Captação e Tráfego

Quantos brasileiros têm apneia do sono e ronco, e qual o tamanho do mercado de odontologia do sono no Brasil?

Pelo modelo publicado no The Lancet Respiratory Medicine (2019), 25,5 milhões de brasileiros de 30 a 69 anos têm apneia moderada a grave. Veja a prevalência de apneia e ronco com fonte primária, por que os estudos discordam, o pool de quem não adere ao CPAP, o que existe (e o que não existe) sobre o tamanho do mercado e como estimar a demanda da sua região.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 13 de outubro de 2026 · 17 min de leitura
TL;DR

Pelo modelo de Benjafield e colegas (Lancet Respiratory Medicine, 2019), 25,5 milhões de brasileiros de 30 a 69 anos têm apneia moderada a grave, 50,5% dos adultos de Pelotas relataram ronco habitual (2005) e não existe número público confiável do mercado em reais.

Pontos-chave
  • Demanda: pelo modelo de Benjafield e colegas (The Lancet Respiratory Medicine, 2019), o Brasil tem 25,5 milhões de pessoas de 30 a 69 anos com apneia obstrutiva moderada a grave e 48,7 milhões com apneia leve a grave; no ranking do próprio estudo, é o terceiro maior número absoluto do mundo, atrás de China e EUA.
  • O método muda o número: com polissonografia em laboratório, o EPISONO (São Paulo, 1.042 adultos de 20 a 80 anos, publicado em 2010 na Sleep Medicine) encontrou síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8%; por relato, o estudo de Pelotas (3.136 adultos, coleta em 2005) achou 9,9% de apneia observada e 50,5% de ronco habitual.
  • Dinheiro: não há número público confiável para o Brasil, e as estimativas globais de consultoria divergem mais de dez vezes conforme a definição: US$ 6,22 bilhões em 2025 para 'dental sleep medicine' (The Business Research Company) contra US$ 0,5 bilhão só em aparelhos intraorais (MarketsandMarkets).

Faz parte do guia: Como atrair pacientes para clínica odontológica?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Quantos brasileiros têm apneia do sono? Os números com fonte
  4. Por que um estudo diz 32,8% e outro diz 9,9%
  5. Quantos brasileiros roncam (e quem ronca mais)
  6. O Brasil está entre os 4 países com mais pessoas com apneia no mundo
  7. Quem é o paciente com apneia: sexo, idade e peso
  8. Quantos casos de apneia nunca foram diagnosticados
  9. Onde o dentista entra (e onde não entra)
  10. O pool de quem não adere ao CPAP
  11. Qual o tamanho do mercado de odontologia do sono em dinheiro?
  12. Como estimar a demanda da sua região sem inventar número
  13. Oferta: quantos dentistas disputam esse paciente
  14. O que esses números mudam na captação da clínica
  15. Números que circulam e você não deve usar
  16. Seu próximo passo
  17. Perguntas frequentes

"Quantos brasileiros têm apneia do sono e ronco, e qual o tamanho do mercado de odontologia do sono no Brasil?"

Você pensa em abrir (ou escalar) uma frente de aparelho intraoral para ronco e apneia. Antes da verba, vem a pergunta de dono: existe paciente suficiente pra isso virar agenda previsível?

Em pessoas, a resposta tem fonte. Em reais, não há medição pública confiável.

Pelo modelo de Benjafield e colegas, publicado no The Lancet Respiratory Medicine em 2019, 25,5 milhões de brasileiros de 30 a 69 anos têm apneia obstrutiva moderada a grave. Somando os casos leves, são 48,7 milhões.

Mas a prevalência medida no Brasil vai de 9,9% a 32,8% conforme o método. E o "mercado de R$ X bilhões" que circula por aí não chega a uma fonte primária neutra.

Este guia separa o que tem fonte primária do que não tem. Depois, mostra como transformar os números públicos numa estimativa da sua região, sem inventar nada.

Neste guia você vai ver:

  • Quantos brasileiros têm apneia e ronco, com estudo, método e ano
  • Por que os estudos brasileiros discordam tanto (e qual usar pra cada pergunta)
  • Quem é o paciente e por que a demanda tende a crescer
  • O tamanho da fila: subdiagnóstico e quem não adere ao CPAP
  • O que existe (e o que não existe) sobre o tamanho do mercado em dinheiro
  • Como estimar a demanda da sua região e o que isso muda na captação

Quantos brasileiros têm apneia do sono? Os números com fonte

Três estudos sustentam quase tudo o que dá pra afirmar com segurança sobre apneia e ronco no Brasil. Cada um mede uma coisa diferente.

