Escolher Agência

Quantos anúncios novos por mês uma agência séria deve testar na conta de uma clínica que já investe alto?

Não existe número mágico de criativos por mês. O volume certo sai da verba de teste dividida pelo custo de levar cada conceito novo a um veredito em custo por agendamento, respeita a fase de aprendizado da Meta e repõe criativo por sinal de fadiga. Veja a conta, as regras das plataformas, o limite ético do CFO e o que cobrar da agência todo mês.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 10 de outubro de 2026 · 20 min de leitura
TL;DR

Não existe número fixo: o volume certo é a verba de teste dividida pelo custo de levar cada conceito novo a um veredito em custo por agendamento, com poucos anúncios de ativos diversos e troca por sinal de fadiga, não por calendário.

Pontos-chave
  • A Meta informa que um conjunto de anúncios sai da fase de aprendizado após cerca de 50 resultados na semana seguinte à última edição significativa, e que anúncios demais ao mesmo tempo podem piorar o desempenho: o teto de testes da sua conta é a verba, não a criatividade da agência.
  • A maioria dos testes não vence: num documento de 2009 sobre experimentos controlados na Microsoft, Kohavi e coautores relatam que só cerca de um terço dos experimentos bem desenhados melhorou a métrica-chave, por isso o volume de conceitos novos se planeja pelo número de vencedores que a conta precisa repor.
  • Criativo se julga por agendamento, não por lead: segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. Por que o criativo merece uma verba de teste própria
  4. O que conta como anúncio novo: conceito, variação e arquivo
  5. Por que mais anúncios ao mesmo tempo pode piorar o resultado
  6. A conta do volume: quantos conceitos cabem na sua verba de teste
  7. Taxa de acerto: o volume depende de quantos vencedores você precisa
  8. Quando trocar o criativo: sinal medido, não calendário
  9. Onde subir o criativo novo sem derrubar o que funciona
  10. Diversidade de verdade: variação quase idêntica não é teste novo
  11. O limite ético do criativo odontológico
  12. A métrica que decide o vencedor: custo por agendamento e comparecimento
  13. De onde vêm os conceitos: o brief mensal
  14. Como cobrar a agência: o relatório mensal e os erros que ele revela
  15. Seu próximo passo
  16. Perguntas frequentes

"Quantos anúncios novos por mês uma agência séria deveria testar na conta de uma clínica que já investe alto?"

Você investe alto em mídia. E todo mês a agência avisa que "subiu criativo novo".

Mas quantos eram conceito novo de verdade? Quantos eram o mesmo anúncio com outra cor de fundo? E qual deles trouxe paciente na cadeira?

A resposta curta incomoda quem vende volume: não existe número mágico.

O volume certo sai de uma conta: verba de teste dividida pelo custo de levar cada conceito a um veredito, medido em custo por agendamento. E a própria Meta avisa que anúncios demais ao mesmo tempo podem resultar em desempenho pior, porque cada um entrega menos e menos anúncios saem da fase de aprendizado.

Então a pergunta certa não é "quantos". É "quantos a minha verba consegue julgar, e com qual régua".

Neste guia você vai ver:

  • O que conta como anúncio novo (conceito, variação e arquivo não são a mesma coisa)
  • A conta que define quantos conceitos cabem na sua verba de teste
  • Por que mais anúncios ao mesmo tempo pode piorar o resultado
  • Quando trocar o criativo e onde subir o novo sem derrubar o que funciona
  • O limite ético do criativo odontológico e o que cobrar da agência todo mês

Por que o criativo merece uma verba de teste própria

Antes da conta, o motivo. O criativo é a alavanca que você mais controla dentro do anúncio.

Num artigo de 2017, a Nielsen relata que, no Projeto Apollo de 2006, 65% do aumento de vendas de uma marca vindo da publicidade se devia ao criativo. O mesmo artigo apresenta uma pesquisa mais nova da NCSolutions, com quase 500 campanhas de bens de consumo de 2016 e do primeiro trimestre de 2017: o efeito da mídia nas vendas subiu de 15% para 36% em 11 anos.

Repare no escopo: são campanhas de bens de consumo, não de clínicas. A lição que transfere é a conclusão do artigo: o criativo bom continua sendo o fator mais importante, e com criativo fraco o aumento de vendas é fraco e fica atribuído principalmente à mídia.

Pra uma clínica que já investe alto, isso tem uma consequência prática.

Mais verba não compensa criativo cansado. Ela só leva o mesmo anúncio a mais gente, mais vezes.

