa jurídica não está autorizada a essa divulgação. Como o dono opera a clínica como PJ, esse é um dos criativos que mais colocam a conta em risco.

O que eu cobro da agência quando o bloqueio foi culpa dela?

Prestação de contas documentada, correção sem custo adicional, condução do recurso e, se o contrato previr, ressarcimento pela verba perdida e rescisão sem multa. Antes de cobrar, junte evidência: histórico de aprovação de criativo, notificações da plataforma e registro de quem subiu o quê.