Gestão da Clínica

Quando dois pacientes ligam com emergência ao mesmo tempo, quem entra primeiro: convênio ou particular?

Duas ligações de dor, uma cadeira livre. O desempate correto não é a fonte de pagamento: é a gravidade clínica, classificada por um protocolo escrito e registrada em prontuário. Veja a diferença entre urgência e emergência, o que o Código de Ética Odontológica exige, o prazo da ANS e o script de recepção que resolve o empate em minutos.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 1 de outubro de 2026 · 19 min de leitura
TL;DR

Entra primeiro quem tem o quadro mais grave, não quem paga melhor. O Código de Ética Odontológica veda discriminar o paciente sob qualquer pretexto e tipifica como infração ética deixar de atender urgência quando não há outro dentista em condições de fazê-lo, então o desempate legítimo é clínico e precisa estar escrito.

Pontos-chave
  • O desempate não é contratual. O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) determina no art. 2º que a Odontologia se exerce sem discriminação de qualquer forma ou pretexto, e tipifica no art. 11, inciso VII, como infração ética deixar de atender paciente que procure cuidados profissionais em caso de urgência quando não haja outro cirurgião-dentista em condições de fazê-lo. Fonte: Conselho Federal de Odontologia.
  • A régua de tempo já é pública. Na tabela de prazos máximos de atendimento da Agência Nacional de Saúde Suplementar, urgência e emergência têm prazo imediato, enquanto consulta e procedimentos com cirurgião-dentista têm prazo de 7 dias úteis. Fonte: ANS.
  • A fila de urgência estoura fora do expediente: 46,0% dos leads novos chegam fora do horário comercial. Base: 21.433 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026, dados internos da Odonto Results.

Faz parte do guia: Como fazer a gestão da clínica odontológica (agenda, faltas e faturamento)?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. A resposta curta: o desempate é clínico, não contratual
  4. Emergência e urgência odontológica não são a mesma coisa
  5. Os quadros que entram na fila de urgência odontológica
  6. Classificação de risco: a ferramenta para quando falta cadeira
  7. O que o Código de Ética Odontológica exige (e de quem)
  8. O prazo regulatório: imediato para urgência, dias úteis para o eletivo
  9. "Mas o convênio trava a autorização": por que isso não sustenta o desempate
  10. A tabela paga prêmio por urgência? Depende, e isso se decide antes
  11. Por que o seu telefone toca tanto com convênio
  12. Glosa e repasse: o risco do convênio se decide no credenciamento
  13. O protocolo de desempate: script de recepção em 6 passos
  14. Quem executa a triagem e quando escalar para o dentista
  15. Desenho de agenda: horário reservado ou acolhimento sem hora marcada
  16. Preparo do consultório para urgência e emergência médica
  17. Registre a triagem em prontuário: é isso que te defende depois
  18. Indicadores para auditar se o protocolo está funcionando
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"Quando dois pacientes ligam com emergência ao mesmo tempo, quem entra primeiro: convênio ou particular?"

São 16h40. Uma cadeira livre. Duas ligações na fila da recepção, as duas dizendo a mesma frase: "estou com muita dor".

Uma é de paciente de convênio. A outra é de paciente particular que fez três procedimentos no ano passado.

A sua recepcionista olha para a agenda, olha para você e pergunta quem ela encaixa. Se a resposta depender do seu humor naquele minuto, você não tem um protocolo. Tem um sorteio com viés.

E a resposta correta já está escrita, só não está na sua parede: entra primeiro quem tem o quadro mais grave. O Código de Ética Odontológica determina no art. 2º que a Odontologia se exerce "sem discriminação de qualquer forma ou pretexto", e a fonte de pagamento é exatamente um pretexto.

O que resolve o empate não é uma política de preferência. É classificação de risco, escrita, executada pela recepção e registrada no prontuário.

Neste guia você vai ver:

  • A diferença entre emergência e urgência odontológica, e por que ela decide a fila
  • O que o Código de Ética exige de você, do seu time e da clínica como pessoa jurídica
  • O prazo regulatório da ANS e por que "o convênio trava a autorização" não sustenta o desempate
  • O script de recepção, o critério de escalonamento e o registro que te defende depois
  • Como desenhar a agenda e quais indicadores auditam se o protocolo está funcionando

A resposta curta: o desempate é clínico, não contratual

Vamos direto ao ponto, porque a recepção precisa de uma frase, não de um ensaio.

