Escolher Agência

A agência me mandou uma projeção de pacientes e faturamento na proposta. Como conferir se essa conta fecha antes de assinar?

A projeção de pacientes e faturamento da proposta é uma cadeia de premissas multiplicadas. Veja como desmontar a conta de trás pra frente, etiquetar a origem de cada taxa, conferir denominador e prazo, separar o que depende da sua clínica, refazer em três cenários com fee e margem, e saber o que a projeção vale no contrato.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 4 de outubro de 2026 · 23 min de leitura
TL;DR

Desmonte a projeção etapa por etapa (verba, custo por lead, agendamento, comparecimento, fechamento, ticket), exija a origem de cada taxa e refaça a conta com os números da sua clínica: se a proposta só fecha no cenário otimista, ela não fecha.

Pontos-chave
  • A previsão da plataforma não chega no paciente. A Ajuda do Google Ads descreve as previsões do Planejador de palavras-chave como estimativas aproximadas de cliques e impressões por dia e, com o acompanhamento de conversões ativo, de conversões registradas na conta; comparecimento, fechamento e ticket da projeção são premissas da agência, não previsão do Google.
  • O prazo também é premissa. Segundo a Ajuda do Google Ads, a estratégia de lances pode levar até 50 eventos de conversão ou 3 ciclos de conversão para se ajustar a um novo objetivo, e conversões podem ser registradas em até 90 dias, dependendo da janela de conversão; a Meta descreve o aprendizado se estabilizando com no mínimo 50 eventos em 7 dias.
  • O denominador muda a taxa. Nos dados internos da Odonto Results, 12% de todos os leads viram agendamento dentro do WhatsApp, mas entre os que respondem a mediana entre clínicas é de 21%, sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Por que a projeção é uma cadeia de premissas, não um número
  4. 1. Desmonte a projeção em etapas (o funil reverso)
  5. 2. Etiquete a origem de cada premissa
  6. 3. Confira o denominador de cada taxa
  7. 4. Compare os custos certos: lead, agendamento, cadeira e paciente que fechou
  8. 5. Onde a projeção costuma inflar (seis pontos de ar)
  9. 6. Coloque o tempo na conta: aprendizado, janela de conversão e ciclo do tratamento
  10. 7. Separe o que depende da agência do que depende da sua clínica
  11. 8. Cheque a atribuição: indicação não é resultado de anúncio
  12. 9. Faça o teste de sensibilidade: pessimista, provável e otimista
  13. 10. Calcule o ROI do jeito certo: com fee e sobre a margem
  14. 11. Compare com a visão de fora, não com o case de sucesso
  15. 12. O que a projeção vale no contrato (arts. 427 e 422 do Código Civil)
  16. 13. Promessas que não fecham por definição
  17. 14. Perguntas para mandar à agência antes de assinar
  18. 15. Checklist de auditoria em uma página
  19. Seu próximo passo
  20. Perguntas frequentes

"A agência me mandou uma projeção de pacientes e faturamento na proposta. Como conferir se essa conta fecha antes de assinar?"

A proposta chegou bonita. Tem a verba, algumas setas e, lá no fim, um faturamento que faz o contrato parecer barato.

Mas aquele número não é uma previsão. É uma multiplicação.

Verba vira lead, lead vira agendamento, agendamento vira paciente na cadeira, paciente vira tratamento fechado, tratamento vira faturamento. Cada seta é uma premissa.

A resposta curta: desmonte a conta de trás pra frente, descubra de onde veio cada taxa e refaça com os números da sua clínica. Se a proposta só fecha no cenário otimista, ela não fecha.

E tem um detalhe que quase ninguém nota. Nem a plataforma de anúncio projeta paciente.

A Ajuda do Google Ads descreve as previsões do Planejador de palavras-chave como "estimativas aproximadas do número de cliques e impressões que você pode receber por dia", e explica que a previsão das impressões considera lance, orçamento, periodicidade e qualidade histórica dos anúncios. Com o acompanhamento de conversões ativo, a previsão do plano também mostra "quantas conversões, cliques ou impressões é provável que você receba". Essa conversão é o evento configurado na conta, como um formulário enviado ou uma mensagem; paciente na cadeira só entra se a clínica devolver esse dado para a plataforma.

Tudo o que vem depois desse evento é premissa de quem escreveu a proposta.

