Captação e Tráfego

Quantos brasileiros fazem lente, faceta ou clareamento por ano e qual o tamanho do mercado de estética dental?

Quantos brasileiros fazem lente, faceta ou clareamento por ano e quanto vale o mercado de estética dental? Reunimos o único dado medido (clareamento no Censo da Odontologia), a base de acesso e de gasto, a oferta de dentistas, a demanda vista pela busca no Google, a sazonalidade, os números que circulam sem fonte e como o dono de clínica transforma isso em meta de captação.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 3 de outubro de 2026 · 21 min de leitura
TL;DR

Não existe contagem oficial de lentes e facetas no Brasil: o único dado medido é que 8% de quem foi ao dentista no último ano fez clareamento (Censo da Odontologia, CFO e ABIMO), e nenhuma fonte neutra publica o mercado estético em reais.

Pontos-chave
  • Não existe contagem oficial de lentes e facetas no Brasil. O único dado populacional medido vem do Censo da Odontologia (Key-Stone para a ABIMO, com apoio do CFO): 8% de quem foi ao dentista no último ano fez branqueamento dentário (base de 2.039 respondentes), e o gráfico não traz lente nem faceta como categoria própria.
  • Segundo o Censo da Odontologia (CFO e ABIMO, coleta de dezembro de 2023 a dezembro de 2024), 68% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista no último ano. No relatório populacional, 74% de quem foi ao dentista recebeu tratamento em consultório particular, e o gasto médio com tratamento odontológico pessoal em 12 meses foi de R$ 1.267, somando todo tipo de tratamento.
  • A oferta é ampla e pouco diferenciada: na pesquisa com 2.979 dentistas titulares de consultório publicada pelo CFO (setembro de 2024), a estética é praticada por 86% da amostra, enquanto o CFO contava 7.138 especialistas em Dentística em 30 de junho de 2025.

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Existe contagem oficial de lente, faceta e clareamento no Brasil?
  4. O único número medido: 8% de quem foi ao dentista fez clareamento
  5. Quantos brasileiros vão ao dentista e onde são atendidos
  6. Quanto o paciente gasta por ano com dentista (e por que isso não vira tamanho de mercado)
  7. Renda, escolaridade e plano: o filtro que decide quem compra estética
  8. Oferta: 86% dos consultórios pesquisados fazem estética, poucos são especialistas
  9. A estética é a área que os dentistas percebem crescer mais
  10. Harmonização orofacial: um terço dos consultórios oferece, 1% dos pacientes fez
  11. Os números que circulam sem fonte primária (e como checar um número)
  12. Mercado global de odontologia estética: por que não dá pra derivar o Brasil
  13. O que a busca no Google mostra sobre a demanda estética
  14. Sazonalidade: quando a busca por lente de contato dental sobe
  15. Lente, faceta e clareamento: o que o paciente está comparando
  16. Preço por dente: por que não existe referência neutra
  17. Como dimensionar a meta de captação estética com números próprios
  18. Antes e depois em estética: quem pode publicar (Resolução CFO-196/2019)
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Quantos brasileiros fazem lente, faceta ou clareamento por ano e qual o tamanho do mercado de estética dental?"

Você já viu as manchetes. O mercado de estética dental "movimenta bilhões", a procura por lente "explodiu", o Brasil "está entre os maiores do mundo".

Tente rastrear qualquer uma delas até a fonte primária. Quase nenhuma chega lá.

A resposta honesta é esta: não existe contagem oficial anual de lentes e facetas no Brasil.

O único dado populacional medido é de clareamento. Segundo o relatório populacional do Censo da Odontologia (Key-Stone para a ABIMO, com apoio do CFO), 8% de quem foi ao dentista no último ano fez branqueamento dentário.

E nenhuma fonte neutra publica o tamanho do mercado estético brasileiro em reais, com metodologia aberta.

Pra você, dono de clínica, isso não é má notícia. É um aviso: a meta de captação estética sai do seu funil, não de manchete.

