Como precificar um caso em que vou refazer trabalho feito em outra clínica (prótese, faceta, implante) quando não sei o que tem por baixo até remover?
Refazer coroa, faceta ou prótese sobre implante feita em outra clínica é precificar o que ainda não dá para ver. O caminho é cobrar a fase de diagnóstico, entregar um orçamento em camadas com contingências por gatilho, dimensionar a reserva pelo valor esperado e deixar a cláusula de alteração assinada antes de remover. Veja o método, a base legal e ética e o roteiro de apresentação, com fonte.
Você não precifica o que ainda não viu: cobre a fase de diagnóstico, entregue um caminho-base com contingências escritas por gatilho e calcule a reserva pelo valor esperado, porque orçamento aprovado só muda por livre negociação (CDC, art. 40).
- Orçamento aprovado não se reescreve depois de remover. O art. 40 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) obriga o fornecedor de serviço a entregar orçamento prévio discriminado, que vale por dez dias salvo estipulação em contrário e, uma vez aprovado, só pode ser alterado mediante livre negociação das partes. A contingência tem que estar escrita antes.
- O risco por baixo é frequente. Uma meta-análise do International Endodontic Journal (2021, 114 estudos) encontrou periodontite apical em 39% dos dentes com tratamento de canal, contra 3% dos não tratados, e um estudo sueco do Journal of Dental Research (2016, 588 pacientes examinados 9 anos após receber implantes) encontrou peri-implantite em 45% deles.
- O CFO já desenhou o formato. O modelo de orçamento do Manual do Prontuário do CFO (2026) traz Opção 1, 2 e 3 e a declaração de que plano, técnica e valor podem mudar conforme a situação clínica evidenciada, com o paciente informado para concordar ou não. E o art. 20, V do Código de Ética Odontológica trata como infração submeter o paciente a tratamento de custo inesperado.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Por que a refação é armadilha de margem
- O que costuma estar por baixo, por procedimento
- Passo 1: cobre o diagnóstico como etapa própria
- Passo 2: monte o orçamento em camadas
- Passo 3: calcule a reserva pelo valor esperado
- Passo 4: assine a cláusula de alteração e o TCLE antes de remover
- Passo 5: pause antes de executar qualquer contingência
- O que a lei e o Código de Ética exigem do orçamento (e de quem)
- Quem paga a refação: paciente, clínica anterior ou divisão
- Como falar do trabalho anterior sem criticar o colega
- Garantia na refação: o que garantir e o que deixar explícito
- Roteiro do avaliador e da CRC para apresentar a contingência
- Protocolo interno: a indicação não pode depender de quem atende
- Quando recusar ou não orçar sem remover
- Indicadores para o dono acompanhar
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Como precificar um caso em que vou refazer trabalho feito em outra clínica (prótese, faceta, implante) quando não sei o que tem por baixo até remover?"
O paciente chega com uma coroa escurecida, uma faceta lascada ou uma prótese sobre implante que balança. O trabalho é de outra clínica.
Você examina, pede radiografia e monta um orçamento. Aí remove a peça e encontra outra história.
Núcleo solto. Cárie por baixo da margem. Lesão no ápice de um dente que já tinha canal. Um parafuso de um sistema que ninguém da equipe reconhece.
Nesse momento, ou você engole a diferença ou cobra um valor que o paciente não esperava. Uma saída come a margem. A outra come a confiança.
A resposta curta: não precifique o que você ainda não viu. Divida o caso em cinco movimentos:
- Cobre o diagnóstico como etapa própria: avaliação, documentação, remoção exploratória e provisório, com orçamento separado.
- Monte o orçamento em camadas: caminho-base com preço fechado e contingências rotuladas por gatilho (se encontrar X, faz Y, custa Z).
- Dimensione a reserva pelo valor esperado: probabilidade de cada achado vezes o custo de resolvê-lo, calibrada com o seu histórico.
- Assine a cláusula de alteração e o TCLE antes de remover, no formato que o próprio CFO propõe.
- Pause antes de executar qualquer contingência: mostre o achado, registre e colha a concordância.
Isso não é preciosismo jurídico. O art. 40 do Código de Defesa do Consumidor diz que o orçamento, uma vez aprovado pelo consumidor, obriga as partes e só pode ser alterado mediante livre negociação.
O que não estava escrito antes vira negociação depois. Com o paciente na cadeira e a peça já fora da boca.