O que conta como anúncio novo: conceito, variação e arquivo

Aqui mora a maior parte da confusão nos relatórios. "Subimos dezenas de criativos este mês" pode significar três coisas muito diferentes.

Nível O que é Exemplo numa clínica Conta como teste novo?
Conceito Ângulo novo: outra dor, outra dúvida, outra objeção respondida "Medo de dor na cirurgia de implante" contra "quanto tempo dura o tratamento com alinhador" Sim. É o que gera aprendizado
Variação Mesmo conceito com outro gancho, texto, abertura de vídeo ou formato O mesmo vídeo com outra frase nos primeiros segundos Às vezes. Serve pra refinar um conceito que já mostrou sinal
Arquivo O mesmo anúncio recortado em outra proporção ou posicionamento Versão vertical pro Reels e quadrada pro feed Não. É adaptação, não teste

Uma agência séria reporta os três níveis separados. Quando o relatório mistura tudo num número só, você não sabe se a conta aprendeu algo novo no mês ou só ganhou arquivos.

A Meta trabalha a favor dessa separação. Ela orienta diminuir o número de anúncios por conjunto, mantendo ativos criativos diversos em cada conjunto, e lembra que um anúncio pode conter vários ativos criativos, até 10.

Ou seja: variação e arquivo cabem dentro do mesmo anúncio. Conceito novo é que pede espaço próprio pra ser julgado.

Lembre: a medida de esforço da agência é conceito novo testado até o veredito. Número de arquivos é volume de produção, não de aprendizado.

Por que mais anúncios ao mesmo tempo pode piorar o resultado

Parece contraintuitivo. Mais teste deveria significar mais chance de achar vencedor.

Mas o sistema de entrega da Meta precisa de volume por anúncio pra aprender. Veja como funciona:

  1. Fase de aprendizado. Segundo a Central de Ajuda da Meta, um conjunto de anúncios sai do aprendizado quando consegue entregar de forma estável, o que normalmente acontece após cerca de 50 resultados na semana seguinte à última edição significativa. Durante o aprendizado, a Meta diz que o conjunto é menos estável e normalmente tem CPA mais alto.
  2. Fragmentação. Quando o anunciante roda anúncios demais ao mesmo tempo, cada um entrega menos, menos anúncios saem do aprendizado e mais verba é gasta antes de o sistema conseguir otimizar.
  3. Learning limited. Se o conjunto não junta resultados suficientes pra sair do aprendizado, a Meta mostra o status "Learning limited" na coluna de veiculação. É o sintoma clássico de verba dividida em pedaços pequenos demais.
  4. Limite por Página. A Meta impõe um teto de anúncios rodando ou em análise por Página, conforme o investimento no mês de maior gasto desde setembro de 2019: 250 anúncios pra Páginas abaixo de US$ 100 mil, 1.000 abaixo de US$ 1 milhão, 5.000 abaixo de US$ 10 milhões e 20.000 a partir de US$ 10 milhões.

Dois detalhes do limite importam pra quem tem mais de uma unidade ou mais de um fornecedor. O limite é um só por Página, somando os anúncios de todas as contas que anunciam por ela. E um anúncio com vários ativos (criativo dinâmico, por exemplo) conta como um anúncio só.

Mesmo longe desse teto, a conta trava no item 1 quando a verba não sustenta cada conjunto até sair do aprendizado. É esse o limite que manda no volume de teste.

E isso nos leva à conta.

A conta do volume: quantos conceitos cabem na sua verba de teste

Esta é a conta que responde a pergunta do título. Ela tem três ingredientes:

  1. Verba de teste do mês. Uma linha separada do orçamento, decidida antes, que não disputa com os anúncios vencedores.
  2. Custo pra chegar a um veredito. Quanto cada conceito precisa gastar até você poder dizer "venceu" ou "perdeu" com segurança, medido em custo por agendamento.
  3. Regra de corte. O limite de gasto, escrito antes do teste, a partir do qual o conceito que não gerou agendamento é cortado. Costuma ser um múltiplo do custo por agendamento que a conta já tem.

A fórmula fica assim:

Conceitos novos por mês ≈ verba de teste ÷ custo pra levar um conceito ao veredito

Exemplo hipotético (os números só ilustram a conta e não são recomendação): suponha que o custo por agendamento da sua conta seja R$ 150 e que vocês combinaram julgar cada conceito depois de gastar 5 vezes esse valor. Cada conceito consome R$ 750. Com R$ 7.500 de verba de teste no mês, cabem 10 conceitos. Com R$ 3.000, cabem 4, e subir 10 seria espalhar a verba sem veredito nenhum.