Neste guia você vai ver:

  • Por que ninguém conta lente e faceta no Brasil (e o que existe no lugar)
  • O único número medido de clareamento e como ler a base dele
  • Quantos brasileiros vão ao dentista, onde são atendidos e quanto gastam
  • Renda, escolaridade e plano: o filtro que decide quem compra estética
  • A oferta: quantos dentistas fazem estética e quantos são especialistas
  • Harmonização orofacial, mercado global e os números que circulam sem fonte
  • O que a busca no Google mostra, incluindo a sazonalidade da lente
  • Como dimensionar a sua meta de captação estética com números próprios
  • A regra de antes e depois que vale pra quem anuncia estética

Existe contagem oficial de lente, faceta e clareamento no Brasil?

Não. E o motivo é estrutural, não falta de vontade de algum órgão.

Os registros públicos de produção, como o DATASUS, contam o que passa pelo SUS. A estética eletiva é contratada, em regra, no consultório particular, e nenhum procedimento estético tem notificação obrigatória a órgão algum.

O plano de saúde também não ajuda. A Lei 9.656/1998, no art. 10, exclui do plano-referência os "procedimentos clínicos ou cirúrgicos para fins estéticos". Ou seja: o plano não é obrigado a cobrir estética, e o que o paciente paga por fora não aparece em estatística de operadora.

O resultado é simples. Estética dental é desembolso direto, e desembolso direto não deixa rastro administrativo.

O que sobra são pesquisas por amostragem. E, entre as fontes neutras que encontramos, só uma mede um procedimento estético na população brasileira: o Censo da Odontologia.

Lembre: quando alguém crava "X milhões de lentes por ano no Brasil", pergunte de onde saiu a contagem. Sem registro público e sem pesquisa que meça lente, o número é estimativa de quem vende, não dado.

O único número medido: 8% de quem foi ao dentista fez clareamento

O Censo da Odontologia foi feito pela consultoria Key-Stone para a ABIMO, com apoio do CFO. O relatório populacional (datado de janeiro de 2024) ouviu 3.004 respondentes, com amostra ponderada pelos parâmetros do censo do IBGE.

Entre as pessoas que foram ao dentista no último ano (2.039 respondentes), a pesquisa perguntou quais tratamentos elas fizeram. Veja os que importam pra estética:

Tratamento realizado no último ano % de quem foi ao dentista
Limpeza ou higiene oral 70%
Branqueamento dentário 8%
Ortodontia com alinhadores transparentes 2%
Harmonização orofacial 1%

Fonte: ABIMO / Key-Stone, relatório populacional do Censo da Odontologia. Base: 2.039 pessoas que foram ao dentista no último ano.

Repare em dois detalhes antes de usar esse número.

1. A base não é a população inteira. Os 8% são de quem foi ao dentista no último ano, não de todos os brasileiros.

Exemplo de conta (nossa, não da pesquisa): se 68% foram ao dentista e 8% desses clarearam, algo perto de 5 em cada 100 entrevistados fez clareamento no último ano.

2. Lente e faceta não aparecem. O gráfico de tratamentos não lista lente nem faceta como categoria própria. Quem afirma que "o Censo mostra X% de lentes" está lendo um número que não existe no relatório.

O que isso significa na prática? Dos itens claramente estéticos do gráfico (branqueamento, alinhadores e harmonização), o clareamento é o mais frequente. Lente e faceta seguem como nicho de ticket alto, sem contagem pública.

Quantos brasileiros vão ao dentista e onde são atendidos

Antes de pensar em estética, olhe a base de acesso. Ela define o teto de quem pode chegar até você.

Segundo o Censo da Odontologia, divulgado pelo CFO em 23 de janeiro de 2025 (coleta de dezembro de 2023 a dezembro de 2024), 68% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista no último ano, sendo que 23% procuraram atendimento no SUS.

O relatório populacional detalha onde essas pessoas foram tratadas (múltipla resposta):

Onde recebeu tratamento % de quem foi ao dentista
Consultório particular 74%
Serviço público 23%
Rede ou franquia 8%
Grande clínica ou hospital privado 3%

Fonte: ABIMO / Key-Stone, relatório populacional. Base: 2.039 respondentes.