Neste guia você vai ver:
- Por que a refação é o caso que mais esconde custo, e o que a pesquisa mostra sobre o que aparece por baixo
- O que costuma estar por baixo de coroa, faceta, implante e protocolo
- Cada um dos cinco passos, com modelos do CFO e a conta do valor esperado
- O que o CDC e o Código de Ética Odontológica exigem do orçamento, e de quem
- Quem paga a refação, como falar do trabalho anterior, que garantia dar e quando recusar
- O roteiro do avaliador e da CRC, o protocolo interno de decisão e os indicadores do dono
Por que a refação é armadilha de margem
Num caso novo, boa parte do que você vê no exame é o que vai tratar. Na refação, o exame mostra a superfície de um trabalho que outra pessoa fez, com material, técnica e histórico que você não conhece.
O diagnóstico definitivo só existe depois de remover a coroa, a faceta, o núcleo ou a prótese. Antes disso, você tem hipótese.
E o que aparece por baixo não é raridade. Repare nestes achados, cada um com o seu escopo:
| O que pode estar por baixo | O que a pesquisa encontrou | Fonte e escopo |
|---|---|---|
| Lesão periapical em dente com canal | Periodontite apical em 39% dos dentes com tratamento endodôntico, contra 3% dos dentes não tratados | Meta-análise no International Endodontic Journal, 2021, 114 estudos, busca até setembro de 2019; os autores alertam para alta heterogeneidade e risco de viés |
| Peri-implantite em implante antigo | 45% dos pacientes com peri-implantite (sangramento à sondagem ou supuração e perda óssea acima de 0,5 mm) e 14,5% com a forma moderada ou grave (perda óssea acima de 2 mm) | Journal of Dental Research, 2016, 588 pacientes sorteados na Suécia, examinados 9 anos após a reabilitação com implantes |
| Achado na tomografia que pede tratamento | Pelo menos um achado incidental em 82% dos exames; a avaliação radiológica indicou necessidade de tratamento odontológico adicional em 31% | Oral Radiology, 2024, Universidade de Berna (Suíça), 404 tomografias feitas para planejamento de implante |
| Restauração que precisa ser refeita | Entre as indicações de retratamento de restaurações, cárie secundária (37,6%) e fratura da restauração (15,2%) foram as mais frequentes | Caries Research, 2025, estudo Tromsø 7, Norte da Noruega, 3.653 adultos de 40 a 93 anos avaliados por 17 dentistas calibrados |
Nota: nenhum desses números é a probabilidade da sua clínica. São populações específicas (Suécia, Suíça, Noruega e uma meta-análise mundial).
Eles servem como ordem de grandeza. O risco escondido é frequente demais para ficar fora do preço.
Lembre: na refação, o primeiro orçamento descreve o que você vê. O custo real mora no que você ainda não viu.
O que costuma estar por baixo, por procedimento
Cada tipo de refação esconde riscos diferentes. Use esta tabela para montar as contingências do orçamento:
| Trabalho a refazer | O que só aparece depois de remover | Contingências típicas | Pergunta antes de orçar |
|---|---|---|---|
| Coroa unitária e prótese fixa | Cárie sob a margem, núcleo solto ou inadequado, canal insatisfatório, lesão periapical, fratura do remanescente | Novo núcleo, retratamento endodôntico, aumento de coroa clínica | O dente tem canal? Há imagem no ápice? |
| Faceta e lente de contato | Desgaste prévio desconhecido, substrato escurecido, cárie, exposição de dentina | Troca de material ou de espessura, preparo adicional, troca de faceta por coroa | Qual foi o material? Por que o paciente quer trocar? |
| Coroa sobre implante | Sistema e componente desconhecidos, parafuso fraturado ou travado, perda óssea, peri-implantite | Identificação do sistema, remoção do parafuso, novo componente, tratamento da peri-implantite | O paciente tem a marca e o registro do implante? |
| Protocolo (prótese total sobre implantes) | Os riscos do implante somados, barra e componentes incompatíveis, um implante comprometido entre vários | Novos componentes, tratamento ou remoção de implante, replanejamento | Todos os implantes são do mesmo sistema? Há tomografia recente? |
Coroa e prótese fixa. O risco central é endodôntico e estrutural. Se o dente tem canal, trate o retratamento como linha do orçamento, não como nota de rodapé.
A margem também engana. Metal e cerâmica podem dificultar a leitura da radiografia, e a cárie sob a coroa pode só se confirmar com a peça fora.
Faceta. Quem quer trocar faceta nem sempre tem um problema técnico.
Num estudo retrospectivo do Saudi Dental Journal (2026) com 194 facetas indiretas substituídas no hospital universitário da King Saud University, em Riade, a causa mais frequente da troca foi erro dimensional de tamanho ou forma (58,2%), seguida de descoloração combinada com problema de tamanho e forma (21,1%), e a maior parte das falhas ocorreu após 6 a 7 anos de uso.
É um único hospital-escola. Mas o recado serve: pergunte o motivo da troca antes de orçar, porque a expectativa estética faz parte do risco.
E a cor do substrato só aparece de verdade depois de remover. Dente escurecido pode exigir outro material ou outra espessura, e isso muda o preço.