O segundo teto vem da própria Meta

Se cada conjunto precisa de cerca de 50 resultados na semana pra sair do aprendizado, o número de conjuntos que a sua verba sustenta ao mesmo tempo é, aproximadamente, a verba semanal dividida por 50 vezes o custo por resultado.

Exemplo de conta com dado real: segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads (WhatsApp R$14,10 e formulário R$12,14 na mediana entre clínicas, com faixas sobrepostas). Base: cerca de 94,6 mil leads, 36 meses. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026. Nesse custo, a conta simples com cerca de 50 leads por semana dá algo entre R$ 600 e R$ 700 por semana, por conjunto otimizado pra lead.

É por isso que a conta grande testa mais. Não porque a agência é mais criativa, mas porque a verba sustenta mais conjuntos saindo do aprendizado ao mesmo tempo.

E é por isso que subir muitos criativos numa verba curta não acelera nada. Só espalha.

Quanto reservar pra teste

Não existe percentual universal com base pública que dê pra cravar com honestidade. A referência pública mais próxima é da própria Meta: ao configurar um teste de criativo no Gerenciador de Anúncios, ela sugere usar no máximo 20% do orçamento já existente da campanha ou do conjunto nos anúncios de teste, pra reduzir o risco de afetar o desempenho geral durante o teste. É um teto pra um teste, não uma regra de reserva mensal.

O princípio é este:

  • O grosso da verba fica nos vencedores, que pagam a conta do mês.
  • A verba de teste é uma linha fixa, combinada antes, grande o bastante pra levar pelo menos alguns conceitos ao veredito.
  • Se a linha de teste não leva nenhum conceito ao veredito, ela é desperdício. Ou você aumenta a linha, ou testa menos conceitos por vez.

Taxa de acerto: o volume depende de quantos vencedores você precisa

A maioria dos testes não vence. Isso não é defeito da agência, é a natureza do experimento.

Num documento de 2009 sobre a plataforma de experimentos da Microsoft, Kohavi e coautores relatam que, entre experimentos bem desenhados e executados para melhorar uma métrica-chave, só cerca de um terço conseguiu melhorá-la. Pra ideias lançadas sem medir, a estimativa da equipe era de cerca de um terço boa, um terço neutra e um terço negativa.

O escopo ali é software e produto digital, não anúncio de clínica. Mas a lição transfere: a intuição de quem cria erra muito, e só o teste separa o conceito que funciona do que piora o resultado.

E o vencedor raro pode valer muito. Na Harvard Business Review (2017), Kohavi e Thomke contam um caso do Bing: em 2012, um funcionário teve a ideia de mudar o jeito de exibir o título dos anúncios. A ideia ficou engavetada por mais de seis meses e, quando enfim foi testada, aumentou a receita em 12%, o que em base anual passaria de US$ 100 milhões só nos Estados Unidos.

O que isso significa na prática? Você planeja o volume de trás pra frente:

  1. Quantos vencedores a conta precisa repor por mês, porque os atuais cansam.
  2. Quantos conceitos precisam ser testados pra, com a taxa de acerto real da sua conta, sair esse número de vencedores.
  3. Se esse número de conceitos cabe na verba de teste. Se não cabe, ou a linha de teste cresce, ou a conta aceita repor menos.

A taxa de acerto da sua conta é um número que a agência deveria medir e te mostrar. A de software serve de alerta, não de meta.

Quando trocar o criativo: sinal medido, não calendário

"Trocamos os criativos todo mês" soa organizado. Mas o calendário não tem relação com o desgaste real do anúncio.

A Meta tem um diagnóstico próprio. Segundo a página de recomendações de fadiga de criativo, quando o público viu o mesmo anúncio vezes demais, aparece um status na coluna de veiculação:

Status na Meta Quando aparece, segundo a Meta Leitura prática
Creative limited Custo por resultado acima dos anúncios que você rodou no passado, mas abaixo do dobro Hora de deixar o substituto pronto
Creative fatigue Custo por resultado igual ou maior que o dobro dos anúncios que você rodou no passado Hora de subir anúncio materialmente diferente

Dois detalhes da regra mudam a leitura:

  • A Meta considera todas as exposições recentes da imagem ou do vídeo, inclusive de outras campanhas da mesma Página. O mesmo vídeo rodando em várias campanhas soma exposição.
  • A Meta informa que o recurso só está disponível para conjuntos com um único criativo, e não para alguns formatos automatizados. Por isso a agência não pode depender só do status.