Entra primeiro o quadro mais grave. Se os dois quadros forem equivalentes em gravidade, entra primeiro quem ligou primeiro. A fonte de pagamento não é critério de fila em nenhum dos dois casos.

Isso não é generosidade. É a única régua que você consegue defender depois, seja para o paciente que ficou para trás, seja para o Conselho, seja para o seu próprio time quando alguém perguntar por que fizeram daquele jeito.

E repare no que essa régua faz pelo seu negócio: ela tira da recepcionista uma decisão que ela não tem competência para tomar, e devolve para o critério clínico, que é auditável.

Lembre: a decisão de fila que você não consegue explicar em uma frase para o paciente que esperou é a decisão que vai te custar caro. Critério clínico escrito se explica. Preferência por pagador, não.

Emergência e urgência odontológica não são a mesma coisa

Aqui mora a maior parte da confusão. O paciente liga e diz "emergência". Quase sempre não é.

A distinção não é invenção de consultoria. As orientações para o atendimento de urgências odontológicas da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (revisão de janeiro de 2026) caracterizam emergência como a situação clínica que potencializa o risco de morte e exige intervenção imediata, citando sangramento não controlado, celulite e infecção bacteriana difusa com potencial comprometimento das vias aéreas, e traumatismo dos ossos da face. Urgência, no mesmo documento, é o quadro que determina prioridade no atendimento por dor intensa, inflamação, infecção localizada ou comprometimento funcional, sem risco imediato de morte.

Na prática da triagem, isso separa risco de vida de risco de sofrimento e de função:

Classificação O que caracteriza Exemplos típicos Resposta esperada
Emergência Risco imediato de vida ou de função vital Comprometimento de via aérea, hemorragia não controlada, trauma dos ossos da face Atendimento imediato, com acionamento de serviço médico quando o caso exceder o consultório
Urgência Necessidade de atendimento rápido, sem risco imediato de morte Dor intensa, infecção localizada, comprometimento funcional Encaixe no menor prazo possível, priorizado por gravidade
Eletivo Pode ser agendado sem prejuízo clínico Avaliação, profilaxia, tratamento planejado Agenda normal

Por que isso importa para o dono: a maior parte do que chega como "emergência" na sua recepção é urgência. E urgência é justamente a categoria em que a fila existe, porque a necessidade excede a oferta de cadeira.

Emergência de verdade não entra em fila. Ela interrompe a agenda.

Os quadros que entram na fila de urgência odontológica

Sua recepção precisa reconhecer o que é urgência sem virar dentista. A lista abaixo acompanha os quadros que o documento da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo relaciona como atendimento de urgência odontológica, e é o mesmo repertório que chega no seu telefone:

  • Pulpite (dor espontânea, latejante, que piora deitado e não cede com analgésico)
  • Pericoronarite (dor e inchaço em volta do dente do siso parcialmente irrompido)
  • Alveolite (dor forte alguns dias depois de uma extração)
  • Abscesso (inchaço, secreção, calor local, às vezes febre)
  • Fratura dentária (com ou sem exposição de polpa)
  • Avulsão ou luxação (dente que saiu ou deslocou por trauma)
  • DTM aguda (travamento, dor intensa na articulação)
  • Necrose com secreção (fístula, drenagem, gosto ruim persistente)
  • Cárie extensa com dor (o clássico "acordei com o rosto inchado")

Repare no que esses quadros têm em comum: nenhum deles pergunta se o paciente tem carteirinha. Eles se diferenciam entre si por gravidade, risco de disseminação da infecção e janela de tempo.

A avulsão é o caso que mais ensina isso. O dente avulsionado tem janela de minutos, não de horas. Nenhuma discussão de autorização de plano sobrevive a essa matemática.

Classificação de risco: a ferramenta para quando falta cadeira

Classificação de risco não foi inventada para clínica odontológica. Foi inventada exatamente para o seu problema: quando a necessidade clínica excede a oferta, alguém precisa ordenar a fila por critério técnico.

É isso que você está fazendo quando tem uma cadeira e duas ligações. A diferença entre fazer bem e fazer mal é ter o critério escrito antes da ligação chegar.

Três princípios que transferem direto para o consultório:

1. Quem classifica não é quem decide o tratamento. A recepção coleta sinais e aplica um critério fechado. O julgamento clínico é do dentista.

2. A classificação tem que caber no tempo do telefone. Se o seu protocolo exige oito perguntas abertas, ele não vai ser usado na hora do aperto.