Estudo Onde e quando Como mediu O que encontrou
EPISONO (Tufik et al., Sleep Medicine) São Paulo, publicado em 2010, 1.042 adultos de 20 a 80 anos Polissonografia de noite inteira em laboratório Síndrome da apneia obstrutiva do sono em 32,8% (IC 95%: 29,6-36,3)
Estudo de Pelotas (Revista de Saúde Pública) Pelotas (RS), coleta em 2005, 3.136 adultos de 20 anos ou mais Relato de ronco habitual somado a apneia presenciada Apneia observada em 9,9% e ronco habitual em 50,5%
Benjafield et al. (The Lancet Respiratory Medicine) Brasil, publicado em 2019, pessoas de 30 a 69 anos Modelo estatístico que, para o Brasil, parte do estudo de São Paulo de 2010 48,7 milhões com apneia leve a grave e 25,5 milhões com moderada a grave

O EPISONO usou amostra probabilística da cidade de São Paulo. Foram 1.042 voluntários na polissonografia, com taxa de recusa de 5,4%.

O estudo de Pelotas é transversal, de base populacional, e não usou exame: tudo veio de entrevista.

Nota: IAH é o índice de apneia e hipopneia por hora de sono. No modelo de Benjafield, "leve a grave" é IAH de 5 ou mais, e "moderada a grave" é IAH de 15 ou mais.

Por que um estudo diz 32,8% e outro diz 9,9%

Os dois estão certos. Eles não medem a mesma coisa.

Repare nestes pontos:

  1. Método. O EPISONO pôs cada pessoa numa polissonografia de noite inteira. Pelotas definiu apneia pelo relato de ronco habitual junto com apneia presenciada, a partir da pergunta "Já lhe disseram que quando o(a) senhor(a) dorme, com frequência deixa de respirar por alguns momentos?".
  2. Quem precisa perceber. O relato depende de alguém ver a pessoa dormindo. O exame registra eventos que ninguém viu.
  3. Idade. No próprio EPISONO, a faixa de 60 a 80 anos teve razão de chances de 34,5 para apneia, comparada à de 20 a 29 anos. Amostras com idades diferentes produzem taxas diferentes.
  4. Peso. No EPISONO, obesos tiveram razão de chances de 10,5 comparados a pessoas de peso normal. O perfil de peso da população mexe no resultado.
  5. Lugar e período. Uma pesquisa é de São Paulo, publicada em 2010. A outra é de Pelotas, com dados de 2005.

O que isso significa na prática? Use cada número pra uma pergunta:

  • Quanta apneia existe, inclusive a que ninguém percebe? EPISONO (32,8%, por exame).
  • Quantos já têm sinais percebidos em casa? Pelotas (9,9% de apneia observada, por relato).
  • Quantas pessoas, em número absoluto, no país? Benjafield (25,5 milhões moderada a grave), com as ressalvas de modelo.

Lembre: prevalência por exame mede o tamanho da fila. Prevalência por relato chega mais perto de quem já desconfia do problema. Pra captação, a segunda costuma ser a porta de entrada e a primeira, o teto.

Quantos brasileiros roncam (e quem ronca mais)

No estudo de Pelotas, 50,5% dos adultos relataram ronco habitual (IC 95%: 48,1-52,8). Cerca de metade dos adultos da amostra.

O relato de ronco habitual foi mais frequente nos homens (60%). Na apneia observada, a diferença por sexo foi de 14% nos homens contra 7% nas mulheres.

Ronco habitual, sozinho, não é apneia: em Pelotas, o desfecho apneia exigiu ronco e pausa respiratória presenciada.

Mas o ronco é o sintoma que o paciente (e quem dorme ao lado) sabe nomear. É por ele que a conversa costuma começar.

O Brasil está entre os 4 países com mais pessoas com apneia no mundo

Pelo modelo de Benjafield e colegas (2019), 936 milhões de adultos de 30 a 69 anos têm apneia obstrutiva leve a grave no mundo, e 425 milhões têm apneia moderada a grave.