O recado é direto: o consultório particular é o canal dominante de atendimento odontológico no Brasil. É ali que a estética acontece e é ali que você disputa o paciente.

E a PNS do IBGE?

A outra grande fonte é a Pesquisa Nacional de Saúde. Na PNS 2019 do IBGE, a proporção de pessoas que consultaram dentista nos 12 meses anteriores à entrevista foi de 49,4%.

Por que 49,4% numa e 68% na outra? São pesquisas diferentes, em anos diferentes (2019 contra 2023 e 2024), com métodos diferentes.

Não compare uma com a outra como se fosse série histórica. Use cada número com a fonte e o ano dele.

Quanto o paciente gasta por ano com dentista (e por que isso não vira tamanho de mercado)

O relatório populacional do Censo perguntou quanto cada pessoa gastou, no total, com o próprio tratamento odontológico nos últimos 12 meses.

A resposta: gasto médio global de R$ 1.267, segundo a ABIMO / Key-Stone, na base de 2.039 pessoas que foram ao dentista no último ano.

Mas tem um detalhe: esse valor soma todo tipo de tratamento, da limpeza à prótese. Não é o gasto com estética.

O mesmo relatório mostra que o pico de gasto aparece entre quem foi a uma grande clínica ou a um hospital privado.

É tentador multiplicar a média pelo número de pacientes e chamar de "tamanho do mercado". Não faça isso.

  • A média mistura quem só fez limpeza com quem fez reabilitação inteira.
  • A amostra mede gasto declarado, não faturamento de clínica.
  • Nada nessa conta isola lente, faceta ou clareamento.

O número serve pra outra coisa: mostrar a régua do paciente médio. Somando tudo o que fez no ano, ele gastou em média R$ 1.267 com tratamento odontológico. É contra essa régua que ele compara, na cabeça dele, um orçamento estético de vários dentes. Por isso o paciente de estética de alto ticket se capta com segmentação e prova de valor, não com volume.

Renda, escolaridade e plano: o filtro que decide quem compra estética

O acesso ao dentista no Brasil não é uniforme. E a estética, paga do próprio bolso, amplifica essa diferença.

Segundo o Censo da Odontologia (CFO e ABIMO):

Recorte Buscaram o dentista Comparação
Escolaridade 75% com ensino superior 54% com escolaridade básica
Renda 80% de quem ganha mais de 10 salários mínimos 59% de quem ganha até 1 salário mínimo

A PNS 2019 do IBGE mostra o mesmo gradiente: 36,0% das pessoas com rendimento domiciliar per capita de zero até um quarto de salário mínimo consultaram dentista, contra 75,7% entre as que têm rendimento per capita acima de 5 salários mínimos.

E o plano odontológico é exceção. Na mesma PNS 2019, a cobertura de plano odontológico era de 12,9%, contra 26,0% do plano médico. Mesmo nas faixas de rendimento mais altas, o plano odontológico foi adquirido por aproximadamente um terço das pessoas.

O que isso significa pra sua captação?

  1. O comprador de estética está concentrado nas faixas de renda e escolaridade mais altas. Segmentação geográfica e de público pesa muito aqui.
  2. Ele paga do próprio bolso. Como a estética fica fora do plano-referência, a decisão é de consumo, não de cobertura. Condição de pagamento pesa tanto quanto preço.
  3. Volume de lead barato não resolve. Se o público pagante é estreito, o que decide é atingir a fatia certa e converter bem quem chega.

Oferta: 86% dos consultórios pesquisados fazem estética, poucos são especialistas

Do lado da oferta, o Brasil é superlativo. Em 25 de outubro de 2025, o CFO informou que o país alcançou a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas.

E quase todo mundo faz estética. Na pesquisa com dentistas do Censo da Odontologia, publicada pelo CFO (setembro de 2024, 2.979 dentistas titulares de consultório, entrevistas online a partir de mailing do CFO), a estética é a segunda disciplina mais praticada nos consultórios: 86% da amostra declara praticá-la, atrás só da odontologia conservadora.

A pesquisa acrescenta que a penetração da estética é maior em consultórios maiores.