3. Classificação consome gente treinada. Cada triagem custa minutos de alguém capacitado, e existe um teto de quantas classificações a mesma pessoa faz por hora antes da qualidade cair. Meça o seu antes de prometer triagem em toda ligação.

Esse é o ponto que quase toda clínica pula: prometer triagem em toda ligação sem dimensionar quem vai fazer é como abrir uma agenda que você não consegue cumprir. Veja como estruturar isso sem quebrar o resto da operação em automação de triagem de urgência e eletivo.

O que o Código de Ética Odontológica exige (e de quem)

Agora a parte que muita gente cita errado. Vale ler com atenção, porque o sujeito da norma muda o que você pode fazer.

A quem o Código se dirige. O art. 1º do Código de Ética Odontológica regula "os direitos e deveres do cirurgião-dentista, profissionais técnicos e auxiliares, e pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia, em âmbito público e/ou privado". Ou seja: a clínica, como pessoa jurídica inscrita, não fica de fora. O protocolo que a sua recepção executa é responsabilidade da empresa, não só do dentista que está na sala.

A vedação de discriminar. O art. 2º estabelece que a Odontologia "se exerce em benefício da saúde do ser humano, da coletividade e do meio ambiente, sem discriminação de qualquer forma ou pretexto". E o art. 11, inciso I, tipifica como infração ética "discriminar o ser humano de qualquer forma ou sob qualquer pretexto".

O dever de atender urgência. O art. 11, inciso VII, tipifica como infração ética "deixar de atender paciente que procure cuidados profissionais em caso de urgência, quando não haja outro cirurgião-dentista em condições de fazê-lo".

O direito que você de fato tem. O art. 5º, inciso V, prevê como direito fundamental dos profissionais inscritos "renunciar ao atendimento do paciente, durante o tratamento, quando da constatação de fatos que, a critério do profissional, prejudiquem o bom relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho profissional", com comunicação prévia por escrito e repasse das informações a quem suceder.

Leia de novo a frase-chave: durante o tratamento. O direito é de renunciar ao acompanhamento de um caso em curso, com aviso e transferência ordenada. Não é de recusar quem chega com dor.

Consentimento. O art. 11, inciso X, tipifica como infração ética iniciar qualquer procedimento ou tratamento odontológico sem o consentimento prévio do paciente ou do seu responsável legal, "exceto em casos de urgência ou emergência". A exceção existe justamente porque o ato que não pode esperar não pode ficar refém de formalidade.

Lembre: a norma dá a você o direito de encerrar uma relação problemática com aviso e transferência. Ela não dá o direito de escolher, no meio da dor, quem merece a cadeira.

O prazo regulatório: imediato para urgência, dias úteis para o eletivo

Existe uma segunda régua, e ela é pública. A tabela de prazos máximos de atendimento da ANS separa as duas coisas de forma explícita.

Situação Prazo máximo na tabela da ANS
Urgência e emergência Imediato
Consulta e procedimentos com cirurgião-dentista 7 dias úteis
Consulta básica (pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia, obstetrícia) 7 dias úteis

O que esse contraste te dá na prática: o eletivo tem prazo medido em dias, a urgência tem prazo medido em "agora". São dois relógios diferentes, e misturar os dois é a origem da maior parte dos conflitos de agenda da sua clínica.

Quando você trata a urgência do conveniado como se fosse mais um encaixe eletivo, você está aplicando o relógio errado.

"Mas o convênio trava a autorização": por que isso não sustenta o desempate

Esse é o argumento operacional que mais aparece na recepção. Ele parece prático. Ele não resolve o empate.

Repare na sequência lógica. O prazo regulatório para urgência e emergência é imediato. Um processo que exige espera não cabe dentro de um prazo que não admite espera.

Traduzindo para a rotina: a guia e a senha correm em paralelo ao atendimento, não antes dele. A recepção abre a guia, envia o que a operadora exige e segue o rito administrativo depois que o paciente já está sendo atendido.

Isso não significa improvisar. Significa preparar antes:

  1. Levante, para cada operadora que você atende, como ela trata a guia de urgência enviada depois do atendimento.
  2. Escreva isso numa folha única, por operadora, e deixe na recepção.
  3. Defina quem na clínica resolve pendência de autorização, para que essa tarefa não ocupe quem está fazendo triagem.