Leia também: como captar o paciente que quer refazer as facetas feitas por outro dentista.
Implante e protocolo. No estudo sueco do Journal of Dental Research (2016), entre os indicadores de maior chance de peri-implantite moderada ou grave estavam implantes de certas marcas e prótese entregue por clínico geral.
Traduzindo: o histórico do implante importa tanto quanto a imagem. Componente de sistema desconhecido é uma contingência evitável, desde que você descubra a marca antes de abrir.
Passo 1: cobre o diagnóstico como etapa própria
O erro clássico é dar o preço da refação no primeiro contato, com uma radiografia e o olho. Você está precificando a peça antiga, não o dente.
A saída é dividir o caso em duas etapas, com orçamentos distintos.
Etapa diagnóstica (paga):
- Consulta de avaliação e planejamento
- Documentação de entrada: fotos, radiografias e tomografia quando indicada
- Pedido do histórico ao profissional anterior (marca e sistema do implante, componentes, exames)
- Remoção exploratória da peça, quando o diagnóstico depende dela
- Provisório, para o paciente não sair sem dente
- Reavaliação e entrega do orçamento definitivo
Etapa de execução: o tratamento em si, orçado depois que você viu o que tem por baixo.
O Código de Ética Odontológica sustenta esse desenho, e vale também para a clínica como pessoa jurídica (art. 1º). O art. 19 lista, entre os critérios de fixação de honorários, a complexidade do caso, o tempo utilizado no atendimento e o custo operacional. A remoção exploratória consome os três.
E o art. 20, IX trata como infração ética divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso. Diagnóstico de refação tem escopo, tempo e preço.
Peça o histórico ao colega por meio do paciente. O Manual do Prontuário do Paciente em Odontologia do CFO registra que a propriedade do prontuário é do paciente e que a posse ou guarda cabe ao profissional. Diante de uma solicitação, as radiografias devem ser entregues.
E o art. 11, XII do Código de Ética trata como infração opor-se a prestar esclarecimentos ou fornecer relatórios sobre diagnósticos e terapêuticas realizados no paciente, quando ele os solicita.
Saber a marca do implante antes de abrir muda o orçamento. Você compra o componente certo, separa a chave certa e não perde a sessão.
Dica: escreva no orçamento da etapa diagnóstica o que acontece se o paciente desistir depois da remoção: o que foi feito, o provisório entregue e o valor da etapa. Sem isso, a etapa vira cortesia.
Se a sua política for abater o valor da etapa diagnóstica do tratamento fechado, escreva isso como condição do plano. Só não anuncie como diagnóstico gratuito.
Passo 2: monte o orçamento em camadas
O orçamento de refação tem três camadas. Veja como funciona:
Camada 1, caminho-base. O que você fará se o que está por baixo estiver em condição de receber o trabalho novo. Preço fechado.
Camada 2, contingências rotuladas por gatilho. Cada achado provável vira uma linha: o gatilho (o que você pode encontrar), o procedimento que ele exige e o valor. O paciente aprova a lista antes.
Camada 3, ruptura de plano. Achado que muda o tratamento inteiro, como uma raiz fraturada que leva à extração. Não tem preço no orçamento. Tem a regra escrita de que o plano será refeito e reapresentado, com nova aprovação.
O formato não é invenção. O modelo de "Planos de Tratamentos e Orçamento" do Manual do Prontuário do CFO (2026) é estruturado em Opção 1, Opção 2 e Opção 3, para o paciente escolher.
E traz a observação de que, após a escolha do plano, passa a ser indicada a elaboração do TCLE específico e do contrato de prestação de serviços.
É assim que fica num caso de coroa (exemplo hipotético, valores ilustrativos e não de mercado):
| Camada | Gatilho | Procedimento | Valor (exemplo hipotético) |
|---|---|---|---|
| Caminho-base | Remanescente e canal em boas condições | Remoção da coroa, provisório e nova coroa | R$ 3.000 |
| Contingência A | Núcleo solto ou inadequado | Remoção e novo núcleo | mais R$ 700 |
| Contingência B | Lesão periapical ou canal insatisfatório | Retratamento endodôntico | mais R$ 1.400 |
| Contingência C | Margem abaixo da gengiva ou próxima do osso | Aumento de coroa clínica | mais R$ 900 |
| Ruptura de plano | Raiz fraturada ou dente sem condição de manter | Novo plano (extração e alternativas) | Reorçado, com nova aprovação |
No exemplo hipotético, o teto do plano é R$ 6.000. O paciente sai sabendo o melhor cenário, o pior cenário dentro do plano e o que acontece fora dele.
Repare no que o art. 40 do CDC pede: o orçamento discrimina mão de obra, materiais e equipamentos, condições de pagamento e datas de início e término. Na refação, isso inclui o que é de terceiro.