O número de afetados é maior na China, seguida de EUA, Brasil e Índia, segundo o texto do estudo (ranking da Figura 2, critério AASM 2012).

Na Tabela 3 do mesmo estudo, porém, a Índia aparece com 51.556.642 pessoas com apneia leve a grave, acima dos 48.729.844 do Brasil. Nas duas leituras, o Brasil está entre os quatro países com mais casos.

Veja o recorte brasileiro, da Tabela 3 do estudo:

Brasil, 30 a 69 anos Pessoas Proporção da faixa
População na faixa 98.118.248 base
Apneia leve a grave (IAH de 5 ou mais) 48.729.844 49,7%
Apneia moderada a grave (IAH de 15 ou mais) 25.481.720 26,0%

Duas ressalvas de proveniência, que valem ir junto com o número sempre:

  • É modelo, não censo. Para o Brasil, a estimativa parte do estudo de São Paulo de 2010 e projeta para o país.
  • O estudo foi financiado pela ResMed, fabricante de CPAP. Isso não invalida a conta, mas você precisa saber quem pagou.

Pensa assim: mesmo com essas ressalvas, o modelo coloca a fila de apneia moderada a grave na casa das dezenas de milhões de pessoas.

Quem é o paciente com apneia: sexo, idade e peso

O EPISONO mostra três associações fortes:

Fator (EPISONO, São Paulo, 2010) Comparação Razão de chances (OR)
Sexo homens contra mulheres 4,1
Peso obesos contra peso normal 10,5
Idade 60 a 80 anos contra 20 a 29 anos 34,5

Mas tem um detalhe: razão de chances não quer dizer "X vezes mais casos". Ela mede a força da associação. Quanto maior, mais aquele fator pesa.

O retrato que sai daí é um paciente mais velho, com excesso de peso e, com mais frequência, homem.

E a demanda tende a crescer. Pelo Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, a frequência de adultos com obesidade nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal foi de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, aumento médio de 0,71 ponto percentual por ano.

A conta não é automática: obesidade não vira apneia na mesma proporção. Mas a direção é clara, e o envelhecimento da população empurra pro mesmo lado.

Quantos casos de apneia nunca foram diagnosticados

Entre as fontes verificadas para este guia, não há medição brasileira de subdiagnóstico.

A referência clássica é americana. Young e colegas (Sleep, 1997) estudaram 4.925 adultos empregados nos EUA, com polissonografia numa subamostra de 1.090. A estimativa: 93% das mulheres e 82% dos homens com apneia moderada a grave não tinham diagnóstico clínico.

Detalhe importante: era uma população sem barreira óbvia de acesso à saúde. Trate o número como ordem de grandeza, não como taxa brasileira.

O que isso significa pra captação?

  • O paciente não procura "apneia". Ele procura ronco, cansaço, sono que não descansa, ou chega porque o cônjuge reclamou.
  • Sua comunicação nomeia o sintoma, não o diagnóstico. Quem nunca foi diagnosticado não se reconhece na palavra "apneia".
  • O primeiro passo é levar ao diagnóstico médico, não vender o aparelho.

Onde o dentista entra (e onde não entra)

Aqui o escopo de cada fonte faz parte da informação. Veja a quem cada orientação se dirige:

Etapa Quem faz O que a fonte diz A quem se dirige
Diagnóstico Médico Matéria do CFO de 09/06/2014: os qualificados para diagnosticar e tratar são otorrinolaringologistas, pneumologistas, psiquiatras, cardiologistas e clínicos com ênfase em Medicina do Sono Profissionais médicos
Tratamento de ronco e apneia leve Cirurgião-dentista Mesma matéria do CFO: diagnosticado só o ronco ou a apneia leve, o tratamento poderá ser feito pelo cirurgião-dentista, com aparelho intraoral específico O cirurgião-dentista que executa o tratamento
Aparelho para quem não tolera o CPAP Médico do sono prescreve; dentista qualificado usa aparelho sob medida e titulável Diretriz AASM/AADSM (2015): considerar aparelho intraoral, em vez de nenhuma terapia, para adultos intolerantes ao CPAP ou que prefiram terapia alternativa Médico do sono (prescrição) e dentista qualificado (aparelho sob medida e titulável)
Teste de sono de controle Médico do sono Mesma diretriz: teste de acompanhamento para melhorar ou confirmar a eficácia do aparelho Médico do sono

As fontes: a matéria do CFO sobre odontologia do sono e a diretriz conjunta AASM/AADSM, atualização de 2015.