Agora o contraste. O CFO contava 7.138 especialistas em Dentística em 30 de junho de 2025, num total de 149.346 especializações concluídas no país, segundo as estatísticas do próprio conselho.

Pensa assim: quase todo consultório diz que faz estética. Poucos têm como provar que são referência nisso.

Pra quem anuncia estética, esse é o ponto central:

  • "Faço estética" não diferencia ninguém. É a promessa de praticamente todos os concorrentes da sua rua.
  • O diferencial está na prova: método nomeado, planejamento, casos documentados dentro das regras do CFO e titulação, quando houver.
  • Sem diferencial, o paciente compara preço. E em estética, comparar só preço empurra o ticket pra baixo.

A estética é a área que os dentistas percebem crescer mais

A mesma pesquisa com 2.979 dentistas perguntou como cada disciplina evoluiu no último ano em relação ao anterior.

O quadro geral foi descrito como bastante estável. A exceção: há uma percepção de crescimento mais acentuado nas disciplinas da área estética, que a pesquisa lista como medicina estética, ortodontia com alinhadores e tratamentos de estética dentária.

Repare na palavra "percepção". É o dentista dizendo o que sente na própria agenda, não uma contagem de procedimentos.

E aqui vale cruzar com o lado do paciente. No relatório populacional, só 2% de quem foi ao dentista no último ano fez alinhadores e 1% fez harmonização orofacial (ABIMO / Key-Stone).

Crescimento percebido não é penetração alta. Mesmo crescendo, como percebem os dentistas, alinhadores e harmonização partem de uma base pequena de pacientes. E a estética, como disciplina, é praticada por 86% dos consultórios da amostra.

Harmonização orofacial: um terço dos consultórios oferece, 1% dos pacientes fez

A harmonização orofacial (HOF) mostra bem o descompasso entre oferta e demanda medida.

Na pesquisa com dentistas, a medicina estética para harmonização orofacial é a disciplina menos praticada nos consultórios, mas ainda assim pouco mais de um terço da amostra declara praticá-la. A difusão é maior na região Sul e em consultórios maiores.

Do lado do paciente, 1% de quem foi ao dentista no último ano fez tratamento estético de harmonização orofacial, segundo o relatório populacional.

Duas ressalvas honestas:

  • São pesquisas com públicos diferentes (dentistas de um lado, população do outro). Não dá pra dividir um número pelo outro.
  • A base do 1% são pessoas que foram ao dentista no último ano.

Mesmo com essas ressalvas, a leitura de negócio se sustenta: muita oferta disputando uma fatia pequena de pacientes. Quem entra em HOF achando que vai encontrar demanda reprimida precisa de posicionamento e de funil, não só do curso.

Os números que circulam sem fonte primária (e como checar um número)

Pesquise "mercado de estética dental no Brasil" e você vai esbarrar em quatro tipos de número. Três deles não rastrearam até um documento primário na nossa varredura. O quarto rastreia, mas mede outra coisa.

O que circula Atribuído a Status
Uma cifra de dezenas de bilhões de reais por ano movimentada pela odontologia "Segundo o CFO" Não encontramos o documento do CFO com essa medição
Um crescimento de três dígitos percentuais na procura por estética "Segundo a SBOE" Sem estudo, base ou período publicado
O Brasil em segundo lugar no mundo em estética odontológica "Segundo a SBOE" Ranking sem metodologia citada
Uma cifra em dólares para o mercado de lentes e facetas, repetida em textos sobre o Brasil Ora à AACD, ora à The Insight Partners O número é mundial, não brasileiro, e vem de relatório da The Insight Partners, não da AACD

Quando a mesma cifra aparece atribuída a dois autores diferentes, o sinal é claro: alguém copiou de alguém sem ir à fonte. E, indo à fonte, o número nem é do Brasil.

Use este filtro de 4 perguntas antes de repetir qualquer número no seu planejamento (ou na sua comunicação):

  1. Existe documento primário? Relatório, pesquisa ou página oficial do autor citado, não um blog que "cita" o autor.
  2. Qual a base? População inteira, quem foi ao dentista, dentistas, clínicas? Muda tudo.
  3. Qual o ano e o método? Amostra, coleta, período. Sem isso, não é dado.
  4. O número mede o que você quer? Receita de fabricante não é faturamento de clínica; busca no Google não é procedimento feito.

