Captação e Tráfego

Qual a prevalência de DTM e dor orofacial no Brasil e quantos especialistas atendem essa demanda?

Demanda e oferta da DTM num só lugar, com fonte primária: prevalência de sinais, de dor e de casos que exigem tratamento, perfil do paciente, comorbidades, os 1.814 registros de especialista no CFO, onde eles estão, quantos atendem no SUS e o que isso muda na captação da sua clínica.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 14 de outubro de 2026 · 23 min de leitura
TL;DR

Segundo a SBDOF, sinais e sintomas de DTM atingem 40% a 50% dos adultos no Brasil, enquanto a literatura em geral (não um inquérito brasileiro) situa entre 5% e 12% a prevalência de casos que exigem tratamento. Para atendê-los, o CFO tinha 1.814 registros de especialista em 14/10/2026.

Pontos-chave
  • Demanda: o Jornal da SBDOF estima sinais e sintomas de DTM em 40% a 50% dos adultos no Brasil; num inquérito telefônico com 1.230 moradores de 15 a 65 anos de uma amostra urbana brasileira (Gonçalves et al., 2010), 25,6% relataram dor relacionada à DTM.
  • Demanda tratável: segundo o Jornal da SBDOF, sinais ou sintomas de DTM aparecem em até 60-70% da população, mas a prevalência relatada de casos que requerem tratamento por dor ou incapacidade funcional é de 5% a 12%. É esse recorte que vira agenda.
  • Oferta: o painel do CFO mostrava 1.814 registros de especialista em DTM e Dor Orofacial em 14/10/2026 (cerca de 0,38% dos 474.372 dentistas ativos, conta nossa), e só 52 especialistas (3,2%) atuavam no SUS em outubro de 2024, segundo estudo publicado em 2025.

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. A resposta rápida, em uma tabela
  4. Quantos brasileiros têm DTM? Depende do que se conta
  5. Por que os números de DTM variam tanto?
  6. O que as meta-análises mundiais dizem sobre DTM
  7. "33% e 70 milhões": o número de campanha e o número clínico
  8. Quem é o paciente de DTM
  9. Comorbidades: o paciente que entra por outra porta
  10. Quantos especialistas em DTM existem no Brasil?
  11. Qual a proporção de especialistas em DTM por dentista e por habitante?
  12. Como o número de especialistas em DTM cresceu
  13. Onde estão os especialistas em DTM?
  14. Por que o SUS não absorve a demanda de DTM?
  15. 72,8% dos especialistas em DTM têm outra especialidade
  16. O que esses números significam para o dono de clínica
  17. Como transformar prevalência em paciente na cadeira
  18. Limites destes dados (leia antes de citar)
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Qual a prevalência de DTM e dor orofacial no Brasil e quantos especialistas atendem essa demanda?"

Você já ouviu que "um terço dos brasileiros tem DTM". Talvez já tenha visto até "60-70% da população".

Se você está decidindo abrir (ou ampliar) a frente de DTM na clínica, nenhum desses números responde o que importa: quantas pessoas precisam de tratamento, e quantos especialistas disputam esse paciente.

A resposta curta: sinais e sintomas de DTM atingem de 40% a 50% dos adultos brasileiros, segundo o Jornal da SBDOF. Mas a mesma fonte, citando a literatura internacional (o NIDCR), situa entre 5% e 12% a prevalência de casos que requerem tratamento.

Do lado da oferta, o painel de especialistas do CFO mostrava 1.814 registros de especialista em DTM e Dor Orofacial em 14/10/2026.

Demanda grande, oferta pequena. Com um detalhe que muda a conta: o tratamento é acompanhamento, não procedimento único.