Repare em dois pontos:

  1. A fonte do CFO é uma matéria publicada no site do Conselho, não uma resolução. A permissão que ela descreve se dirige ao cirurgião-dentista que executa o tratamento.
  2. A diretriz AASM/AADSM é de sociedades americanas. Ela orienta o médico do sono a prescrever e o dentista qualificado a usar aparelho sob medida e titulável. É referência técnica, não norma brasileira.

Na prática: o dentista entra depois do laudo médico, e devolve o caso ao médico para o teste de controle. Isso define o seu fluxo de captação inteiro.

O pool de quem não adere ao CPAP

Esse é um mercado fácil de ignorar: o paciente que já foi diagnosticado, recebeu CPAP e não usa.

Na revisão de Weaver e Grunstein (Proceedings of the American Thoracic Society, 2008), quando adesão é definida como uso por mais de 4 horas por noite, de 46% a 83% dos pacientes com apneia obstrutiva foram relatados como não aderentes.

Some a isso a diretriz AASM/AADSM de 2015: para o intolerante ao CPAP, a recomendação é que o médico do sono considere prescrever aparelho intraoral, em vez de nenhuma terapia.

Não aderir não é sinônimo de ser intolerante. Mas é ali que o intolerante aparece, e ele já tem diagnóstico, já tem médico e já sabe que precisa tratar.

Pra você, isso muda o canal. Esse paciente dificilmente responde ao anúncio de ronco. O caminho natural dele é o médico que prescreveu o CPAP e viu o tratamento parado.

Veja como posicionar as duas opções sem brigar com o médico em aparelho intraoral ou CPAP.

Qual o tamanho do mercado de odontologia do sono em dinheiro?

Não existe número público confiável do mercado de odontologia do sono no Brasil em reais.

O que existe são estimativas globais de consultorias de mercado. E elas divergem mais de dez vezes conforme o que cada uma chama de "mercado":

Estimativa Definição de mercado Valor de 2025 Projeção
The Business Research Company "Dental sleep medicine", definição ampla, inclui diagnóstico e tratamento US$ 6,22 bilhões US$ 6,65 bilhões em 2026 (crescimento anual composto de 6,9%)
MarketsandMarkets Só aparelhos intraorais para apneia (o dispositivo) US$ 0,5 bilhão US$ 0,8 bilhão até 2030 (crescimento anual composto de 9,8% de 2025 a 2030), partindo de US$ 0,4 bilhão em 2024

Nenhuma das duas páginas publica recorte para o Brasil.

O que essa diferença ensina? Antes de acreditar em qualquer "mercado de R$ X bilhões", faça três perguntas:

  1. Qual a definição? Só o aparelho, ou diagnóstico, consulta e acompanhamento juntos?
  2. Qual a fonte primária? Página do relatório ou reportagem que repete o número?
  3. Qual o ano e o recorte geográfico? Número global não vira número brasileiro por regra de três.

Pra decidir se vale abrir a frente na sua clínica, o número global não ajuda muito. O que ajuda é a demanda em pessoas, perto de você.

Como estimar a demanda da sua região sem inventar número

Você monta um funil populacional, camada por camada, e escreve a premissa de cada uma. Assim fica claro onde termina o dado e onde começa a sua aposta.

Camada Referência com fonte O que você define
1. Adultos de 30 a 69 anos no seu raio Dado do seu município O raio que o seu paciente aceita percorrer
2. Com apneia moderada a grave 26,0% da faixa, no modelo de Benjafield para o Brasil Ajuste se a sua região for mais velha ou com mais excesso de peso que a média
3. Ainda sem diagnóstico Sem medida brasileira; nos EUA, 82% dos homens e 93% das mulheres com moderada a grave (Young, 1997) Uma premissa conservadora sua
4. Em CPAP e sem adesão De 46% a 83% de não aderência relatada (Weaver e Grunstein, 2008) Quantos médicos da região você alcança
5. Que tratam no particular ou com reembolso Sem fonte pública O seu histórico de fechamento

E o ronco? Ele entra por outra porta. O dado de Pelotas (50,5% de ronco habitual) é de adultos de 20 anos ou mais, então não some com a camada 2, que é de 30 a 69 anos.