Pelo § 3º do art. 40, o consumidor não responde por ônus ou acréscimos decorrentes da contratação de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio. Se o retratamento vai para um endodontista externo ou o componente sai de um laboratório, isso precisa estar na linha.
Passo 3: calcule a reserva pelo valor esperado
Aqui entra a conta que separa preço de palpite.
O CPC 25, pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis sobre provisões, chama de valor esperado o método de ponderar todos os possíveis desfechos pelas suas probabilidades associadas.
No exemplo do próprio pronunciamento (item 39), a experiência passada da entidade e as expectativas futuras indicam, para o ano seguinte, 75% dos bens vendidos sem defeito, 20% com defeitos menores e 5% com defeitos maiores; o reparo custaria 1 milhão se todos tivessem defeitos menores e 4 milhões se todos tivessem defeitos maiores. O valor esperado do custo das reparações é (75% x 0) + (20% x 1 milhão) + (5% x 4 milhões) = 400.000.
Nota: o CPC 25 é norma contábil para provisões nas demonstrações das entidades. Aqui você usa só o método, como ferramenta de preço. Nada obriga a clínica a precificar assim.
Aplicado à refação, fica assim. Exemplo hipotético: suponha que o seu histórico de refação de coroas mostre isto:
| Achado (exemplo hipotético) | Probabilidade no seu histórico | Custo de resolver | Valor esperado |
|---|---|---|---|
| Núcleo a refazer | 30% | R$ 700 | R$ 210 |
| Retratamento endodôntico | 20% | R$ 1.400 | R$ 280 |
| Aumento de coroa clínica | 10% | R$ 900 | R$ 90 |
| Total por caso | R$ 580 |
No exemplo, esses R$ 580 são o custo médio de surpresa por caso de refação de coroa, olhando a carteira inteira. Agora você decide onde ele mora:
- Embutido no caminho-base (preço fechado com risco absorvido): simples para o paciente, mas quem não tem achado paga pelo risco de quem tem.
- Cobrado por gatilho (as camadas do Passo 2): cada paciente paga o que de fato foi encontrado. Mais transparente, e exige roteiro bom para apresentar.
- Híbrido: absorva no caminho-base os achados pequenos e frequentes e rotule como contingência os grandes. É o desenho que recomendamos como ponto de partida.
Tem um detalhe que o próprio CPC 25 resolve. No item 40, quando uma única obrigação é mensurada, o desfecho individual mais provável pode ser a melhor estimativa, mas outras consequências possíveis são consideradas. Quando elas são principalmente mais altas, a melhor estimativa sobe.
O que isso significa na prática? No orçamento de um paciente, não precifique só o cenário mais provável. Mostre o teto.
Como calibrar sem histórico: comece com a estimativa do seu diretor clínico, registre em todo caso de refação o que foi orçado e o que foi encontrado, e revise as probabilidades periodicamente. Os estudos do primeiro tópico dão ordem de grandeza, não a sua taxa.
Leia também: como precificar tratamentos na clínica odontológica.
Passo 4: assine a cláusula de alteração e o TCLE antes de remover
O Manual do Prontuário do CFO já traz o texto-base em três documentos.
No modelo de orçamento, o paciente declara estar ciente de que, dependendo da resposta biológica individual do organismo ou da situação clínica evidenciada, poderá haver a necessidade de alteração do plano de tratamento, da técnica e, consequentemente, do valor, situação em que será informado, para sua concordância ou não.
No modelo de contrato (cláusula segunda, parágrafo 1º), o valor dos honorários poderá sofrer alteração caso seja necessário modificar o plano inicialmente aprovado diante da constatação de questões técnicas supervenientes, se houver requerimento do paciente ou por intercorrências que inviabilizem sua execução.
O texto exige que as partes deliberem formalmente sobre os novos procedimentos e valores, e sobre a forma de pagamento ou a devolução da eventual diferença.
No modelo de TCLE do CFO (Anexo 3 do Manual), o item 5 é o campo das contingências: eventuais possíveis outros procedimentos ou tratamentos em caso de necessidade de alteração do planejamento inicial ou de complicações no tratamento proposto ou realizado.
O item 7 trata das limitações do caso clínico, e o item 8, da conduta a ser adotada em caso de eventual insucesso.
Na refação, preencha assim:
- Item 5: a lista de contingências do orçamento, com o gatilho de cada uma
- Item 7: o que é herdado e não depende de você (substrato, implante de outro sistema, osso remanescente)
- Item 8: o que acontece se o dente ou o implante não puder ser mantido
O próprio modelo de TCLE traz uma observação que cabe na refação: nos casos de procedimentos de maior complexidade, risco de sequelas e tratamento de alto custo, recomenda que a consulta de esclarecimento e a assinatura do consentimento sejam registradas em áudio e vídeo, para maior fidedignidade numa eventual necessidade de comprovar o cumprimento do dever de informação.