Neste guia você vai ver:

  • Os números de prevalência de DTM no Brasil, e por que eles variam tanto
  • O que as meta-análises mundiais dizem, e por que o método muda até o ranking dos continentes
  • Como usar o "33% e 70 milhões" da campanha sem inflar a sua meta
  • Quem é o paciente de DTM e por que ele chega pela porta da dor de cabeça
  • Quantos especialistas existem, onde estão, quantos atendem no SUS e quantos têm outra especialidade
  • O que tudo isso muda na captação, no corpo clínico e na publicidade da sua clínica

A resposta rápida, em uma tabela

Indicador Número Fonte e data
Sinais e sintomas de DTM em adultos no Brasil 40% a 50% (estimativa) Jornal da SBDOF
Dor relacionada à DTM, amostra urbana de 15 a 65 anos 25,6% Gonçalves et al., 2010, inquérito telefônico
Prevalência de casos que requerem tratamento (literatura em geral) 5% a 12% Jornal da SBDOF, citando o NIDCR
Registros de especialista em DTM e Dor Orofacial 1.814 Painel do CFO, 14/10/2026
Especialistas em DTM sobre o total de dentistas 0,38% Silva Júnior et al., 2025, dados de out/2024
Especialistas em DTM por 10 mil habitantes 0,08 Silva Júnior et al., 2025, out/2024 e Censo 2022
Especialistas em DTM atuando no SUS 52 (3,2% do total) Silva Júnior et al., 2025, CNES, out/2024

Nota: cada linha mede uma coisa diferente, com base e data próprias. As próximas seções explicam o que cada número mede e onde ele quebra.

Quantos brasileiros têm DTM? Depende do que se conta

A DTM tem três camadas, e cada fonte conta uma delas.

  1. Sinal. Ruído na articulação, sensibilidade à palpação, limitação do movimento da mandíbula.
  2. Sintoma ou dor. Dor na face, dor muscular ou articular.
  3. Caso tratável. Dor ou incapacidade funcional que pede tratamento.

Os exemplos de sinal e de sintoma acima são os que o próprio Jornal da SBDOF usa. Veja como os números mudam de camada para camada:

O que se conta Número Quem mediu e como
Sinais ou sintomas, na literatura epidemiológica em geral até 60-70% da população Jornal da SBDOF
Sinais e sintomas em adultos no Brasil 40% a 50% Jornal da SBDOF (estimativa brasileira)
Sinais e sintomas em adolescentes no Brasil 20% a 30% Jornal da SBDOF
Sinais e sintomas em idosos no Brasil em torno de 16% Jornal da SBDOF
Pelo menos um sintoma de DTM 39,2% Gonçalves et al., 2010
Dor relacionada à DTM 25,6% Gonçalves et al., 2010
Casos que requerem tratamento por dor ou incapacidade funcional 5% a 12% Jornal da SBDOF, citando a literatura em geral (NIDCR)

O estudo de Gonçalves e colaboradores, publicado em 2010 no Journal of Orofacial Pain, entrevistou 1.230 moradores de 15 a 65 anos (51,5% mulheres) por um questionário telefônico validado. Os autores descrevem a amostra como representativa da população urbana brasileira.

E o sinal sozinho vira demanda? Não necessariamente.

O NIDCR, instituto de pesquisa odontológica dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, afirma que ruídos na articulação sem dor são normais, frequentes e não precisam de tratamento.

Lembre: "até 60-70% da população" fala de sinal ou sintoma. A demanda que vira agenda é a do caso que requer tratamento. Misturar as duas camadas é o erro mais comum ao dimensionar a frente de DTM.

Por que os números de DTM variam tanto?

Quatro motivos explicam a distância entre os 5% a 12% de casos que requerem tratamento e os até 60-70% com sinal ou sintoma.

1. O que se conta. Sinal, dor e caso tratável são populações diferentes, como a tabela acima mostra.

2. Como se mede. Questionário (por telefone ou escrito) não é exame clínico com critério diagnóstico. Mesmo entre critérios clínicos, a versão muda o resultado: na meta-análise de Alqutaibi e colaboradores (2025), a prevalência foi de 35,4% pelo DC/TMD e de 26,5% pelo RDC/TMD, o critério mais antigo.

3. Quem e onde se estuda. O NIDCR estima que a DTM afete cerca de 5% dos adultos nos EUA, e avisa que o número varia conforme quem é estudado e como a condição é avaliada.