Neste guia você vai ver:

  • Como desmontar a projeção em etapas e etiquetar a origem de cada premissa
  • Por que o denominador de cada taxa infla o resultado no papel, e onde mais a conta costuma inflar
  • Como o prazo das plataformas e o ciclo do tratamento empurram o faturamento pra frente
  • O que depende da agência, o que depende da sua CRC, e como refazer a conta em três cenários com fee e margem
  • O que a projeção vale no contrato, as perguntas para mandar antes de assinar e um checklist de uma página

Por que a projeção é uma cadeia de premissas, não um número

Toda projeção de pacientes e faturamento tem a mesma estrutura:

Faturamento = (verba ÷ custo por lead) × agendamento × comparecimento × fechamento × ticket médio

Repare no sinal de multiplicação. Ele é o problema.

Numa soma, um erro numa parcela fica diluído no total. Numa multiplicação, cada premissa otimista se acumula em cima da anterior.

Exemplo: se quatro taxas da projeção estiverem, cada uma, 20% acima da realidade, o faturamento projetado sai cerca de duas vezes maior que o real (1,2 × 1,2 × 1,2 × 1,2 dá 2,07).

Ninguém precisou mentir para isso acontecer. Bastou ser um pouco otimista em cada etapa.

Por isso a auditoria não começa no número final. Começa em cada elo.

1. Desmonte a projeção em etapas (o funil reverso)

Pegue a proposta e reescreva a conta numa folha, uma linha por etapa. Se alguma etapa não aparece, peça.

Projeção que salta da verba direto para o faturamento esconde justamente as premissas que você precisa auditar.

Etapa O que a proposta precisa mostrar Natureza
Verba de mídia Valor mensal só de anúncio, separado do fee Dado
Custo por lead (CPL) Por canal (Google, Meta, outros) Premissa
Leads Volume mensal esperado Verba ÷ CPL
Taxa de resposta Quantos leads respondem ao primeiro contato Premissa
Agendamento Quantos leads viram consulta marcada Premissa
Comparecimento Quantos agendados chegam à cadeira Premissa
Fechamento Quantos avaliados fecham plano de tratamento Premissa
Ticket médio Valor médio do plano fechado Premissa
Faturamento Valor do mês Fechados × ticket

Agora inverta o sentido. Em vez de partir da verba e descer, parta do faturamento prometido e suba.

Quantos tratamentos fechados esse faturamento exige? Quantas avaliações isso pede? Quantos agendamentos? Quantos leads? No topo, compare o volume de leads necessário com o que a verba de fato compra.

Veja como fica num caso inventado.

Exemplo hipotético (números ilustrativos, não são referência de mercado): a proposta promete R$ 300 mil de faturamento por mês com R$ 10 mil de verba.

Etapa Premissa da proposta (exemplo) Resultado
Verba de mídia R$ 10.000
Custo por lead R$ 20 500 leads
Agendamento 30% dos leads 150 agendados
Comparecimento 80% dos agendados 120 na cadeira
Fechamento 50% dos avaliados 60 tratamentos
Ticket médio R$ 5.000 R$ 300.000

A tabela fecha. A aritmética está certa.

A pergunta é outra: cada uma dessas premissas veio de onde?

2. Etiquete a origem de cada premissa

Ao lado de cada taxa da proposta, escreva uma de quatro etiquetas. Elas não têm o mesmo peso.

Origem da premissa Como reconhecer Quanto vale
Dado da sua clínica Saiu do seu CRM, da sua agenda ou do seu financeiro O mais forte, se a medição for confiável
Média de outras clínicas da agência Vem com recorte, base e janela de tempo Útil, se trouxer a distribuição e não só o melhor caso
Benchmark sem fonte "O mercado converte tanto", sem estudo, base ou link Fraco: trate como chute educado
Chute Número redondo que ninguém sabe explicar Nulo até ser justificado

Repare num padrão. A projeção pode ter custo por lead medido de verdade (a agência vê isso todo dia nas contas que gere) e comparecimento chutado (que a agência raramente acompanha).

A parte que a agência controla costuma vir medida. A parte que depende da sua clínica costuma vir estimada.

Se a proposta não perguntou nada sobre a sua operação antes de projetar comparecimento e fechamento, essas duas taxas são chute, por definição.

Lembre: uma projeção sem a origem de cada taxa não é um plano. É uma vitrine. Peça a origem por escrito, linha por linha.