Veja como fica num exemplo ilustrativo, com população hipotética:

Exemplo: suponha um raio com 100 mil adultos de 30 a 69 anos. Aplicando a taxa do modelo para o Brasil (26,0%), seriam cerca de 26 mil pessoas com apneia moderada a grave estimada. Daqui pra baixo, cada camada depende de premissa sua.

Não multiplique o resultado por um ticket pra chamar de "mercado em reais". As incertezas de cada camada se acumulam.

A pergunta útil deixa de ser "existe paciente?" e passa a ser: quantos eu consigo levar do sintoma ao diagnóstico, e do diagnóstico à cadeira?

Oferta: quantos dentistas disputam esse paciente

O Brasil alcançou a marca de 450 mil cirurgiões-dentistas registrados nos 27 Conselhos Regionais, segundo matéria do CFO de 25/10/2025.

O CFO também registra 149.346 especializações concluídas nas 24 áreas de especialidade registradas, em dado de 30/06/2025. A matéria com essa contagem não menciona odontologia do sono.

Há um filtro de formação, mas sem contagem pública nas fontes deste levantamento: a matéria do CFO sobre odontologia do sono, de 09/06/2014, registra que a Associação Brasileira do Sono (Absono) confere certificação aos dentistas credenciados que têm formação na área.

Ou seja: nenhuma das fontes deste levantamento conta quantos dentistas tratam ronco e apneia com aparelho intraoral.

O que isso significa na prática? A concorrência nessa frente não está medida. Quem quiser saber o tamanho dela vai ter que olhar a própria região: quem anuncia, quem aparece na busca, quem os médicos do sono já indicam.

O que esses números mudam na captação da clínica

Os dados acima viram quatro decisões de operação.

1. Quem vira lead não é necessariamente quem tem apneia

A apneia pesa mais nos homens: OR de 4,1 no EPISONO e 14% contra 7% de apneia observada em Pelotas.

Já o lead de clínica odontológica tem outro perfil. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 60,4% dos leads de clínica odontológica são mulheres e 55,0% têm 45 anos ou mais. Base: cerca de 97 mil leads com demografia no Meta Ads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Esse dado é do lead de clínica em geral, não só de apneia. Mas ele reforça uma hipótese de trabalho: em ronco e apneia, quem clica muitas vezes é quem dorme ao lado. Veja como captar ronco e apneia pelo cônjuge do paciente.

2. O canal médico vale tanto quanto o anúncio

Como o diagnóstico é médico, a sua frente de odontologia do sono depende de referência e contrarreferência. Otorrino, pneumologista e clínica do sono mandam o paciente; você devolve o caso para o teste de controle.

Isso vira canal de captação B2B, com previsibilidade própria. O passo a passo está em como estruturar o encaminhamento médico.

3. A demanda chega fora do horário

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

De novo, é o lead de clínica em geral. Só que o ronco é percebido à noite, por quem está acordado ao lado. Se ninguém responde nessa hora, a vontade de resolver pode esfriar até de manhã.

4. É demanda de ciclo longo, e o comparecimento decide

Entre o primeiro contato e o aparelho ajustado, o paciente passa por avaliação, exame e laudo médico, confecção, titulação e teste de controle. Cada etapa é um ponto onde ele pode sumir.

Pra ter uma régua de funil, use dado medido. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Num tratamento com tantas etapas, o follow-up entre elas pesa tanto quanto a captação. E o preço precisa caber nessa jornada: veja quanto vale investir para captar um paciente de apneia e ronco.

Lembre: esta frente não é pra quem quer vender aparelho no primeiro contato. É pra quem vai montar a ponte com o médico, acompanhar o paciente até o teste de controle e medir cada etapa do funil.

Números que circulam e você não deve usar

Algumas estatísticas sobre sono aparecem em reportagem atrás de reportagem. O problema é que não chegam a uma fonte primária.