4. Não existe inquérito nacional. O estudo de Silva Júnior e colaboradores (2025) registra que o Brasil não possui um inquérito nacional para comparar prevalências regionais de DTM e dor orofacial. Na falta dele, os autores citam uma revisão sistemática que relatou taxas combinadas de 32,8% no Sudeste, 34,1% no Nordeste e 35,5% no Centro-Oeste, sem dados disponíveis para as regiões Norte e Sul.

O problema não é exclusivo da DTM. Numa revisão sistemática sobre dor crônica no Brasil (Aguiar et al., BrJP, 2021), a prevalência variou de 23,02% a 76,17% entre os 35 estudos incluídos.

Na prática: antes de repetir um número de prevalência, pergunte o que ele conta, como foi medido e em quem.

O que as meta-análises mundiais dizem sobre DTM

As meta-análises servem de régua externa. Elas juntam dezenas de estudos e mostram como a América do Sul se compara (e onde o método pesa).

Meta-análise Base Prevalência geral América do Sul
Zieliński, Pająk-Zielińska e Ginszt (J Clin Med, 2024) 74 estudos, 172.239 pessoas 34% 47%, acima da Ásia (33%) e da Europa (29%)
Alqutaibi et al. (J Oral Facial Pain Headache, 2025) 27 estudos, diagnóstico por RDC/TMD ou DC/TMD 29,5% 27,3%, atrás da Europa (33,8%) e da Ásia (27,9%)
Valesan et al. (Clin Oral Investig, 2021) 21 estudos, RDC/TMD ou DC/TMD cerca de 31% em adultos e idosos; 11% em crianças e adolescentes não separa por continente

Repare na última coluna. A mesma América do Sul aparece com 47% numa meta-análise e com 27,3% na outra. Num estudo ela lidera; no outro, fica atrás da Europa e da Ásia.

E a terceira linha mede outra coisa: Valesan e colaboradores olharam só as desordens da articulação temporomandibular (como deslocamento de disco e artralgia), não a DTM inteira.

O que isso significa pra você? Não escreva que "o Brasil tem a maior prevalência de DTM do mundo". Nenhuma das réguas sustenta isso de forma estável. O que elas sustentam é que DTM é comum em qualquer critério.

"33% e 70 milhões": o número de campanha e o número clínico

Em 16/05/2025, Dia Nacional da DTM e Dor Orofacial, o CFO e os Conselhos Regionais aderiram à campanha "DTM: Será que você tem?", da SBDOF.

A notícia oficial do CFO abre assim: aproximadamente 33% da população brasileira sofre de DTM e dor orofacial, "o que significa que 70 milhões de brasileiros precisam de tratamento especializado na área".

Na mesma notícia, o presidente da SBDOF, Rodrigo Estevão Teixeira, usa outra ordem de grandeza: a campanha é "um convite à mudança e à transformação da realidade de mais de 10 milhões de brasileiros que convivem diariamente com dor, limitações funcionais e prejuízos à qualidade de vida". São dois números de campanha, no mesmo texto, medindo coisas diferentes.

Três cuidados antes de usar essa frase:

  1. É número de campanha de conscientização. A notícia não informa de qual estudo sai o 33%.
  2. "Sofrer de DTM" não é o mesmo que precisar de tratamento. O Jornal da SBDOF situa a prevalência de casos que requerem tratamento por dor ou incapacidade funcional em 5% a 12%.
  3. Não transforme a faixa de 5% a 12% em milhões de pacientes multiplicando por uma população de outra fonte. A faixa vem da literatura em geral (a SBDOF cita o NIDCR), não de um inquérito brasileiro.

Use cada número no lugar dele:

Para quê Número Como citar
Conscientizar o paciente (post, conteúdo educativo) aproximadamente 33% "segundo a campanha do CFO e da SBDOF de 2025"
Dimensionar a demanda que vira agenda 5% a 12% "prevalência de casos que requerem tratamento, segundo o Jornal da SBDOF"
Dimensionar a concorrência 1.814 registros "painel do CFO, com a data da consulta"

Quem é o paciente de DTM

Todas as fontes apontam na mesma direção. O que muda é a magnitude.