Faça esse levantamento em um dia calmo. Descobrir a regra da operadora enquanto um paciente com abscesso espera é a pior hora possível.

A tabela paga prêmio por urgência? Depende, e isso se decide antes

Vale enfrentar a pergunta que o dono faz em voz baixa: o atendimento de urgência por convênio compensa?

A resposta honesta é que não existe regra única de mercado. Existem tabelas institucionais que preveem sobretaxa para o procedimento de urgência, e existem tabelas que remuneram a urgência exatamente pelo mesmo valor da consulta padrão, sem nenhum prêmio pelo transtorno de encaixe.

São dois desenhos opostos, e os dois estão em contratos reais. O que decide qual dos dois você vive não é o momento da ligação. É a sua assinatura no credenciamento.

Então a pergunta certa não é "vale a pena atender essa urgência agora". É: você conferiu como cada operadora remunera urgência antes de credenciar? Se a resposta for não, o problema está no contrato, não na fila.

Por que o seu telefone toca tanto com convênio

Se parece que a maior parte das ligações de dor vem de conveniado, provavelmente não é impressão sua.

O plano exclusivamente odontológico é um produto de massa no Brasil, com mensalidade baixa e distribuição forte via contrato coletivo. Muita gente que nunca pagaria uma consulta particular tem cobertura odontológica pelo trabalho.

O efeito operacional é direto: quando dói, essa pessoa liga para a rede credenciada. Ela não está escolhendo você por preço, ela está exercendo uma cobertura que já paga.

Isso muda o enquadramento do seu problema. Você não tem um problema de "paciente de convênio demais". Você tem uma carteira de credenciamento que produz demanda espontânea de urgência, e um protocolo de fila que ainda não foi escrito.

Antes de desenhar o protocolo, meça: quanto da sua demanda espontânea de urgência entra por plano? Sem esse número, você está resolvendo um problema imaginado.

Glosa e repasse: o risco do convênio se decide no credenciamento

Existe um motivo financeiro legítimo por trás do desconforto com o conveniado na fila de urgência. Vale nomear, porque negar não ajuda ninguém.

O atendimento por convênio carrega dois riscos que o particular não tem: a glosa (o procedimento executado que a operadora recusa pagar) e o atraso no repasse (o dinheiro que entra meses depois do custo já ter saído).

Mas repare onde esse risco se decide.

Ele se decide no momento em que você aceita o credenciamento, na negociação da tabela, no desenho do seu processo de faturamento e na qualidade do preenchimento do prontuário. Não se decide na cadeira, no meio de uma emergência, com o paciente com dor do outro lado da linha.

Usar o risco de glosa como critério de fila é resolver um problema de contrato com uma ferramenta de triagem. Não funciona, e ainda te expõe eticamente. O lugar de atacar glosa é o processo administrativo: veja glosa e repasse atrasado de convênio.

O protocolo de desempate: script de recepção em 6 passos

Agora o operacional. Este é o roteiro que a sua recepção segue quando duas ligações de dor chegam juntas.

1. Identifique sinal de emergência antes de qualquer outra pergunta. Dificuldade de respirar ou engolir, sangramento que não para, trauma de face com deformidade, inchaço que fecha o olho ou desce para o pescoço, febre alta com inchaço. Qualquer sim aqui muda tudo.

2. Se houver sinal de emergência, escale imediatamente. A recepção não classifica esse caso sozinha. Ela chama o dentista e, quando o quadro excede o consultório, orienta o serviço médico de emergência.

3. Sem sinal de emergência, aplique o bloco fechado de urgência. Quatro perguntas objetivas: onde dói, há quanto tempo, intensidade da dor de 0 a 10, e se há inchaço, febre, secreção ou trauma recente.

4. Classifique por gravidade, não por cadastro. Inchaço com febre vence dor isolada. Trauma com dente avulsionado vence pulpite. Na escala de dor, o exemplo é direto: dor 9 entra antes de dor 4. Nenhum desses critérios pergunta a fonte de pagamento.

5. Só depois pergunte o cadastro. Convênio ou particular entra na conversa para preparar a guia e o faturamento, depois que a posição na fila já está definida. Essa ordem não é detalhe: ela é o que torna o seu protocolo defensável.

6. Dê destino explícito para quem não entrou agora. Horário exato hoje ou amanhã, orientação do que fazer no intervalo, e retorno ativo se piorar. "Te ligo depois" não é destino.