3. Confira o denominador de cada taxa

Esse é o ponto mais silencioso da conta, e nem sempre é má-fé. A mesma operação gera taxas bem diferentes dependendo de quem está embaixo da fração.

Veja com dados reais, não hipotéticos:

Taxa Numerador Denominador Valor Recorte e janela
Lead para agendamento agendou no WhatsApp todos os leads 12% (faixa típica de 9% a 15%) Dados internos da Odonto Results, agendamento dentro do WhatsApp, sem telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026
Respondeu para agendamento agendou no WhatsApp só quem respondeu 21% na mediana entre clínicas (faixa típica de 16% a 28%) Dados internos da Odonto Results, mesmo recorte, sem telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026
Funil completo agendou por qualquer via todos os leads 20% a 40% Dados internos da Odonto Results, faixa da operação de atendimento (IA, equipe e telefone), sem janela de snapshot

Nenhuma linha está errada. A diferença entre a primeira e a segunda é só a escolha do denominador.

Agora imagine uma proposta que pega a taxa calculada sobre quem respondeu e aplica sobre todos os leads. O número de agendamentos projetado sobe sem nenhuma mudança na operação.

A mesma armadilha aparece mais adiante:

  • Comparecimento: sobre os agendados ou sobre os leads?
  • Fechamento: sobre quem compareceu ou só sobre quem recebeu orçamento?
  • Agendamento: inclui remarcação e retorno, ou só primeira consulta?

A pergunta que desarma tudo isso é sempre a mesma: para cada taxa, quantos em cima e quantos embaixo?

4. Compare os custos certos: lead, agendamento, cadeira e paciente que fechou

A proposta quase sempre destaca o custo por lead. É o menor número do funil, e por isso o mais confortável de mostrar.

E o custo por lead raramente é o mistério da conta. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads (WhatsApp R$14,10 e formulário R$12,14 na mediana entre clínicas, com faixas sobrepostas). Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

O que decide se a conta fecha são os custos de baixo. A cada etapa, o mesmo investimento é dividido por um número menor:

Custo Fórmula O que mostra
Custo por lead Investimento ÷ leads Eficiência da mídia
Custo por agendamento Investimento ÷ agendados Mídia mais atendimento
Custo por paciente na cadeira Investimento ÷ comparecimentos Mídia, atendimento e confirmação
CAC (custo por paciente que fechou) Investimento ÷ tratamentos fechados O custo real de um paciente novo

No exemplo hipotético da seção 1, só com os R$ 10 mil de mídia: R$ 20 por lead, cerca de R$ 67 por agendamento, cerca de R$ 83 por paciente na cadeira e cerca de R$ 167 por paciente que fechou. E isso antes de somar o fee da agência.

Esse CAC só existe se todas as premissas de cima forem verdade.

Projeção sem custo por agendamento e sem CAC esconde a etapa em que a verba vira (ou não vira) paciente. Para saber qual CAC a sua margem aguenta, veja quanto você pode pagar por paciente sem prejuízo.

5. Onde a projeção costuma inflar (seis pontos de ar)

Na prática, o ar da projeção costuma entrar por estes pontos:

  1. Comparecimento otimista. É a taxa que a agência menos acompanha e a que mais depende da sua confirmação de consulta. Nos dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone), 20% a 50% dos agendados comparecem; é uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado. Comparecimento muito acima disso, sem perguntar como você confirma consulta, é aposta.
  2. Fechamento de plano otimista. Fechamento depende da avaliação, da apresentação do orçamento, da negociação e das condições de pagamento. Nada disso está na mão da agência. Se a proposta crava um fechamento alto, pergunte em qual clínica ele foi medido e com qual ticket.
  3. Ticket do procedimento mais caro aplicado a todo paciente. O anúncio é de implante ou ortodontia, e o ticket da projeção também. Só que parte de quem chega quer avaliação, limpeza ou um procedimento menor. Peça o ticket por tipo de tratamento, ponderado pelo mix real da sua clínica.
  4. Receita do tratamento inteiro contada no mês 1. Exemplo: um plano de ortodontia fechado hoje e pago em parcelas ao longo do tratamento não vira caixa cheio no mês da venda. Somar o valor total do plano no mês do fechamento confunde venda com recebimento.
  5. Custo por lead de campanha madura aplicado ao primeiro mês. Campanha nova passa por fase de aprendizado (detalhe na próxima seção). Usar o custo de uma conta estabilizada no mês 1 ignora esse período.
  6. Paciente de indicação contado como resultado de anúncio. Esse ponto é tão importante que tem seção própria, mais abaixo.