Gênero: mais mulheres, em qualquer régua.

  • O Jornal da SBDOF diz que as mulheres são pelo menos quatro vezes mais propensas ao transtorno.
  • Na meta-análise de Alqutaibi e colaboradores (2025), a prevalência foi de 36,7% nas mulheres contra 26,7% nos homens.
  • O NIDCR afirma que a DTM é duas vezes mais comum em mulheres, especialmente entre 35 e 44 anos.

Idade: o adulto em idade produtiva.

  • Segundo o Jornal da SBDOF, o estudo de coorte prospectivo OPPERA estimou que, a cada ano, 4% dos adultos saudáveis de 18 a 44 anos desenvolvem DTM dolorosa, e essa faixa concentra o pico de incidência.
  • Na meta-análise de Zieliński e colaboradores (2024), a faixa de 18 a 60 anos teve a maior prevalência (41%), contra 27% até 18 anos e 36% acima de 60.

Agora compare com quem já clica em anúncio de clínica odontológica.

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 60,4% dos leads de clínica odontológica são mulheres. Base: cerca de 97 mil leads com demografia no Meta Ads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 55,0% dos leads de clínica odontológica têm 45 anos ou mais. Base: cerca de 97 mil leads no Meta Ads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Esses números são do lead de clínica odontológica em geral, não do paciente de DTM. A leitura que eles permitem é esta: o gênero casa com o perfil da DTM; a idade, não exatamente. Se o pico de incidência fica entre 18 e 44 anos, a campanha de DTM precisa falar com um adulto mais jovem do que a maioria de quem já clica nos anúncios da clínica.

Comorbidades: o paciente que entra por outra porta

O paciente de DTM dolorosa costuma trazer outras condições junto. Veja o que o Jornal da SBDOF reúne sobre comorbidades e dor crônica:

Condição associada O que a fonte diz
Duas ou mais comorbidades cerca de 59% dos pacientes com DTM dolorosa
Migrânea (enxaqueca) risco 4,4 vezes maior em pacientes com DTM
Fibromialgia aumenta em torno de 8 vezes a chance de DTM dolorosa

O bruxismo é outra porta. Na meta-análise de Zieliński e colaboradores sobre bruxismo (2024), a prevalência global foi de 21% para o bruxismo do sono e 23% para o de vigília, e o de vigília foi mais alto na América do Sul, com 30%.

Bruxismo não é sinônimo de DTM. O folder da Câmara Técnica de DTM e Dor Orofacial do CROSP lista o apertamento ou o ranger dos dentes entre os possíveis fatores de risco, ao lado de estresse emocional e dores crônicas em outras partes do corpo.

O mesmo folder resume por que esse paciente é tão relevante: a dor de dente é a dor aguda orofacial mais comum, mas as DTMs são as causas mais comuns de dores crônicas orofaciais.

O que isso significa na prática? O estudo de 2025 registra que esses pacientes frequentemente enfrentam obstáculos ao buscar cuidado odontológico eficaz e ao tentar fazer os profissionais de saúde entenderem a sua situação. Detalhamos esse caminho em como atrair o paciente de DTM que sofre de dor de cabeça e enxaqueca.

Quantos especialistas em DTM existem no Brasil?

Na consulta de 14/10/2026, o painel de estatísticas do CFO mostrava 1.814 registros de especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial: 1.009 de mulheres e 805 de homens. Ou seja, cerca de 55,6% de mulheres (conta nossa).

Para ter escala, compare com outras especialidades no mesmo painel e na mesma data:

Especialidade Registros Mulheres* Registros para cada 1 de DTM*
Ortodontia 34.483 63,3% cerca de 19
Implantodontia 23.999 33,3% cerca de 13
Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial 8.841 29,6% cerca de 4,9
Harmonização Orofacial 6.808 80,0% cerca de 3,8
DTM e Dor Orofacial 1.814 55,6% 1

*Conta nossa sobre os números de mulheres, homens e total que o painel publica.

O painel soma 161.783 registros de especialidade no país. A DTM responde por cerca de 1,1% deles (conta nossa).