Dois avisos honestos.
Primeiro, é modelo orientativo. O próprio Manual responde que você não é obrigado a seguir o modelo de prontuário do CFO.
Segundo, o Manual afirma que o TCLE não é salvaguarda perfeita e não serve para eximir o profissional de toda e qualquer responsabilidade. Ele prova o que foi informado. Não autoriza o que não foi.
Peça ao seu jurídico para adaptar os três modelos à sua operação.
Passo 5: pause antes de executar qualquer contingência
O papel assinado não substitui o momento do achado.
O art. 11, X do Código de Ética Odontológica trata como infração iniciar qualquer procedimento sem o consentimento prévio do paciente, exceto em urgência ou emergência.
E o art. 39, VI do CDC veda ao fornecedor de serviços executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes.
Na prática, quando a contingência aparece com o paciente na cadeira:
- Pare e registre o achado: foto intraoral, radiografia e anotação com data e hora.
- Mostre ao paciente na tela, em linguagem simples.
- Aponte a linha do orçamento que cobre aquele gatilho e o valor.
- Colha a concordância por escrito (aditivo ou assinatura no plano) antes de executar.
- Se for ruptura de plano, encerre a sessão com provisório e reapresente o plano completo depois.
A pausa custa poucos minutos. A falta dela custa o caso.
O que a lei e o Código de Ética exigem do orçamento (e de quem)
Lei e ética apontam para o mesmo lugar: preço informado antes, discriminado e sem surpresa.
| Norma | O que diz | A quem se dirige | O que muda na refação |
|---|---|---|---|
| CDC, art. 40, caput | Orçamento prévio discriminando mão de obra, materiais e equipamentos, condições de pagamento e datas de início e término | Fornecedor de serviço: a clínica e o dentista que presta o serviço | Cada contingência discriminada, com terceiros incluídos |
| CDC, art. 40, § 1º | Salvo estipulação em contrário, o valor orçado vale por dez dias a partir do recebimento | Fornecedor de serviço | Defina a validade por escrito, de acordo com o seu prazo real de decisão |
| CDC, art. 40, § 2º | Aprovado, o orçamento obriga as partes e só muda por livre negociação | Fornecedor e consumidor | Contingência não escrita vira negociação depois da remoção |
| CDC, art. 40, § 3º | Consumidor não responde por serviços de terceiros não previstos | Fornecedor de serviço | Laboratório, especialista e exame externo na linha |
| CDC, art. 39, VI | Vedado executar serviço sem orçamento prévio e autorização expressa | Fornecedor de serviço | Pausa e concordância antes de executar a contingência |
| Código de Ética, art. 19 | Complexidade, tempo e custo operacional entre os critérios de honorário; custos comunicados previamente | Inscritos, inclusive pessoa jurídica (art. 1º) | Base ética para cobrar diagnóstico e contingência |
| Código de Ética, art. 20, V | Infração: abusar da confiança do paciente submetendo-o a tratamento de custo inesperado | Inscritos, inclusive pessoa jurídica (art. 1º) | Surpresa no valor é infração ética, não só desgaste |
| Código de Ética, art. 11, IV | Infração: deixar de esclarecer propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento | Inscritos, inclusive pessoa jurídica (art. 1º) | Contingências e alternativas explicadas antes |
A clínica não fica de fora por ser empresa. O art. 1º do Código de Ética Odontológica diz que ele regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, profissionais técnicos e auxiliares, e pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia.
Informação insuficiente também gera responsabilidade. O art. 14 do CDC diz que o fornecedor de serviços responde, independentemente de culpa, pelos danos causados por defeitos na prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Pelo § 4º, a responsabilidade pessoal do profissional liberal é apurada mediante verificação de culpa.
Para a clínica pessoa jurídica, contingência não informada não é só problema comercial. É risco jurídico.
E existe o limite do outro lado. A contingência não pode virar lista de pesca. O art. 11 do Código de Ética também trata como infração exagerar em diagnóstico, prognóstico ou terapêutica (inciso III) e propor tratamento desnecessário (inciso V).
Liste só o que tem gatilho clínico plausível naquele caso. O valor esperado ajuda aqui também: achado de probabilidade irrelevante não entra.
Quem paga a refação: paciente, clínica anterior ou divisão
Esse é o ponto que mais trava o caso quando o paciente chega reclamando do serviço anterior.
O art. 20 do CDC dá ao consumidor, diante de vício de qualidade do serviço, o direito de exigir a reexecução sem custo adicional e quando cabível, a restituição da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço.
E o § 1º prevê que a reexecução pode ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor.