6. Coloque o tempo na conta: aprendizado, janela de conversão e ciclo do tratamento

Projeção plana (o mesmo faturamento do mês 1 ao mês 12) é sinal de alerta. As próprias plataformas descrevem um começo diferente.

Google Ads. Quando a estratégia de lances automática muda de objetivo, a Ajuda do Google Ads informa que ela "pode levar até 50 eventos de conversão ou 3 ciclos de conversão para se ajustar ao novo objetivo", período sinalizado pelo status "Aprendizado". O próprio Google ressalva que o tempo pode ser menor, dependendo dos dados de conversão disponíveis.

Meta Ads. O guia de otimização de campanhas da Meta para desenvolvedores, escrito para quem anuncia apps de realidade virtual pelo Gerenciador de Anúncios da Meta, diz que o aprendizado acontece no nível do conjunto de anúncios e que o período de aprendizado se estabiliza com no mínimo 50 eventos em 7 dias.

Janela de conversão. A Ajuda do Google Ads sobre o tempo até a conversão explica que conversões podem ser registradas em até 90 dias, dependendo da janela de conversão escolhida. O relatório do primeiro mês ainda não contou tudo o que o primeiro mês gerou.

Ciclo do tratamento. Na clínica existe um atraso que nenhuma plataforma mede: da mensagem à avaliação, da avaliação ao fechamento, do fechamento ao recebimento.

O que isso significa na prática?

  • Pergunte em qual evento a campanha vai otimizar e quantos desses eventos a verba compra por semana. Se o evento for raro (consulta agendada, por exemplo) e a verba for pequena, o aprendizado pode demorar mais do que a projeção supõe.
  • Peça a projeção mês a mês, com rampa nos primeiros meses, e não um número plano.
  • Separe faturamento vendido de faturamento recebido. São duas linhas diferentes no seu fluxo de caixa.

Para a visão completa de prazo, veja quanto tempo o marketing leva para dar resultado.

7. Separe o que depende da agência do que depende da sua clínica

A projeção é um funil com dois donos. A agência controla o topo. A sua clínica controla o resto.

Etapa Quem controla O que a proposta deveria perguntar
Verba, canais, criativo e custo por lead Agência Qual verba mínima, quais canais, qual evento de otimização
Primeira resposta ao lead Clínica (CRC ou IA de atendimento) Quem responde, em quanto tempo, à noite e no fim de semana
Agendamento Clínica (CRC) Quem conversa, quem liga, com qual roteiro
Comparecimento Clínica Como confirma a consulta, com quanta antecedência
Fechamento Clínica (dentista e CRC) Como apresenta o orçamento, que condições de pagamento oferece
Ticket médio Clínica Qual o mix real de tratamentos

A primeira resposta pesa mais do que parece. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Se a sua CRC só atende em horário comercial, uma parte grande dos leads da projeção espera até o dia seguinte para ouvir alguém. A taxa de agendamento da proposta não sabe disso, a menos que alguém tenha perguntado.

Isso não é desculpa para a agência. É o motivo para a proposta perguntar.

Projeção que assume a sua operação sem perguntar como ela funciona está projetando a operação de outra clínica.

8. Cheque a atribuição: indicação não é resultado de anúncio

Exemplo: uma paciente indicada por uma amiga pesquisa o nome da clínica no Google, clica no anúncio que aparece no topo e manda mensagem. Na plataforma, isso conta como conversão do anúncio. Na vida real, quem trouxe a paciente foi a indicação.

Se a projeção se apoia em resultados de outras clínicas medidos só pela plataforma, parte desses resultados pode ser paciente que viria de qualquer jeito.

Como checar:

  1. Pergunte se haverá campanha no nome da sua clínica (campanha de marca) e se essas conversões entram na conta do resultado.
  2. Registre "como nos conheceu" no prontuário ou no CRM de todo paciente novo, com opções fechadas (anúncio no Instagram, Google, indicação, passou na frente, outro).
  3. Compare a contagem da plataforma com a do seu cadastro. A diferença entre as duas é o pedaço da atribuição que precisa de explicação.
  4. Combine antes de assinar qual das duas fontes vale para medir a meta.