Dois cuidados antes de usar esses números:

  1. É um painel ao vivo. O total muda de uma consulta pra outra. Cite sempre com a data.
  2. São registros de especialidade, não pessoas. O mesmo profissional pode aparecer em mais de uma linha. Na DTM isso é a regra: segundo o estudo de 2025, com dados de outubro de 2024, 72,8% dos especialistas tinham outra especialidade registrada (mais sobre isso adiante).

Leia também: o mesmo raio-x de oferta para outra especialidade orofacial está em estatísticas do mercado de harmonização orofacial no Brasil.

Qual a proporção de especialistas em DTM por dentista e por habitante?

O estudo de Silva Júnior e colaboradores, publicado em 2025 no Brazilian Journal of Dental Education, usou dados do CFO com referência em outubro de 2024, considerando só cadastro ativo.

Resultado: 1.613 especialistas em DTM e dor orofacial, o que corresponde a 0,38% do total de 423.332 cirurgiões-dentistas registrados.

Dois anos depois, a proporção praticamente não mudou. O painel de profissionais ativos do CFO mostrava, em 14/10/2026, 474.372 cirurgiões-dentistas ativos. Os 1.814 registros de DTM equivalem a cerca de 0,38% desse total (conta nossa). As bases não são idênticas: o estudo usou cirurgiões-dentistas registrados; o painel, ativos.

O mesmo 0,38% aparece na fala do presidente da SBDOF, Rodrigo Estevão Teixeira, na notícia do CFO de 16/05/2025: dos mais de 430 mil dentistas em atividade, apenas 0,38% são especialistas em DTM e dor orofacial.

Por habitante, o estudo de 2025 calculou 0,08 especialista por 10 mil habitantes na média nacional, com a população do Censo 2022.

E por estabelecimento? O mesmo painel do CFO registrava 101.650 EPAOs (entidades prestadoras de assistência odontológica) em 14/10/2026. Na média, são cerca de 56 EPAOs para cada registro de especialista em DTM (conta nossa). Leia como ordem de grandeza: nem todo especialista está vinculado a uma EPAO.

Como o número de especialistas em DTM cresceu

A especialidade foi reconhecida pelo CFO em 2002, segundo o estudo de 2025. Três fotografias recentes do contingente:

Referência Especialistas Fonte Como foi contado
Outubro de 2024 1.613 Silva Júnior et al., 2025 Portal do CFO, só cadastro ativo
16/05/2025 1.649 Notícia do CFO "Estatísticas do Conselho Federal de Odontologia" citadas na notícia
14/10/2026 1.814 Painel do CFO Registros de especialidade, painel ao vivo

Do primeiro ao último número, o aumento é de cerca de 12% em dois anos (conta nossa).

Mas tem um detalhe: são três publicações com critérios que não necessariamente batem entre si. Use a série como ordem de grandeza, não como taxa oficial de crescimento.

O ponto de negócio se sustenta: o contingente aumentou, mas continua uma fração mínima da categoria, em torno de 0,38% dos dentistas tanto em 2024 quanto em 2026.

Onde estão os especialistas em DTM?

A distribuição é desigual. Os dados são do estudo de 2025, com referência em outubro de 2024:

Região Parcela dos especialistas em DTM
Sudeste 59,2% (955 especialistas)
Sul 21,1% (341 especialistas)
Nordeste e Centro-Oeste, somados 16,8% (conta nossa)
Norte 2,9%

No recorte por estado, o mesmo estudo mostra a concentração:

Estado Especialistas Parcela do total
São Paulo 508 31,5%
Minas Gerais 250 15,5%
Rondônia 0 nenhum especialista

Repare em três pontos:

  • São Paulo e Minas Gerais somam cerca de 47% de todos os especialistas do país (conta nossa).
  • A proporção por habitante segue o mesmo desenho: 0,11 especialista por 10 mil habitantes no Sudeste contra 0,03 no Norte.
  • Rondônia não tinha nenhum especialista em DTM registrado na data do estudo.