O passo 5 é o coração da coisa toda. A ordem das perguntas é o protocolo. Se a primeira pergunta da sua recepção for "você tem convênio?", nenhum treinamento posterior conserta o sinal que isso envia.

Quem executa a triagem e quando escalar para o dentista

Um protocolo sem dono não roda. Defina três coisas por escrito:

  • Quem triagem: a pessoa da recepção designada, com o script impresso à vista, não decorado.
  • Quem decide caso duvidoso: um dentista de plantão nomeado por turno, com a regra de que a dúvida sobe em vez de ficar parada.
  • Quem cobre quando a recepção está ocupada: porque duas ligações simultâneas são, por definição, o cenário em que a recepção está ocupada.

A regra de escalonamento precisa ser generosa: na dúvida, sobe. O custo de escalar um caso que não precisava é um minuto do dentista. O custo de não escalar um caso que precisava é o que te tira o sono.

Desenho de agenda: horário reservado ou acolhimento sem hora marcada

Você tem dois modelos para absorver urgência, e cada um tem um preço diferente.

Modelo Como funciona Vantagem Preço que você paga
Horário reservado Blocos fixos por turno, guardados para urgência Previsibilidade, o encaixe não atropela o eletivo Bloco vazio quando não aparece urgência
Acolhimento sem hora marcada Janela em que a urgência é recebida e classificada Absorve pico de demanda Sala de espera cheia e risco de atraso em cascata
Híbrido Blocos reservados mais uma janela de acolhimento no turno de maior procura Combina previsibilidade e absorção Exige medir onde o pico acontece de verdade

O híbrido costuma ser o mais realista, mas só funciona se você souber a sua curva de procura. Dimensionar bloco de urgência no horário errado é criar agenda fantasma.

E tem um dado que muda a conta: 46,0% dos leads novos chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026, segundo dados internos da Odonto Results.

Ou seja: uma parte relevante da sua demanda bate na porta quando não tem ninguém para classificar. Um bloco reservado às 14h não resolve a ligação das 21h.

Por isso a primeira resposta importa tanto. Nas clínicas atendidas pela Odonto Results, a IA de Agendamento responde o primeiro lead em 5,7 segundos na mediana, com 99,2% das primeiras respostas em até 60 segundos. Base: IA de Agendamento da Odonto Results no WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026, dados internos da Odonto Results.

Responder em segundos não trata a dor. Mas classifica o risco, orienta o que fazer até o atendimento e evita que o paciente com abscesso descubra às 22h que ninguém vai responder. Veja também encaixe de emergência sem quebrar a agenda.

Preparo do consultório para urgência e emergência médica

Protocolo de fila é metade do trabalho. A outra metade é estar equipado para o caso que interrompe a agenda.

Três frentes que o dono precisa auditar pessoalmente:

1. Kit e medicamentos de emergência. Conferidos por data de validade em rotina fixa, não quando alguém lembra. Kit vencido é a pior combinação possível: custo pago, proteção zero.

2. Capacitação real do time, não percebida. A distância entre "a equipe sabe o que fazer" e "a equipe já treinou o que fazer" é enorme. Simulação curta e periódica revela essa distância antes que o paciente revele.

3. Fluxo de acionamento externo escrito. Quando o quadro excede o consultório, quem liga, para onde e com qual informação. Isso é uma folha na parede, não uma lembrança.

Nenhum desses três itens compete com o eletivo pelo seu tempo. Todos os três competem com a sua sorte.

Registre a triagem em prontuário: é isso que te defende depois

Se o seu protocolo é clínico e você não registrou, ele vira palavra contra palavra.

Anote, em toda triagem de urgência, mesmo na que não virou atendimento:

  • Hora do contato e canal
  • Queixa relatada nas palavras do paciente
  • Sinais coletados na classificação (dor, inchaço, febre, trauma, secreção)
  • Classificação atribuída e por quem
  • Decisão tomada e o motivo clínico do desempate
  • Destino dado a quem não entrou agora, com horário oferecido

Esse conjunto faz duas coisas ao mesmo tempo. Protege juridicamente, porque documenta que o critério foi clínico. E gera o dado que você vai usar para auditar o protocolo no mês seguinte.

Lembre: a triagem que você não anotou não aconteceu. Para quem for auditar depois, existe apenas a versão registrada dos fatos.