Lembre: número sem fonte primária não entra em meta, em plano de mídia nem em anúncio. Ele entra, no máximo, como "estimativa que circula", com esse rótulo.

Mercado global de odontologia estética: por que não dá pra derivar o Brasil

Existe, sim, estimativa de mercado em dinheiro. Só que global.

A Precedence Research estima o mercado global de odontologia estética em US$ 30,60 bilhões em 2026 e projeta cerca de US$ 59,52 bilhões em 2034, com CAGR de 8,53% de 2026 a 2034.

O relatório comenta tendências do Brasil, mas não traz um número de mercado para o país.

E não adianta tentar derivar. Por quê?

  • Preço muda tudo. O mesmo procedimento custa valores muito diferentes entre países e moedas, então dividir o global pela população gera ficção.
  • Método proprietário. Relatório de mercado mede receita em dólar com metodologia própria, que não é aberta como a de uma pesquisa pública.
  • Escopo misturado. "Odontologia estética" num relatório global pode incluir produtos, materiais e serviços, numa composição que você não controla.

Use o número global como contexto de tendência (a projeção é de crescimento no mundo). Nunca como "fatia do Brasil".

O que a busca no Google mostra sobre a demanda estética

Sem contagem de procedimento, a busca é um bom termômetro público de interesse. E ela tem estudo acadêmico.

Clareamento lidera a busca. Um estudo publicado na Archives of Health Investigation (2022), com dados do Google Trends a partir de 2016, concluiu que o termo com maior índice de procura entre os termos de estética dental e facial foi "clareamento dentário", seguido por "lente de contato dental" e "faceta dental".

A busca por lente segue renda e dentistas. Um estudo ecológico publicado no International Journal of Dental Hygiene (2025), com cinco anos de dados do Google Trends por estado, encontrou correlação positiva entre a busca por "lente de contato dental" e:

  • população total;
  • renda per capita;
  • uso de internet;
  • ensino superior;
  • número de dentistas.

A taxa de analfabetismo apareceu com correlação inversa. A conclusão dos autores: maior nível socioeconômico e maior concentração de dentistas nos estados resultaram em mais buscas por lente.

Mas tem um detalhe: busca é intenção, não procedimento feito. E estudo ecológico mostra correlação entre estados, não causa.

A leitura útil pra você é outra. Nos estados onde mais se busca lente, também há mais dentistas. Demanda e concorrência tendem a andar juntas, então quem anuncia lente precisa de diferencial, não só de verba.

Sazonalidade: quando a busca por lente de contato dental sobe

O mesmo estudo do International Journal of Dental Hygiene identificou padrões de sazonalidade na busca por lente de contato dental no Brasil. Os padrões apareceram em três janelas:

Janela Período
1 De março a meados de abril
2 Última semana de junho
3 Do fim de outubro ao início de novembro

O que isso significa na prática?

  1. Campanha pronta antes da janela. Criativo aprovado, verba liberada e atendimento treinado chegam antes do pico, não durante.
  2. Respeite o tempo do tratamento. Hipótese que os próprios autores levantam, sem medir: quem busca entre o fim de outubro e o início de novembro provavelmente quer o resultado antes das festas de fim de ano. Se for o caso, o planejamento e a execução da lente precisam caber nesse prazo, e a sua agenda de avaliação também.
  3. Valide com os seus dados. O estudo mede interesse relativo de busca no país, não agendamentos na sua cidade. Compare com o histórico de leads da sua própria conta.

Veja o calendário completo em qual a melhor época do ano para anunciar faceta, lente e clareamento.

Lente, faceta e clareamento: o que o paciente está comparando

O paciente que chega pelo anúncio raramente sabe a diferença técnica. Ele compara resultado, preço por dente e medo de "estragar o dente". Sua comunicação precisa responder isso antes da avaliação.