Os autores apontam ainda um descompasso entre necessidade e oferta: apesar das altas prevalências relatadas no Nordeste e no Centro-Oeste (34,1% e 35,5% na revisão que eles citam, contra 32,8% no Sudeste), essas regiões apresentam proporções menores de especialistas por habitante.

Eles também encontraram correlação positiva entre o número de especialistas por estado e a população residente, o número de cursos de Odontologia e o PIB.

O que isso significa pra você? Fora do Sudeste e do Sul, a concorrência por paciente de DTM tende a ser menor. Dentro de São Paulo, a régua é outra. Levante quantos especialistas atendem na sua cidade antes de definir verba e meta.

Por que o SUS não absorve a demanda de DTM?

O estudo de 2025 cruzou os dados do CFO com a base de recursos humanos do CNES, do Ministério da Saúde.

Resultado: só 52 especialistas em DTM e dor orofacial atuavam no SUS em outubro de 2024, 3,2% do total. Desses, 1,9% estavam no Norte, 9,6% no Nordeste, 57,7% no Sul e 7,7% no Centro-Oeste (o trecho não informa a parcela do Sudeste).

E quando o paciente de DTM é atendido no SUS, o que aparece no registro? Um estudo transversal de 2025 (Sales et al., Arquivos em Odontologia) analisou os procedimentos do SIA/SUS realizados no Brasil em 2023 com diagnóstico principal de transtornos da ATM (CID-10 K07.6) ou dor facial atípica (CID-10 G50.1). Os mais comuns foram consulta de profissionais de nível superior na atenção especializada, exceto médico (19,8%), consulta médica em atenção especializada (14,2%) e atendimento médico em unidade de pronto atendimento (12,9%). O Sudeste concentrou 52,3% dos procedimentos, com destaque para o sexo feminino (71,9%) e a faixa de 20 a 59 anos.

Há também uma razão estrutural. Em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em 17/08/2017, Roberto Pedras, coordenador da Comissão de Saúde Pública da SBDOF, apontou dois pontos na apresentação:

  1. Não existem procedimentos da especialidade cadastrados na tabela do SUS.
  2. O tema DTM não faz parte como tópico obrigatório do conteúdo programático das instituições de ensino de Odontologia.

Nota: esse é o retrato apresentado em 2017. Confira a tabela do SUS vigente antes de citar como situação atual.

Em 2025, a pauta seguia aberta: a notícia do CFO sobre a campanha registra que a SBDOF busca o reconhecimento oficial do Dia Nacional da DTM para fortalecer a especialidade dentro do SUS e incluir o tema nas grades curriculares.

A leitura de negócio (nossa): com pouca oferta pública, quem precisa de tratamento especializado e pode pagar tende a procurar o consultório particular.

72,8% dos especialistas em DTM têm outra especialidade

Este é o dado mais útil pra quem monta corpo clínico.

Segundo o estudo de 2025, 72,8% dos especialistas em DTM e dor orofacial possuíam registro em outra especialidade odontológica. As segundas especialidades mais registradas foram:

Segunda especialidade Parcela
Ortodontia 27,7%
Prótese Dentária 17,0%
Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial 7,4%

Os autores lembram que a relação entre DTM, oclusão e ortodontia é controversa, mas explicam a afinidade: o ortodontista pode contribuir na detecção de sinais e sintomas, o paciente com DTM frequentemente precisa de tratamento protético, e a cirurgia bucomaxilofacial oferece intervenção para casos graves quando as abordagens conservadoras não funcionam.

O que isso muda na sua clínica:

  1. O especialista que você contratar provavelmente divide a agenda com outra especialidade. Defina quantos períodos ficam reservados para DTM antes de investir em captação.
  2. Proteja o protocolo conservador. O NIDCR registra que, como a evidência de muitos tratamentos de DTM é limitada, especialistas recomendam tratamentos conservadores e evitar os que mudam de forma permanente a articulação, os dentes ou a mordida, ou que envolvem cirurgia. A frente de DTM não pode virar porta de entrada para tratamento irreversível sem indicação.
  3. Tenha o caminho de encaminhamento pronto. Caso articular grave vai para o bucomaxilo, e o paciente precisa saber que a clínica continua acompanhando.