Leia com atenção a quem isso se dirige. O direito é do paciente contra quem fez o trabalho. Sua clínica pode ser o terceiro capacitado, mas não é parte dessa relação, nem juíza dela.
| Cenário | Quem paga | O que você faz |
|---|---|---|
| O paciente quer refazer e não vai reclamar do trabalho anterior | O paciente, pelo seu orçamento | Orçamento em camadas normal |
| A clínica anterior aceita custear a reexecução | A clínica anterior, por acordo escrito | Acordo assinado com quem paga; orçamento e TCLE seguem com o paciente |
| As partes acordam uma divisão | Cada parte, na proporção acordada | Registre a divisão por escrito antes de começar |
| Disputa em aberto | Ainda indefinido | Documente o estado de entrada e não execute antes de o paciente decidir o caminho |
Documente antes de mexer. Remover a peça destrói a prova do estado anterior. O Manual do Prontuário do CFO explica que o primeiro registro do prontuário, sobre a condição com que o paciente chega, serve para demonstrar o que outro profissional fizera anteriormente.
Fotos, radiografias e tomografia de entrada protegem o paciente que quer reclamar. E protegem você.
Atenção ao contrato da clínica anterior. O modelo de contrato do Manual do Prontuário do CFO (cláusula quarta, parágrafo 3º) trata da intervenção de terceiro.
Ele prevê que, havendo intervenção de terceiro estranho ao contrato na mesma região ou dente tratado, o contratado original não se responsabiliza nem arca com eventual repetição de procedimento ou dano.
Se o paciente pretende exigir algo de quem fez o trabalho, convém que ele formalize a reclamação e busque orientação jurídica antes de você intervir.
Vício oculto e o relógio. Pelo art. 26, § 3º do CDC, tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial começa no momento em que ficar evidenciado o defeito. Na refação, esse momento pode ser justamente a remoção feita por você. Registre com data.
Mas cuidado: achado não é sinônimo de erro. Cárie secundária, perda óssea e peri-implantite têm causas múltiplas, inclusive higiene e hábitos do paciente. Quem enquadra o vício não é o seu orçamento.
Leia também: paciente com bruxismo quebrou a faceta: quem paga o refazimento.
Como falar do trabalho anterior sem criticar o colega
O paciente quer ouvir que o outro errou. Você não pode dizer isso.
O art. 13, VI do Código de Ética Odontológica trata como infração ética criticar erro técnico-científico de colega ausente, salvo por meio de representação ao Conselho Regional. Se você entende que houve infração, o caminho previsto é o Conselho, não a conversa na cadeira.
O que funciona é descrever, não julgar:
| Evite | Prefira |
|---|---|
| "Fizeram errado esse canal." | "A radiografia mostra uma imagem na ponta da raiz que precisa ser investigada." |
| "Essa coroa nunca deveria ter sido feita assim." | "A margem da coroa não está mais vedando bem. Vamos ver o que tem por baixo." |
| "Esse implante é de marca ruim." | "Preciso identificar o sistema do implante para usar o componente certo." |
Quando encaminhar de volta ao dentista original:
- O trabalho é recente e está dentro da garantia que o colega deu.
- O problema é um ajuste que quem fez resolve com os componentes que já tem.
- O paciente quer reexecução sem custo, direito que ele exerce contra quem prestou o serviço.
- Você não tem a capacitação ou o sistema para aquele caso. O art. 11, V do Código de Ética trata como infração executar ou propor tratamento para o qual o profissional não esteja capacitado.
Encaminhar não é perder o paciente. É registrar que você orientou o caminho mais correto para ele.
Garantia na refação: o que garantir e o que deixar explícito
Quando você refaz, herda um substrato que não preparou. A garantia precisa separar as duas coisas.
O que você garante: o trabalho novo que executou (adaptação, material, execução), nos termos da sua política escrita.
O que você não garante: o que é herdado e foi mantido. Dente com prognóstico reservado, implante de outro sistema que o paciente decidiu manter, osso remanescente.
Para dimensionar a garantia da peça nova, há referência.
Uma revisão sistemática com meta-análise no International Journal of Prosthodontics (2026), com 64 estudos sobre 3.509 coroas unitárias metalocerâmicas e 8.051 cerâmicas sobre dente, estimou sobrevivência em cinco anos de 98,5% para dissilicato de lítio monolítico, 97,1% para metalocerâmica e 90,4% para cerâmica feldspática.