Clareamento Lente de contato dental Faceta
O que é Clareia a cor do dente com agente clareador Laminado cerâmico muito fino colado na face visível Laminado mais espesso, de cerâmica ou resina
O que muda Só a cor Cor, forma e pequenas imperfeições Cor e alterações maiores de forma
Preparo do dente Nenhum Mínimo ou nenhum, conforme o caso Em geral maior
Acompanhamento Manutenção da cor ao longo do tempo Revisões e cuidados com a peça Revisões e cuidados com a peça
Dúvida típica no WhatsApp "Sensibiliza?" "Desgasta o dente?" "Qual a diferença pra lente?"

Os mitos que mais travam a decisão, e como responder sem prometer resultado:

  • "Lente nunca desgasta o dente." Depende da indicação e do planejamento. Prometer "sem desgaste" a todo mundo no anúncio cria uma expectativa que a avaliação pode desmentir, e o caso esfria ali.
  • "Lente e faceta são a mesma coisa." São laminados de espessura e indicação diferentes. Explicar isso sinaliza competência.
  • "Clareamento resolve o sorriso." Resolve a cor. Forma e alinhamento pedem outra solução.

Pra montar a captação desse paciente do zero, veja como atrair pacientes de lente de contato dental.

Preço por dente: por que não existe referência neutra

As faixas de preço por dente que aparecem nas primeiras páginas do Google vêm de páginas de clínicas. Nenhuma informa metodologia, amostra ou data.

Na nossa varredura, não encontramos levantamento neutro e atualizado de preço de lente ou faceta no Brasil. Por isso, este guia não crava faixa.

E isso tem consequência prática:

  • Seu paciente também vê essas faixas. Ele chega com uma âncora de preço que ninguém mediu.
  • O "preço de mercado" que importa é o da sua praça. Ele varia com renda local, concorrência e posicionamento.
  • Sua melhor referência é interna. Ticket médio por caso fechado, por procedimento, nos últimos meses. Esse número você controla e audita.

Se a objeção de preço é o que trava, o caminho é prova de valor e condição de pagamento, não guerra de faixa. Veja quanto custa captar paciente de lente e faceta.

Como dimensionar a meta de captação estética com números próprios

Tamanho de mercado não fecha caso. O que fecha caso é o seu funil: do anúncio ao comparecimento e do comparecimento ao "sim".

A pergunta certa não é "quanto vale a estética no Brasil?". É "quantos casos de lente a minha praça entrega com o meu funil?".

Pra responder, você precisa de cinco números da sua própria operação:

  1. Custo por lead da campanha estética.
  2. Lead para agendamento (quantos leads viram avaliação marcada).
  3. Comparecimento (quantos agendados aparecem).
  4. Fechamento (quantas avaliações viram caso).
  5. Ticket médio por caso fechado.

Como régua de ordem de grandeza, estes são os números da operação da Odonto Results, cada um com o seu recorte:

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads (WhatsApp R$14,10 e formulário R$12,14 na mediana entre clínicas, com faixas sobrepostas). Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Nenhum desses recortes é exclusivo de estética. Eles mostram a ordem de grandeza de um funil odontológico real, não a meta do seu procedimento.

Agora a conta. Exemplo hipotético, com taxas inventadas só pra mostrar o método: sua meta é 6 casos de lente por mês.

  1. Digamos que 1 em cada 3 avaliações vire caso fechado: você precisa de 18 avaliações realizadas.
  2. Digamos que metade dos agendados compareça: você precisa de 36 agendamentos.
  3. Digamos que 1 em cada 4 leads agende: você precisa de 144 leads.

Troque cada "digamos" pelo número da sua clínica. O resultado é o volume de leads que a sua meta exige, e o custo por lead da sua conta diz quanto isso custa.

Repare que a conta não usou nenhum "tamanho de mercado". E ainda assim responde a única pergunta que importa pra sua verba.

Se o seu funil perde paciente entre o lead e a avaliação, aumentar verba só aumenta a perda. Arrume primeiro a etapa que vaza.

Antes e depois em estética: quem pode publicar (Resolução CFO-196/2019)

Estética vende pela transformação visível. Por isso o antes e depois é o criativo mais desejado, e o mais arriscado pra clínica.