O que esses números significam para o dono de clínica

Junte demanda e oferta e o quadro fica claro: muita gente com sintoma, uma fração com caso tratável e pouquíssimos especialistas, concentrados no Sudeste e no Sul.

Mas a oportunidade tem formato próprio. Veja quatro implicações:

  1. A receita é de acompanhamento, não de procedimento único. A SBDOF afirma que os tratamentos de escolha hoje são conservadores, como autocuidados, medicação, placa de mordida e fisioterapia. O folder do CROSP acrescenta que, nas dores crônicas, o tratamento e o acompanhamento podem ser prolongados e exigir abordagem multidisciplinar.
  2. Preço e meta precisam refletir esse formato. Detalhamos como em como precificar o tratamento de DTM que é acompanhamento longo.
  3. A escassez é regional. O que é mercado pouco disputado em uma capital do Norte pode ser mercado concorrido em São Paulo.
  4. Anunciar a especialidade exige o especialista. Essa regra é da clínica, não só do dentista. Veja abaixo.

Quem pode anunciar DTM e Dor Orofacial. O Código de Ética Odontológica aplica as suas disposições às pessoas jurídicas, como clínicas e policlínicas (art. 29). E o art. 32, III, define como infração ética anunciar especialidades sem constar no corpo clínico os respectivos especialistas, com as devidas inscrições no Conselho Regional.

Ou seja: a clínica (pessoa jurídica) só anuncia DTM e Dor Orofacial se tiver especialista inscrito no CRO no corpo clínico. Os profissionais inscritos que prestam serviço à entidade respondem solidariamente pela infração, nos limites de sua atribuição (art. 30), e, pela publicidade em desacordo com o Código, respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração (art. 45).

Lembre: a clínica não fica de fora das regras de ética por ser empresa. O Código regula também os direitos e deveres das pessoas jurídicas que exercem atividades na Odontologia (art. 1º).

Como transformar prevalência em paciente na cadeira

Prevalência não agenda consulta. O que agenda é o paciente certo encontrando a clínica na hora em que a dor aperta.

O paciente não procura "DTM". O folder do CROSP registra que uma das queixas mais frequentes é a dor, que pode aparecer na face, no ouvido, no fundo dos olhos, na cabeça e no pescoço. É dessas queixas que ele fala quando procura ajuda, e é com elas que o anúncio precisa falar.

Ele procura fora do horário. O número abaixo é do lead de clínica odontológica em geral, não específico de DTM:

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

A conversa precisa virar agendamento. Também em clínica odontológica em geral:

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Com esses parâmetros, monte a meta de trás pra frente. É assim que fica, num exemplo hipotético (troque cada taxa pela sua):

Etapa Taxa suposta Volume necessário
Meta: novos pacientes de DTM em acompanhamento no mês (meta) 8
Avaliações que viram tratamento suponha 1 em 2 16 avaliações
Agendados que comparecem suponha 1 em 2 32 agendamentos
Leads que agendam suponha 1 em 8 256 leads

Se a conta não fecha com o seu custo por lead e o seu ticket de acompanhamento, o problema está numa taxa do meio, não no tamanho do mercado.

Para o sistema completo de captação, veja como atrair pacientes de DTM e dor orofacial.

Limites destes dados (leia antes de citar)

Nenhum número deste guia é censo. Antes de usar qualquer um deles num plano, considere:

  1. Não há inquérito nacional de DTM. As prevalências brasileiras vêm de estimativas e de amostras, como o inquérito telefônico urbano de 2010, e a faixa de 5% a 12% de casos que requerem tratamento vem da literatura em geral, não de medição no Brasil.
  2. O painel do CFO é dinâmico. Os 1.814 registros valem para 14/10/2026. Cite com data.
  3. Registro de especialidade não é pessoa única. Com 72,8% de dupla especialidade, somar linhas do painel superestima profissionais.
  4. Existe uma inconsistência no próprio estudo de 2025. O resumo do artigo diz que os 1.613 especialistas representam 1,4% dos dentistas, mas a seção de resultados traz 0,38% de 423.332, e é o 0,38% que fecha com o n do estudo. Se você encontrar "1,4%" circulando, ele vem desse resumo.
  5. A série de crescimento junta fontes diferentes. Estudo, notícia e painel não usam necessariamente o mesmo critério.
  6. Meta-análises misturam países e critérios. Servem como régua, não como retrato do seu bairro.
  7. "Até 60-70%" é sinal ou sintoma, não demanda. Use sempre com esse contexto.