Esses números descrevem a coroa nova. Não descrevem o substrato herdado.
| Situação | Garantia que faz sentido |
|---|---|
| Trabalho novo sobre substrato que você tratou | Garantia plena da sua política |
| Trabalho novo sobre elemento herdado mantido com prognóstico reservado | Garantia condicionada, com a limitação escrita no item 7 do TCLE |
| Elemento que o paciente decidiu manter contra a sua recomendação | Sem garantia sobre esse elemento, registrado e assinado |
Para a redação, o modelo de contrato do Manual do Prontuário do CFO (cláusula quarta, parágrafo 2º) serve de ponto de partida: caso ocorra eventual vício ou defeito dentro do prazo de 90 dias e confirmada a impropriedade técnica, o serviço será refeito sem ônus adicionais para o paciente. O parágrafo 3º da mesma cláusula, que você já viu acima, afasta essa garantia quando um terceiro intervém na mesma região ou dente. Na refação, esse terceiro é você.
Dois lembretes. A garantia comercial soma à legal, não a substitui: pelo art. 50 do CDC, a garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito. Os prazos do CDC correm independentemente do que você prometer.
E o registro de entrada feito antes da remoção é o que sustenta a garantia condicionada. Sem ele, tudo parece trabalho seu.
Leia também: garantia da clínica: como refazer sem perder margem.
Roteiro do avaliador e da CRC para apresentar a contingência
O medo de quem apresenta é que a palavra contingência derrube o fechamento. O que derruba é a surpresa depois.
E o paciente que chegou à avaliação já é escasso. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa. Base: operação de atendimento das clínicas OR.
Perder esse paciente por um custo inesperado no meio do tratamento desperdiça toda a aquisição.
O roteiro em seis falas:
- Abra pelo que se sabe e pelo que não se sabe. "Pelo que eu vejo agora, a coroa precisa ser trocada. O que está por baixo eu só consigo ver quando remover."
- Apresente o caminho-base com preço. "Se o dente estiver bom por baixo, o tratamento é este e custa este valor."
- Apresente cada contingência como se, então, custa. "Se o pino estiver solto, trocamos o pino, e isso acrescenta este valor."
- Dê o teto. "No pior cenário dentro deste plano, o total fica neste valor. Se aparecer algo fora disso, eu paro e conversamos antes de fazer qualquer coisa."
- Combine a pausa. "Se eu encontrar algo durante a remoção, eu te mostro na tela e você decide."
- Feche a etapa certa. Peça o aceite da etapa diagnóstica e do plano em camadas, com assinatura no orçamento e no TCLE.
Troque o termo técnico pelo que o paciente entende:
| Termo técnico | Como dizer ao paciente |
|---|---|
| Núcleo ou pino | A base que segura a coroa por dentro do dente |
| Retratamento endodôntico | Refazer o tratamento de canal |
| Lesão periapical | Uma inflamação na ponta da raiz |
| Aumento de coroa clínica | Um ajuste na gengiva para a coroa nova encaixar |
| Peri-implantite | Uma inflamação em volta do implante que pode tirar osso |
| Componente ou pilar | A peça que liga o implante ao dente de porcelana |
O que não dizer: "pode sair mais caro". Prefira: "o valor final depende do que encontrarmos, e você vai saber de cada passo antes".
Protocolo interno: a indicação não pode depender de quem atende
Pensa assim: se dois dentistas da sua clínica olham o mesmo caso e só um indica retratamento, o seu orçamento muda conforme a agenda. A margem também.
A variação é medida. No estudo Tromsø 7, publicado na Caries Research (volume de 2025), com 17 dentistas calibrados avaliando adultos do Norte da Noruega, 16% da variância nas sugestões de retratamento de restaurações foi explicada no nível do dentista.
Os autores registram uma ampla gama de sugestões de tratamento entre os dentistas e afirmam que o diagnóstico de cárie secundária ainda é matéria de incerteza. E isso com profissionais calibrados.
O protocolo que reduz essa variação na sua clínica:
- Critérios escritos de indicação para retratar canal, trocar núcleo, manter ou remover implante e indicar extração, definidos pelo diretor clínico.
- Uma tabela única de contingências e valores para toda a equipe.
- Segunda opinião interna obrigatória quando o caso cair em ruptura de plano.
- Motivo da indicação registrado no prontuário, com o critério usado.
- Revisão periódica dos casos com maior diferença entre orçado e realizado.
Protocolo não engessa o dentista. Ele impede que o preço do caso dependa do humor do dia.
Quando recusar ou não orçar sem remover
Nem todo caso de refação deve receber orçamento definitivo na primeira consulta. Critérios de corte:
- Sem documentação mínima: não emita o orçamento definitivo. Emita o da etapa diagnóstica.
- Sistema de implante não identificado e sem componente compatível acessível: inclua a identificação como etapa, ou encaminhe.
- Paciente que não aceita etapa diagnóstica nem cláusula de alteração: ofereça preço fechado com o risco absorvido pelo valor esperado, mais uma folga definida por você, ou recuse a execução.
- Caso fora da sua capacitação ou do seu escopo: encaminhe, como pede o art. 11, V do Código de Ética.