Os sinais que completam o diagnóstico, na sua conta:

  • Frequência subindo no mesmo público.
  • CTR caindo semana após semana com o mesmo anúncio.
  • CPM e custo por lead subindo sem mudança de verba ou de público.
  • Custo por agendamento piorando, que é o sinal que de fato pesa no caixa.

Por que verba alta queima criativo mais rápido

A fadiga vem de o público ver o mesmo anúncio vezes demais. Clínica anuncia num raio limitado em volta da unidade.

Mais verba no mesmo raio significa o mesmo grupo de pessoas vendo o mesmo anúncio mais vezes, mais cedo. É por isso que a conta que investe alto precisa de reposição constante, e não de mais do mesmo.

Quando a fadiga chega, a Meta recomenda criar um anúncio novo com imagem ou vídeo materialmente diferente do original e ampliar o público. E faz uma observação que muita agência ignora: manter o anúncio original ativo, em vez de pausá-lo, pode maximizar resultados.

No Google a lógica é parecida. Nas boas práticas de criativo do Performance Max, o Google orienta renovar os ativos criativos e não excluir ativo com classificação "baixa" sem substituí-lo por um novo.

Lembre: troca de criativo é resposta a um sinal medido. Se a agência não consegue dizer qual sinal disparou a troca, ela trocou por hábito.

Onde subir o criativo novo sem derrubar o que funciona

Este é o erro técnico mais caro numa conta que já performa.

A Meta classifica como edição significativa, que devolve o conjunto à fase de aprendizado:

  • qualquer mudança no criativo do anúncio;
  • adicionar um anúncio novo ao conjunto.

Traduzindo: jogar o criativo novo dentro do conjunto vencedor reinicia o aprendizado do vencedor. Você troca estabilidade por um teste.

A saída está na mesma página da Meta. Numa campanha com orçamento Advantage+ de campanha, adicionar um conjunto de anúncios novo não faz os outros conjuntos da mesma campanha voltarem ao aprendizado. Por isso o criativo novo costuma entrar num conjunto paralelo, e o vencedor segue intacto.

Mas tem um detalhe: na mesma página, a Meta avisa que ajustar o orçamento de uma campanha com Advantage+ pode devolver vários conjuntos ao aprendizado. Abrir espaço pro teste mexendo no orçamento da campanha toda pode custar o que você queria proteger.

A Meta também tem uma ferramenta própria pra isso. No teste de criativo do Gerenciador de Anúncios, você compara de 2 a 7 variações dentro de uma campanha que já existe, com entrega reservada aos anúncios de teste, e os que forem bem continuam rodando depois do teste sem perder o aprendizado do sistema de entrega. Duas ressalvas da própria Meta: o recurso só funciona com a estratégia de lance de maior volume, e o resultado não informa nível de confiança.

As regras de convivência entre teste e vencedor:

  1. Poucos anúncios por conjunto, com ativos diversos dentro de cada um. É a boa prática de volume da própria Meta.
  2. Não edite durante o aprendizado. A Meta recomenda esperar o conjunto sair da fase de aprendizado antes de editar, porque editar reinicia o aprendizado e atrasa a otimização.
  3. Não julgue cedo demais. A referência da Meta é a semana seguinte à última edição significativa. Matar um conceito em poucos dias é decidir com entrega instável.
  4. Não mexa no orçamento da campanha a cada teste, pelo motivo acima.

Diversidade de verdade: variação quase idêntica não é teste novo

Trocar a cor do botão, o filtro da foto ou uma palavra do texto gera "criativo novo" no relatório. Pro sistema de entrega, quase nada mudou.

As plataformas apontam na mesma direção:

Plataforma O que recomenda sobre diversidade de criativo Fonte
Meta Menos anúncios por conjunto, ativos diversos em cada um, até 10 ativos por anúncio Central de Ajuda da Meta
Google Demand Gen Regra de três: pelo menos 3 imagens ou vídeos em cada proporção (vertical, quadrada e horizontal) Ajuda do Google Ads
Google Performance Max Pelo menos 7 imagens, com renovação dos ativos Ajuda do Google Ads

No mesmo guia de excelência criativa do Demand Gen, o Google informa que, em média, anunciantes que rodam anúncios de vídeo e de imagem em campanhas Demand Gen obtêm 6% mais conversões por dólar do que os que rodam só imagem. É dado do próprio Google, mas aponta pro mesmo lado: formato diferente é teste diferente.