Seu próximo passo

  1. Dimensione a demanda pelo número certo. Use a faixa de 5% a 12% de casos que requerem tratamento para meta, e deixe o 33% da campanha para conteúdo educativo, sempre com a fonte.
  2. Mapeie a oferta na sua região. Parta dos 1.814 registros do painel do CFO e da distribuição por estado do estudo de 2025, e levante quantos especialistas atendem na sua cidade.
  3. Monte a frente de DTM como acompanhamento e meça o funil separado. Especialista inscrito no CRO no corpo clínico, protocolo conservador, anúncio que fala da dor e não do diagnóstico, e custo por lead, agendamento, comparecimento e adesão ao tratamento medidos por pelo menos um ciclo.

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Perguntas frequentes

Qual a prevalência de DTM no Brasil?

Depende do que se conta. O Jornal da SBDOF estima sinais e sintomas de DTM em 40% a 50% dos adultos brasileiros. Num inquérito telefônico com 1.230 moradores de 15 a 65 anos de uma amostra urbana (Gonçalves et al., 2010), 25,6% relataram dor relacionada à DTM. Já a prevalência de casos que requerem tratamento por dor ou incapacidade funcional é de 5% a 12% na literatura em geral, número que a SBDOF cita a partir do NIDCR; não é uma medição feita no Brasil.

Quantos especialistas em DTM e dor orofacial existem no Brasil?

Em 14/10/2026, o painel do CFO mostrava 1.814 registros de especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, 1.009 de mulheres e 805 de homens. Isso equivale a cerca de 0,38% dos 474.372 cirurgiões-dentistas ativos no mesmo painel (conta nossa). É um painel ao vivo, então cite sempre com a data.

Quantos especialistas em DTM atendem pelo SUS?

Poucos. O estudo de Silva Júnior e colaboradores (2025), com dados de outubro de 2024, identificou 52 especialistas em DTM e Dor Orofacial no SUS, 3,2% do total, pela base de recursos humanos do CNES. Em 2017, o coordenador da Comissão de Saúde Pública da SBDOF apontou, em audiência na Câmara dos Deputados, que não havia procedimentos da especialidade cadastrados na tabela do SUS.

Em que estado há mais especialistas em DTM?

São Paulo, com 508 especialistas (31,5% do total) em outubro de 2024, seguido de Minas Gerais, com 250 (15,5%), segundo o estudo publicado em 2025 no Brazilian Journal of Dental Education. O Sudeste concentrava 59,2% dos especialistas, e Rondônia não tinha nenhum.

De onde vem a frase de que 33% dos brasileiros têm DTM?

Da notícia do CFO de 16/05/2025 sobre a campanha da SBDOF, que fala em aproximadamente 33% da população e em 70 milhões de brasileiros precisando de tratamento especializado. É número de campanha de conscientização, e a notícia não informa de qual estudo ele sai. Na mesma notícia, o presidente da SBDOF fala em mais de 10 milhões de brasileiros que convivem diariamente com dor. Para estimar demanda tratável, use a faixa de 5% a 12% da literatura em geral, citada pelo Jornal da SBDOF, sabendo que ela não foi medida no Brasil.

A clínica pode anunciar DTM e dor orofacial sem especialista no corpo clínico?

Não. O Código de Ética Odontológica se aplica também às pessoas jurídicas, como clínicas (art. 29), e o art. 32, III, define como infração ética anunciar especialidades sem constar no corpo clínico os respectivos especialistas, com inscrição no Conselho Regional. Os profissionais inscritos que prestam serviço à entidade respondem solidariamente (art. 30).