A regra está na Resolução CFO-196/2019. Ela permite a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão do procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem.

E a página oficial do CFO é explícita: a clínica, como pessoa jurídica, não está autorizada a essa divulgação.

Não pense que a clínica fica de fora da responsabilidade por ser empresa. O Código de Ética Odontológica regula, já no art. 1º, os direitos e deveres das pessoas jurídicas que exercem atividade na Odontologia. E o art. 45 diz que, pela publicidade em desacordo com o Código, respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade.

Na prática, pra quem anuncia lente, faceta e clareamento:

  1. Perfil da clínica não publica antes e depois. A divulgação cabe ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, identificado na imagem com nome e número de inscrição no CRO.
  2. Anúncio da clínica vende método, processo e prova permitida. Bastidor de planejamento (sem imagem do procedimento em andamento), explicação e depoimento dentro das regras.
  3. O dono responde junto. A responsabilidade solidária alcança o proprietário, então revise o criativo antes de subir.

Os detalhes do que pode e do que não pode estão em posso usar antes e depois nos anúncios da clínica.

Seu próximo passo

  1. Pare de planejar com número de manchete. Separe o que é dado medido (como os 8% de clareamento do Censo, com a base certa) do que é estimativa que circula sem fonte.
  2. Levante os cinco números do seu funil estético. Custo por lead, lead para agendamento, comparecimento, fechamento e ticket por caso, por procedimento, e refaça a conta da meta com eles.
  3. Monte o calendário e o criativo dentro da regra. Campanha pronta antes das janelas de busca e antes e depois só no perfil do dentista que executou, com nome e CRO.

Quer transformar a demanda estética da sua praça em casos de lente e faceta previsíveis na agenda, medidos do anúncio ao comparecimento? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros fazem clareamento dental por ano?

Não há contagem oficial. O dado medido mais recente é o do Censo da Odontologia (Key-Stone para a ABIMO, com apoio do CFO): 8% das pessoas que foram ao dentista no último ano fizeram branqueamento dentário, numa base de 2.039 respondentes. Como nem todo mundo foi ao dentista no período, a fatia sobre a população inteira é menor que esses 8%.

Quantas pessoas colocam lente de contato dental ou faceta no Brasil?

Nenhuma fonte neutra mede. Estética é paga, em regra, no particular, fica fora do plano-referência (a Lei 9.656/1998 exclui procedimentos para fins estéticos no art. 10) e não gera registro público. O Censo da Odontologia também não lista lente nem faceta como categoria própria. Qualquer contagem que circule sem metodologia publicada é estimativa, não dado.

Qual o tamanho do mercado de estética dental no Brasil?

Não existe medição neutra em reais com metodologia aberta. As cifras que circulam atribuídas ao CFO ou à SBOE não rastreiam até um documento primário, e a cifra em dólares atribuída à consultoria The Insight Partners é do mercado mundial de lentes e facetas, não do Brasil. O que existe é a estimativa global da Precedence Research, de US$ 30,60 bilhões em 2026, sem recorte numérico para o Brasil.

Quanto o brasileiro gasta por ano com dentista?

Em média, R$ 1.267 nos últimos 12 meses, somando todo tipo de tratamento odontológico pessoal, segundo o relatório populacional do Censo da Odontologia (Key-Stone para a ABIMO, base de 2.039 pessoas que foram ao dentista no último ano). Não é gasto com estética: é o total de tudo, da limpeza à prótese.

Quando a procura por lente de contato dental aumenta?

Segundo estudo de Google Trends publicado no International Journal of Dental Hygiene em 2025, a busca por lente de contato dental no Brasil mostrou padrões de sazonalidade de março a meados de abril, na última semana de junho e entre o fim de outubro e o início de novembro.

A clínica pode postar antes e depois de lente ou faceta?

Não como pessoa jurídica. A Resolução CFO-196/2019 permite a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão do procedimento apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A clínica, pessoa jurídica, não está autorizada. E o Código de Ética alcança a clínica: o art. 45 responsabiliza solidariamente proprietários, responsável técnico e demais profissionais pela publicidade irregular.