9. Faça o teste de sensibilidade: pessimista, provável e otimista

Agora refaça a conta do exemplo hipotético em três cenários. Os números continuam inventados; o método é o que importa. Troque pelos da sua clínica.

Premissa (exemplo hipotético) Pessimista Provável Otimista (a proposta)
Leads (R$ 10 mil ÷ R$ 20) 500 500 500
Agendamento 15%, 75 agendados 20%, 100 agendados 30%, 150 agendados
Comparecimento 50%, 37 na cadeira 60%, 60 na cadeira 80%, 120 na cadeira
Fechamento 30%, 11 tratamentos 40%, 24 tratamentos 50%, 60 tratamentos
Ticket médio R$ 2.500 R$ 3.500 R$ 5.000
Faturamento do mês R$ 27.500 R$ 84.000 R$ 300.000

No exemplo, com a mesma verba e o mesmo custo por lead, o faturamento varia mais de dez vezes entre o pior e o melhor cenário, só pelas premissas que dependem da clínica.

Agora a pergunta-chave: qual premissa, se cair pela metade, derruba o ROI?

Numa cadeia de multiplicação, qualquer taxa cortada pela metade corta o faturamento pela metade. Então a pergunta útil não é qual premissa pesa mais. É qual tem mais chance de estar errada.

Em geral, são as que ninguém mediu: comparecimento e fechamento.

A conta do empate

Faça também a conta do ponto de equilíbrio. Ela é mais robusta que qualquer projeção, porque não depende de acertar o faturamento:

Pacientes fechados para empatar = investimento total ÷ (ticket médio × margem de contribuição)

Exemplo hipotético: investimento total de R$ 15 mil (R$ 10 mil de mídia mais R$ 5 mil de fee), ticket de R$ 3.500 e margem de contribuição de 40%. Use a sua margem: é o que sobra do tratamento depois de laboratório, material e comissão.

Nesse exemplo, cada paciente fechado deixa R$ 1.400. Para empatar, você precisa de cerca de 11 pacientes fechados por mês.

No cenário provável (24 fechados), sobra margem. No pessimista (11 fechados com ticket de R$ 2.500, ou R$ 1.000 de margem cada), você fica cerca de R$ 4 mil abaixo do empate.

Se a proposta só se paga no cenário otimista, você não está comprando um plano. Está comprando uma aposta.

10. Calcule o ROI do jeito certo: com fee e sobre a margem

Duas distorções aparecem com frequência no ROI de proposta:

  1. Só a mídia no investimento. O fee da agência, as ferramentas e a produção de conteúdo também são custo de captação.
  2. Faturamento no lugar do ganho. Faturamento de tratamento não é lucro: tem laboratório, material, hora clínica e comissão.

A fórmula que conversa com o seu caixa:

ROI = (faturamento atribuído × margem de contribuição - investimento total) ÷ investimento total

Exemplo hipotético, cenário provável: (R$ 84.000 × 40% - R$ 15.000) ÷ R$ 15.000 = (R$ 33.600 - R$ 15.000) ÷ R$ 15.000 = 1,24, ou seja, 124%.

Agora compare com o "ROI" que a proposta do exemplo mostraria: R$ 300 mil de faturamento sobre R$ 10 mil de mídia, ou "30 vezes". São duas contas sobre a mesma verba. Só uma delas paga as contas da clínica.

Margem de segurança. No mesmo exemplo, o investimento de R$ 15 mil consome cerca de 45% dos R$ 33.600 de margem. Ou seja, o faturamento provável pode cair cerca de 55% antes de virar prejuízo. Quanto maior essa folga, mais a proposta aguenta erro de premissa.

LTV e CAC. O CAC olha o primeiro tratamento. O LTV (valor do paciente ao longo do relacionamento: retornos, novos tratamentos, indicações) olha a vida inteira dele na clínica.

No exemplo provável, o CAC com fee fica em R$ 625 (R$ 15 mil ÷ 24 pacientes), e a margem só do primeiro tratamento já é de R$ 1.400. Defina antes de assinar qual razão mínima entre LTV e CAC você aceita, e meça com dados da sua clínica, não com um LTV médio estimado pela agência.

11. Compare com a visão de fora, não com o case de sucesso

Toda proposta traz um case. E o case é, por natureza, um dos melhores resultados da agência. Projetar a sua clínica a partir dele é tratar o topo da distribuição como se fosse o meio.