Na Meta, o motor de entrega também mudou. Ao apresentar o Andromeda em dezembro de 2024, a engenharia da Meta descreveu o novo sistema de recuperação de anúncios como desenhado pra lidar com o crescimento exponencial de criativos. E, ao falar dos próximos passos, afirmou que mais diversidade de anúncios pode melhorar a experiência das pessoas e gerar resultados melhores pro anunciante.

O que conta como diversidade de verdade numa clínica:

  • Ângulo diferente: medo da cirurgia, tempo de tratamento, dúvida sobre a primeira consulta, o profissional explicando o caso.
  • Formato diferente: vídeo vertical com o dentista falando, imagem estática com a pergunta do paciente, carrossel explicando as etapas do tratamento.
  • Pessoa diferente: quem fala no vídeo muda a leitura do anúncio.

O limite ético do criativo odontológico

Na clínica, o teste de criativo tem restrições que o e-commerce não tem. Alguns dos ângulos mais usados em outros mercados são proibidos ou restritos pra você.

O caso mais comum é o antes e depois. Pela Resolução CFO-196/2019, a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem. A clínica, como pessoa jurídica, não está autorizada a esse tipo de divulgação.

E terceirizar o anúncio não tira o dono da responsabilidade. O Código de Ética Odontológica regula também as pessoas jurídicas que atuam na Odontologia (art. 1º), e pelo art. 45, pela publicidade em desacordo com o Código respondem solidariamente os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que concorreram na infração, na medida de sua culpabilidade.

O art. 44 do mesmo Código de Ética Odontológica lista como infração ética fazer publicidade e propaganda enganosa ou abusiva, inclusive com expressões ou imagens de antes e depois, com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia. Veja em detalhe quem responde quando o anúncio infringe norma do CFO.

Isso muda o teste de criativo de duas formas:

  1. Cada conceito passa por revisão ética antes de subir. Teste em volume sem filtro de norma multiplica o risco junto com os anúncios.
  2. Os ângulos testáveis são outros. Medo de dor, tempo de tratamento, como funciona a avaliação, as dúvidas que o seu CRC mais ouve. A objeção de preço vira conteúdo educativo (o que diferencia um tratamento do outro), e o valor e as condições ficam pra conversa com o CRC.

A métrica que decide o vencedor: custo por agendamento e comparecimento

CTR mede quem clicou. Custo por lead mede quem mandou mensagem. Nenhum dos dois paga a clínica.

O criativo vencedor é o que traz agendamento que comparece, ao menor custo. E a distância entre lead e agendamento é grande.

Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Ou seja: a maior parte dos leads não vira agendamento na conversa. Um criativo que atrai curioso pode ter o lead mais barato da conta e o agendamento mais caro.

E o funil não acaba no agendamento. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Pra julgar criativo por paciente na cadeira, a origem do lead tem que chegar junto com ele no CRM ou na conversa do WhatsApp. Sem esse rastro, ninguém consegue dizer qual conceito agendou e qual só gerou clique.

Por conceito, o mínimo que você precisa ver:

  • Gasto até o veredito.
  • Leads e agendamentos gerados.
  • Custo por agendamento, a régua do corte.
  • Comparecimento dos agendados que vieram daquele conceito.

Veja como medir se a agência traz paciente ou só lead.

De onde vêm os conceitos: o brief mensal

Conceito bom não nasce de "ideia criativa" solta. Nasce do que o paciente pergunta.

As melhores fontes estão dentro da sua clínica:

  1. Perguntas que o CRC mais ouve. Cada dúvida repetida no WhatsApp é um conceito pronto.
  2. Objeções que travam o orçamento. Medo, tempo, desconfiança, comparação com outra clínica.
  3. Procedimentos de ticket alto que a agenda precisa. O conceito segue a estratégia da clínica, não o gosto da agência.
  4. Os vencedores anteriores. Um conceito que venceu gera variações. O que perdeu ensina o que não repetir.

O brief mensal amarra isso numa página: quais conceitos novos entram, qual hipótese cada um testa, qual procedimento cada um serve e qual a regra de corte. A mensagem que você testa no anúncio também decide qual paciente chega. Veja como a mensagem do anúncio define a objeção que chega na cadeira.

Como cobrar a agência: o relatório mensal e os erros que ele revela

Agora você tem a régua. Use todo mês.