- Paciente que quer de você um laudo contra o colega, e não um tratamento: isso é outro serviço, de outra natureza. Não misture com o orçamento de tratamento.
Em todos esses casos, a remoção exploratória, quando feita, é cobrada pela etapa diagnóstica do Passo 1.
Recusar com critério também protege a agenda. Caso mal precificado ocupa cadeira que pagaria melhor com outro paciente.
Indicadores para o dono acompanhar
Sem medir, o valor esperado vira chute de novo. Estes são os indicadores que fecham o ciclo:
| Indicador | Como calcular | O que revela |
|---|---|---|
| Desvio orçado x realizado | (valor realizado menos valor do caminho-base) dividido pelo valor do caminho-base, por caso de refação | Se as camadas estão capturando o risco |
| Contingências acionadas | Contingências executadas divididas pelas contingências orçadas, por tipo de gatilho | A probabilidade que alimenta o valor esperado |
| Custo absorvido | Valor dos achados executados sem cobrança | Margem que vazou por falta de linha ou de pausa |
| Margem por caso de refação | Receita do caso menos custos diretos (cadeira, laboratório, material, terceiros) | Se a refação paga a operação ou só ocupa agenda |
| Aceite com contingência | Casos fechados divididos pelos apresentados, com e sem camadas | Se o roteiro está derrubando o fechamento |
| Variação por dentista | Desvio e contingências acionadas por profissional | Onde o protocolo não está sendo seguido |
| Registro de entrada completo | Casos com fotos e exames antes da remoção divididos pelo total | Proteção jurídica e base da garantia |
O indicador de contingências acionadas é o mais importante. Ele transforma a probabilidade inventada do Passo 3 na probabilidade real da sua clínica.
Seu próximo passo
- Crie a etapa diagnóstica de refação na sua tabela de preços, com escopo, valor e regra escrita para desistência.
- Reescreva o orçamento de refação em camadas, usando o modelo de orçamento, o contrato e o TCLE do Manual do Prontuário do CFO como base, revisados pelo seu jurídico.
- Comece a medir orçado x realizado em todo caso de refação, a partir do próximo, para trocar o palpite pelo valor esperado da sua própria clínica.
Quer que o paciente de alto ticket que chega à sua avaliação vire tratamento fechado, sem surpresa no meio do caminho? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Posso cobrar a remoção exploratória se o paciente desistir depois dela?
Sim, desde que a remoção tenha sido orçada e aprovada como etapa própria antes de ser feita. O art. 40 do Código de Defesa do Consumidor exige orçamento prévio discriminado do serviço, e o art. 19 do Código de Ética Odontológica inclui a complexidade do caso, o tempo de atendimento e o custo operacional entre os critérios de honorário. Escreva no orçamento da etapa diagnóstica o que acontece se o paciente não seguir com o tratamento.
Posso dar orçamento fechado num caso de refação?
Pode, mas aí o risco do que está por baixo passa a ser seu e precisa estar dentro do preço. Calcule esse risco pelo valor esperado, o método que o CPC 25 descreve como ponderar cada desfecho possível pela sua probabilidade, usando o histórico da sua clínica. Sem essa conta, o preço fechado é uma aposta contra a sua própria margem.
Posso aumentar o valor no meio do tratamento se encontrar algo por baixo?
Só se a possibilidade estava escrita e o paciente concordar com a mudança antes da execução. Pelo art. 40, parágrafo 2º do Código de Defesa do Consumidor, o orçamento aprovado obriga as partes e só pode ser alterado mediante livre negociação. O modelo do Manual do Prontuário do CFO prevê que o paciente seja informado da alteração de plano e valor para sua concordância ou não.
E se o achado exigir um especialista ou laboratório externo?
Coloque esse terceiro no orçamento antes, como linha da contingência. Pelo art. 40, parágrafo 3º do Código de Defesa do Consumidor, o consumidor não responde por ônus ou acréscimos decorrentes de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio. Endodontista externo, laboratório e exame complementar que não estavam listados tendem a virar custo da clínica.
Quem paga a refação quando o trabalho anterior tinha defeito?
Depende de haver vício do serviço e do que o paciente decidir exigir de quem fez o trabalho. O art. 20 do Código de Defesa do Consumidor dá ao consumidor o direito à reexecução sem custo adicional, à restituição ou ao abatimento, e o parágrafo 1º permite que a reexecução seja confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor. Você não decide isso pelo paciente, mas documenta o estado do trabalho antes de remover.
Posso dizer ao paciente que o dentista anterior errou?
Não dessa forma. O art. 13, VI do Código de Ética Odontológica trata como infração criticar erro técnico-científico de colega ausente, salvo por meio de representação ao Conselho Regional. Descreva o que você vê e o que precisa ser feito, sem atribuir causa nem culpa.