A literatura de decisão chama a correção disso de visão de fora (em inglês, reference class forecasting). Em vez de perguntar "quanto aquela clínica brilhante faturou?", você pergunta "qual foi a distribuição de resultados em clínicas parecidas com a minha?".

A dispersão real é maior do que um case deixa ver. Nos dados internos da Odonto Results, a taxa de lead para agendamento dentro do WhatsApp (sem telefone) tem mediana de 12%, com faixa típica de 9% a 15%, mas entre clínicas a faixa total vai de 2,6% a 56,1%. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

A clínica do topo dessa faixa e a clínica mediana são reais e vieram da mesma base. Um case mostra só a primeira.

O que pedir à agência:

  • Mediana e faixa das clínicas parecidas com a sua, e não só o melhor resultado.
  • O pior resultado recente e o que a agência fez com ele.
  • O recorte: especialidade, porte de cidade, verba e janela de tempo comparáveis aos seus.

12. O que a projeção vale no contrato (arts. 427 e 422 do Código Civil)

Uma dúvida comum: se a proposta trouxe um número de faturamento, a agência fica obrigada a entregá-lo?

O ponto de partida é o art. 427 do Código Civil: "A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso."

Repare na ressalva. Quando a própria proposta chama o número de "estimativa", "simulação" ou "projeção não garantida", o contrário resulta dos termos dela. Na prática, projeção rotulada como estimativa tende a não funcionar como promessa exigível.

O art. 422 do mesmo Código completa o quadro: "Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé." Uma projeção sem base nenhuma, apresentada só para fechar a venda, conversa mal com esse dever. Mas discutir boa-fé depois do problema é caro e lento.

O caminho mais seguro é levar o que importa da proposta para dentro do contrato, como cláusula de meta ou de indicador:

  1. O indicador, com definição escrita. Por exemplo, "consulta agendada com nome e telefone do paciente", e não "lead qualificado".
  2. A fonte da medição. CRM da clínica, relatório da plataforma, ou os dois.
  3. O prazo e a rampa, respeitando o período de aprendizado das plataformas.
  4. O que acontece se não bater. Revisão de plano, desconto, saída sem multa.
  5. O que é responsabilidade da clínica, para que a meta não seja cobrada de quem não controla a etapa.

Este conteúdo é orientação de gestão, não parecer jurídico. Para redigir a cláusula, envolva o seu advogado. E, para estruturar a cobrança depois de assinar, veja como cobrar resultado e responsabilizar a agência.

13. Promessas que não fecham por definição

Algumas frases dispensam auditoria. Elas não fecham porque não têm como ser verificadas, ou porque contradizem o funcionamento que as próprias plataformas descrevem.

Promessa Por que não fecha
"Leads qualificados garantidos" Sem definição escrita de "qualificado", não há como medir nem cobrar
ROI numérico antes de ver qualquer dado da sua clínica O ROI depende de comparecimento, fechamento e ticket, que são seus
"Resultado em 30 dias" Ignora o período de aprendizado e a janela de conversão descritos pelo Google e pela Meta
Projeção sem custo por agendamento Pula a etapa em que a verba vira (ou não vira) paciente
Ticket de implante ou ortodontia para todo paciente Troca o mix real de tratamentos pelo procedimento mais caro
Mesmo faturamento do primeiro ao último mês Campanha nova tem rampa, e uma linha plana ignora isso

Repare que nenhuma dessas promessas é ilegal. Elas só não são auditáveis.

E o que não é auditável não pode ser cobrado.

14. Perguntas para mandar à agência antes de assinar

Copie, mande por WhatsApp ou e-mail e peça resposta por escrito:

  1. De onde vem cada taxa da projeção: dado da minha clínica, média das clínicas que vocês atendem ou referência externa? Qual?
  2. Qual o denominador de cada taxa? O agendamento é sobre todos os leads ou só sobre quem respondeu?
  3. Qual a base e a janela de tempo dos números usados? Quantos leads, em qual período?
  4. Qual a mediana e a faixa desses números em clínicas parecidas com a minha, e não só o melhor caso?
  5. Qual o custo por agendamento e o custo por paciente que fechou projetados, além do custo por lead?
  6. Em qual evento a campanha vai otimizar, e quantos desses eventos a verba compra por semana?
  7. Como fica a projeção mês a mês nos primeiros meses, considerando o aprendizado das plataformas?
  8. Quem mede comparecimento e fechamento, com qual ferramenta, e como esses dados chegam até vocês?
  9. Como paciente de indicação e busca pelo nome da clínica entram (ou não) na conta do resultado?
  10. O que acontece se a meta não bater: revisão, desconto, saída sem multa?