O que circula Problema Use no lugar
"72% dos brasileiros sofrem com distúrbios do sono", atribuído à Fiocruz Atribuição de segunda mão em reportagens; o documento primário não foi localizado no site da Fiocruz Prevalência de apneia por exame (EPISONO) ou por relato (Pelotas), com método e ano
"Cerca de 80% dos casos de apneia sem diagnóstico" Aparece em artigo de opinião sem fonte citada Young e colegas (1997), com o escopo americano explícito
"54% dos brasileiros roncam" Aparece em reportagens sem link para o estudo original 50,5% de ronco habitual em Pelotas, coleta em 2005
"O mercado de odontologia do sono no Brasil vale R$ X bilhões" Nenhuma fonte neutra publica esse número Demanda em pessoas, com premissas declaradas

Por que isso importa pra você? Número sem fonte vira meta errada, verba errada e expectativa errada. E, se for parar no seu material, vira afirmação que você não consegue defender diante de um médico parceiro.

Seu próximo passo

  1. Monte o funil da sua região com as camadas acima. População de 30 a 69 anos no seu raio, a taxa do modelo e, em cada camada seguinte, a sua premissa escrita.
  2. Feche a ponte médica antes de subir o anúncio. Mapeie os médicos do sono, otorrinos e pneumologistas da região e combine o fluxo de ida (laudo) e de volta (teste de controle).
  3. Meça o funil de apneia separado. Lead, avaliação, laudo, aparelho e teste de controle, por pelo menos um ciclo completo, pra saber onde o paciente some.

Se você quer transformar a demanda de ronco e apneia da sua região em pacientes na cadeira com previsibilidade, Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Quantos brasileiros têm apneia do sono?

Pelo modelo de Benjafield e colegas (The Lancet Respiratory Medicine, 2019), 48,7 milhões de brasileiros de 30 a 69 anos têm apneia obstrutiva leve a grave e 25,5 milhões, moderada a grave, num universo de 98,1 milhões de pessoas nessa faixa. É uma estimativa por modelo, que para o Brasil parte do estudo de São Paulo de 2010, e o estudo foi financiado pela ResMed.

Quantos brasileiros roncam?

No estudo de base populacional de Pelotas (RS), com 3.136 adultos de 20 anos ou mais e coleta em 2005, 50,5% relataram ronco habitual. O relato foi mais frequente nos homens (60%). É o retrato de uma cidade, não um levantamento nacional.

Por que um estudo diz 32,8% e outro diz 9,9% de apneia?

Porque medem coisas diferentes. O EPISONO fez polissonografia de noite inteira em laboratório em 1.042 adultos de 20 a 80 anos de São Paulo (publicado em 2010) e encontrou 32,8%; o estudo de Pelotas (coleta em 2005) definiu apneia pelo relato de ronco habitual somado a pausas na respiração percebidas por outra pessoa e achou 9,9%. O exame registra eventos que ninguém viu.

Qual o tamanho do mercado de odontologia do sono no Brasil?

Não existe número público confiável em reais para o Brasil. As estimativas globais de consultoria divergem mais de dez vezes conforme a definição de mercado, de US$ 6,22 bilhões em 2025 para 'dental sleep medicine' (The Business Research Company) a US$ 0,5 bilhão em 2025 só para aparelhos intraorais (MarketsandMarkets). Meça a demanda da sua região em pessoas, com premissas declaradas.

O dentista pode diagnosticar apneia do sono?

Segundo o CFO, o diagnóstico é médico. Em matéria de 09/06/2014, o Conselho cita como qualificados para diagnosticar e tratar otorrinolaringologistas, pneumologistas, psiquiatras, cardiologistas e clínicos com ênfase em Medicina do Sono. Diagnosticado só o ronco ou a apneia leve, o tratamento pode ser feito pelo cirurgião-dentista com aparelho intraoral específico.

Quem não se adapta ao CPAP pode usar aparelho intraoral?

Pela diretriz conjunta AASM/AADSM (2015), sim, com prescrição do médico do sono. Ela recomenda que o médico do sono considere prescrever aparelho intraoral, em vez de nenhuma terapia, para adultos com apneia obstrutiva intolerantes ao CPAP ou que prefiram terapia alternativa, e sugere que um dentista qualificado use aparelho sob medida e titulável. A revisão de Weaver e Grunstein (2008) relata de 46% a 83% de não aderência ao CPAP quando adesão é uso por mais de 4 horas por noite.