Pergunte Resposta séria Sinal de alerta (o erro por trás)
Quantos conceitos novos entraram? Conceitos, variações e arquivos em linhas separadas Um número só, com dezenas de variações quase iguais
Qual era a hipótese de cada conceito? Ângulo, público e procedimento de cada um "Testamos criativos novos"
Quanto cada conceito gastou e qual o veredito? Gasto, agendamentos e custo por agendamento Veredito por CTR, curtida ou custo por lead
Por que cortou? A regra de corte combinada antes do teste Corte por impressão, antes de juntar dado
Por que trocou o vencedor? Sinal medido: status de fadiga, frequência, custo por agendamento Pausa por "cansaço" sem sinal nenhum
Onde subiu o criativo novo? Conjunto paralelo, sem resetar o vencedor Anúncio novo dentro do conjunto vencedor, edição no meio do aprendizado
Qual o comparecimento por conceito? Agendados que compareceram, por origem Relatório que para no lead
O conceito passou por revisão ética? Checagem de norma do CFO antes de subir Antes e depois publicado pela página da clínica

Se a agência não consegue responder essas perguntas, ela não está testando. Está produzindo arquivo.

Veja também como saber se o relatório da agência tem métrica de vaidade.

Seu próximo passo

  1. Peça a conta do volume. Pergunte à agência qual é a verba de teste do mês, quanto cada conceito precisa gastar até o veredito e qual a regra de corte. Se não houver resposta, o volume atual é chute.
  2. Separe conceito de variação no relatório. A partir do próximo mês, exija os três níveis em linhas separadas e o custo por agendamento e o comparecimento de cada conceito.
  3. Defina o gatilho de troca por escrito. Combine quais sinais (status de fadiga da Meta, frequência, custo por agendamento) disparam a reposição, e que o criativo novo entra em conjunto paralelo, sem resetar o vencedor.

Quer uma operação em que cada criativo é julgado pelo paciente que comparece, e não pelo clique? Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Quantos criativos novos por mês uma clínica que investe alto deve testar?

Não existe número fixo que valha pra toda conta. O volume certo é a verba separada para teste dividida pelo custo de levar cada conceito novo a um veredito, medido em custo por agendamento. Se a verba de teste só sustenta poucos conceitos até o veredito, subir muitos de uma vez é espalhar dinheiro sem chegar a conclusão nenhuma.

De quanto em quanto tempo a agência deve trocar os anúncios da clínica?

Por sinal medido, não por calendário. A Meta mostra o status Creative limited quando o custo por resultado passa o dos anúncios que você já rodou sem chegar ao dobro, e Creative fatigue quando chega ao dobro ou mais. Somados a frequência subindo, CTR caindo e custo por agendamento piorando, esses sinais dizem a hora de repor, e verba alta num raio pequeno tende a cansar o criativo mais cedo.

Adicionar anúncio novo atrapalha a campanha que está funcionando?

Pode atrapalhar, se entrar no conjunto errado. A Meta classifica adicionar um anúncio novo ao conjunto e qualquer mudança no criativo como edição significativa, que devolve o conjunto à fase de aprendizado. Já um conjunto novo numa campanha com orçamento Advantage+ não faz os outros conjuntos voltarem ao aprendizado, por isso o criativo novo costuma entrar em conjunto paralelo.

Vídeo ou imagem, o que testar primeiro no anúncio da clínica?

Os dois, como conceitos diferentes, e não como cópias do mesmo anúncio. O Google informa que, em média, anunciantes que rodam vídeo e imagem em campanhas Demand Gen obtêm 6% mais conversões por dólar do que os que rodam só imagem (dado do próprio Google), e a Meta recomenda manter ativos criativos diversos em cada conjunto.

A agência pode usar antes e depois nos anúncios da clínica?

A clínica, como pessoa jurídica, não pode. Pela Resolução CFO-196/2019, a imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento só pode ser divulgada pelo cirurgião-dentista que executou o procedimento, com nome e número de inscrição no CRO na imagem, e pessoa jurídica não está autorizada a essa divulgação. Pelo art. 45 do Código de Ética Odontológica, proprietários, responsável técnico e demais profissionais que concorreram na infração respondem solidariamente, na medida de sua culpabilidade.

O que pedir no relatório mensal da agência sobre criativos?

Peça conceitos novos, variações e arquivos em linhas separadas, o gasto e o custo por agendamento de cada conceito, o comparecimento por origem, quais venceram, quais foram cortados e por qual regra, e qual sinal disparou cada troca. Relatório que só mostra CTR, alcance e custo por lead não deixa você saber se o teste trouxe paciente na cadeira.