Indicadores para auditar se o protocolo está funcionando

Protocolo escrito e nunca medido vira decoração. Estes são os números que dizem se a sua fila de urgência é clínica de verdade:

Indicador O que revela Sinal de alerta
Tempo do contato até a classificação Se a triagem está acontecendo mesmo Classificação feita horas depois do contato
Proporção de urgências atendidas no mesmo dia Capacidade real de absorção Queda persistente mês a mês
Distribuição da fila por fonte de pagamento Se existe viés no desempate Conveniado sistematicamente mais tarde que particular
Casos escalados ao dentista de plantão Se a regra "na dúvida, sobe" está viva Zero escalonamento no mês
Destino dado a quem não entrou Se o segundo paciente foi cuidado Alta taxa de "sem retorno registrado"
Ocupação dos blocos reservados Se a agenda está dimensionada certo Bloco sempre vazio ou sempre estourado

O terceiro indicador é o mais desconfortável e o mais útil. Cruze a fila de urgência do mês por fonte de pagamento. Se o conveniado entra sistematicamente depois com gravidade equivalente, o seu protocolo é clínico no papel e contratual na prática.

Esse cruzamento também é a sua melhor defesa preventiva: ele mostra, com número, que o desempate segue gravidade. Se você precisa separar os fluxos sem criar esse viés, veja como separar fluxo de convênio e particular.

Seu próximo passo

  1. Escreva o protocolo em uma página e cole na recepção. Sinais de emergência primeiro, bloco de quatro perguntas de urgência depois, cadastro por último. A ordem das perguntas é o protocolo.
  2. Audite os seus contratos de credenciamento em um dia calmo. Como cada operadora trata guia de urgência enviada depois e como remunera urgência. Esse levantamento não se faz com paciente esperando.
  3. Meça a fila de urgência do último mês por gravidade e por fonte de pagamento. Se houver viés, você descobre agora, com número na mão, e não depois, numa reclamação.

Quer um sistema que classifica o risco do paciente em segundos, 24 horas por dia, e entrega para a sua recepção uma fila já ordenada por gravidade? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Posso dar preferência ao paciente particular em uma emergência?

Não como critério de fila. O Código de Ética Odontológica determina no art. 2º que a Odontologia se exerce sem discriminação de qualquer forma ou pretexto, e o art. 11, inciso I, tipifica como infração ética discriminar o ser humano de qualquer forma ou sob qualquer pretexto. A fonte de pagamento é exatamente um pretexto. O desempate legítimo é a gravidade clínica, classificada e registrada.

Qual a diferença entre urgência e emergência odontológica?

Emergência envolve risco imediato de vida ou de função vital: comprometimento de via aérea, hemorragia não controlada, trauma de ossos da face. Urgência é o quadro que exige atendimento rápido para aliviar dor intensa, conter infecção localizada ou recuperar função, sem risco imediato de morte. A maior parte do que chega no seu telefone é urgência, e é por isso que ela precisa de protocolo, não de improviso.

O convênio exige autorização prévia antes de atender uma urgência?

A régua de tempo não comporta esperar. Na tabela de prazos máximos da ANS, urgência e emergência têm prazo imediato, enquanto consulta e procedimentos com cirurgião-dentista têm prazo de 7 dias úteis. A rotina de guia e senha corre em paralelo ao atendimento, não antes dele. Confira no seu contrato de credenciamento como cada operadora trata a guia enviada depois.

Posso recusar atendimento a um paciente com quem a relação azedou?

O Código de Ética Odontológica prevê, no art. 5º, inciso V, o direito de renunciar ao atendimento do paciente durante o tratamento, quando o profissional constata fatos que prejudiquem o bom relacionamento ou o pleno desempenho profissional, com comunicação prévia por escrito e repasse das informações a quem suceder. É renúncia no curso do tratamento. Não é autorização para recusar urgência.

A clínica como pessoa jurídica fica de fora do Código de Ética?

Não. O art. 1º do Código de Ética Odontológica regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e das pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia, em âmbito público e/ou privado. O protocolo de fila que a sua recepção executa é responsabilidade da clínica, não só do dentista que está na sala.

Preciso de consentimento antes de atender uma urgência?

O art. 11, inciso X, do Código de Ética Odontológica tipifica como infração ética iniciar procedimento ou tratamento odontológico sem consentimento prévio do paciente ou do responsável legal, com exceção expressa dos casos de urgência ou emergência. Na prática: a exceção existe para o ato que não pode esperar, e o registro do que foi feito e por que foi feito continua obrigatório.