A qualidade da resposta é, ela mesma, um dado. Agência que responde com método, recorte e janela mostra como vai trabalhar.

Agência que responde com mais um case mostra outra coisa.

15. Checklist de auditoria em uma página

Preencha esta tabela com a proposta de um lado e os números da sua clínica do outro. Onde a coluna "seu dado real" ficar vazia, comece a medir antes de assinar, ou negocie um período de teste (veja se vale pedir um projeto piloto antes do contrato anual).

Linha Premissa da proposta Origem (sua, média, sem fonte, chute) Denominador Seu dado real Cenário pessimista
Verba de mídia não se aplica
Fee e outros custos não se aplica
Custo por lead
Leads por mês
Agendamento
Comparecimento
Fechamento
Ticket médio (pelo mix real)
Faturamento do mês
Margem de contribuição
Pacientes para empatar
ROI sobre margem, com fee

Três sinais de que a conta não fecha:

  • Mais de uma premissa marcada como "sem fonte" ou "chute".
  • O cenário pessimista fica abaixo do empate.
  • A proposta não mostra custo por agendamento nem rampa de prazo.

Lembre: a melhor proposta não é a que projeta mais. É a que mostra a conta inteira, diz de onde veio cada número e aceita ser medida pelo que chega à cadeira.

Seu próximo passo

  1. Reescreva a projeção da proposta em linhas, uma por etapa, e etiquete a origem de cada taxa. Onde faltar etapa, peça.
  2. Mande as perguntas da seção 14 por escrito e refaça a conta em três cenários com os números da sua clínica, incluindo fee e margem de contribuição.
  3. Leve para o contrato só o que for mensurável: indicador definido, fonte de medição, rampa de prazo e o que acontece se a meta não bater.

Quer ver como fica uma projeção montada a partir do funil real da sua clínica, do anúncio ao comparecimento? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

A projeção de faturamento da proposta obriga a agência a entregar aquele número?

Em regra, só se a proposta não disser o contrário. O art. 427 do Código Civil diz que a proposta obriga o proponente "se o contrário não resultar dos termos dela", e uma projeção rotulada como estimativa tende a cair nessa ressalva. Se você quer compromisso, leve a meta para uma cláusula do contrato, com indicador definido, forma de medir e consequência, e revise o texto com o seu advogado.

Qual premissa da projeção costuma estar mais inflada?

Em geral, comparecimento e fechamento, porque dependem da operação da clínica e muitas vezes a agência não tem como medi-los. Nos dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone), 20% a 50% dos agendados comparecem, uma faixa da operação sem janela de snapshot. Projeção com comparecimento muito acima disso precisa explicar de onde veio o número.

Em quanto tempo uma projeção honesta deveria mostrar o resultado cheio?

Não no primeiro mês. A Ajuda do Google Ads diz que a estratégia de lances pode levar até 50 eventos de conversão ou 3 ciclos de conversão para se ajustar a um novo objetivo, e que conversões podem ser registradas em até 90 dias, dependendo da janela de conversão. Some o ciclo do tratamento na clínica e peça a projeção com rampa mês a mês.

Como calcular o ROI da proposta do jeito certo?

Use o investimento total (mídia, fee da agência e ferramentas) e o ganho sobre a margem, não sobre o faturamento bruto. A conta é: faturamento atribuído vezes margem de contribuição, menos o investimento total, dividido pelo investimento total. ROI calculado só sobre a mídia e sobre o faturamento sempre parece maior do que o caixa confirma.

O que perguntar para a agência antes de assinar?

Peça por escrito a origem de cada taxa, o denominador, a base e a janela dos números, a mediana e a faixa em clínicas parecidas com a sua, o custo por agendamento e por paciente que fechou, a rampa mês a mês, quem mede comparecimento e fechamento, e o que acontece se a meta não bater. A qualidade da resposta já mostra como a agência trabalha.

Vale aceitar uma projeção baseada no case de outra clínica?

Só como referência, e desde que venha com a distribuição. O case costuma ser um dos melhores resultados da agência, então peça a mediana, a faixa e o pior resultado de clínicas parecidas com a sua. Projetar a partir do topo da distribuição infla a conta sem mentir em nenhum número.