Tenho várias unidades: vale uma agência só para a rede inteira ou cada unidade com a sua agência?
Uma agência por unidade parece dar autonomia, mas fragmenta o leilão do Google Ads, os perfis no Google, o compliance e o relatório. Veja o modelo que funciona para rede odontológica (um dono das regras, execução recortada por unidade), as regras do Google, do CFO, da LGPD e da Lei de Franquias que pesam na decisão e como comparar unidades até o paciente na cadeira.
Na maioria das redes vale um dono só das regras (uma agência ou núcleo central que controla contas, marca, compliance e métrica) com campanha, verba e relatório recortados por unidade. Uma agência por unidade fragmenta leilão, perfis no Google e comparação.
- Uma agência por unidade pode esbarrar em duas regras do Google: a política de vantagem injusta do Google Ads cita como exemplo anunciantes que usam várias contas para exibir mais de um anúncio da mesma empresa numa única posição, e as diretrizes do Perfil da Empresa no Google proíbem mais de uma página por local, mesmo em contas diferentes.
- Cada filial responde ao CFO com dados próprios: pela Consolidação das Normas do CFO (Resolução CFO-63/2005, art. 90), toda entidade precisa de um cirurgião-dentista responsável técnico, que não pode acumular a função nem em filial, e o Código de Ética Odontológica (art. 43) exige que a divulgação da pessoa jurídica traga o nome e a inscrição do responsável técnico.
- Só a mesma régua compara unidades: segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone, mas entre clínicas a taxa vai de 2,6% a 56,1%. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- A resposta curta: um dono das regras, execução recortada por unidade
- O que quebra quando cada unidade tem a sua agência
- O que quebra quando a central faz tudo igual
- Google Ads com várias unidades: a regra que quase ninguém conta
- Perfil da Empresa no Google: um perfil por endereço, na conta da rede
- Site e SEO local: um domínio da rede, uma página por unidade
- Publicidade da rede e CFO: cada unidade tem o seu responsável técnico
- LGPD: cada agência é mais um operador dos dados dos seus pacientes
- De quem são as contas: a rede é dona, a agência administra
- Se a sua rede é franquia: a COF já decidiu parte disso
- Relatório consolidado: a mesma régua para todas as unidades
- Padrão de marca com espaço para a unidade: quem decide o quê
- Comprou uma unidade? Como consolidar os fornecedores herdados
- Unidade nova entra no framework, não cria outro
- Quando faz sentido ter mais de uma agência na rede
- Como escolher a agência da rede: 6 perguntas antes de assinar
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Tenho várias unidades. Vale uma agência só pra rede inteira ou cada unidade com a sua agência?"
Quase toda rede chega nessa pergunta do mesmo jeito. A unidade nova abriu, o sócio local conhece uma agência da cidade, e de repente cada endereço tem um fornecedor.
Parece autonomia. Na prática, vira três relatórios que não conversam entre si.
E nenhum deles responde a única pergunta que importa: qual unidade traz paciente na cadeira, e a que custo?
A resposta direta: para a maioria das redes, nenhum dos dois extremos funciona. O que funciona é um dono só das regras (contas, marca, compliance, métrica) com campanha, verba e relatório recortados por unidade.
E isso não é só preferência de gestão. O Google, o CFO, a LGPD e a Lei de Franquias têm regras que pesam direto nessa decisão, e quase ninguém fala delas quando o assunto é agência.
Neste guia você vai ver:
- Os três modelos (fragmentado, central genérico e híbrido) comparados lado a lado
- O que quebra quando cada unidade tem a sua agência e o que quebra quando a central faz tudo igual
- As regras do Google Ads e do Perfil da Empresa que penalizam a fragmentação
- O que o CFO, a LGPD e a Lei de Franquias exigem de uma rede com várias unidades
- Como montar o relatório que compara unidades até o paciente na cadeira
A resposta curta: um dono das regras, execução recortada por unidade
Pensa assim: a rede tem uma marca, um conjunto de contas e um jeito só de medir resultado. Isso precisa de um dono.
Já a concorrência, o público e a capacidade de agenda mudam de endereço para endereço. Isso precisa de recorte.
O modelo que resolve as duas coisas é o híbrido:
- Central (uma agência só, com mandato da rede, ou um núcleo interno): dona das contas, da arquitetura de marca e de site, das regras de compliance, da régua de métrica e do relatório consolidado.
- Unidade: campanha própria, área geográfica própria, verba própria, Perfil da Empresa próprio, prova social local e meta própria.
Veja como os três modelos se comparam:
| Critério | Uma agência por unidade | Central genérica (tudo igual) | Híbrido (um dono, execução por unidade) |
|---|---|---|---|
| Leilão do Google Ads | Unidades da mesma marca disputam a mesma busca | Sem disputa, mas sem recorte local | Uma estrutura, campanha por unidade, negativação cruzada |
| Perfil da Empresa no Google | Risco de perfil duplicado e de nome ou categoria inconsistentes | Perfis padronizados, sem vida local | Um perfil por endereço, na conta da rede |
| Comparar unidades | Cada relatório mede de um jeito | Compara, mas olha a média da rede | Mesma régua, recorte por unidade |
| Compliance (CFO e LGPD) | Uma porta de risco por fornecedor | Controlado, mas a peça pode sair com dado de outra unidade | Checklist único, com os dados de cada unidade |
| Contexto local | Alto | Baixo | Alto, dentro do padrão |
| Custo e sobrecarga | Fee, ferramenta e reunião multiplicados | Menor | Menor, com mais trabalho de recorte |
| Unidade nova | Novo fornecedor, novo processo | Entra no padrão, mas genérica | Entra num framework pronto |
Lembre: a pergunta certa não é "quantas agências". É quem é o dono das regras. Você pode ter mais de um fornecedor, desde que a divisão seja por canal ou competência, nunca por unidade, e todos respondam à mesma régua.
O que quebra quando cada unidade tem a sua agência
A fragmentação quase nunca é uma decisão. Ela acontece.
A unidade comprada veio com fornecedor. O sócio local trouxe um conhecido. O franqueado contratou por conta própria.
O problema aparece depois, em cinco lugares:
- Leilão interno. Duas unidades da mesma marca, cada uma com a sua conta, anunciando "implante dentário" na mesma cidade, disputam o mesmo leilão. Você paga para concorrer com você mesmo, e ainda encosta numa política do Google (detalhada na próxima seção).
- Ativos espalhados. Sites e domínios diferentes, perfis no Google criados em contas de agências diferentes, pixels e públicos que ninguém da rede controla.
- Relatórios incomparáveis. Uma agência conta "lead", outra conta "conversa", outra conta "avaliação". Você não consegue dizer qual unidade cresce de verdade.
- Custo redundante. Fee mínimo, ferramenta, setup e reunião se repetem por unidade, para fazer o mesmo trabalho de base.
- Compliance pulverizado. Cada agência é uma porta por onde uma peça pode sair fora das regras do CFO, com o nome da rede.
Suponha uma rede com três unidades na mesma região, cada uma com a sua agência. O dono pergunta qual unidade tem o menor custo por paciente.
Ele recebe três PDFs com três definições de conversão. A pergunta fica sem resposta, e a divisão da verba vira palpite.
O que quebra quando a central faz tudo igual
O extremo oposto também falha. Centralizar não é copiar a mesma campanha para todos os endereços.
A campanha "carimbo" ignora o que muda de uma unidade para outra:
- Concorrência local: num bairro, você disputa com clínicas especializadas em implante; no outro, com franquia de baixo custo.
- Público e mix: o tratamento que puxa a agenda numa unidade (estética, implante, ortodontia) não é o mesmo da outra.
- Reputação: a unidade com avaliações fortes e a unidade com histórico ruim no Google precisam de estratégias diferentes de prova social.
- Capacidade de agenda: mandar a mesma verba para a unidade lotada e para a unidade ociosa desperdiça dinheiro nas duas pontas.
O erro da central genérica é olhar a média da rede.
A média esconde a unidade que está afundando. Por isso o modelo híbrido centraliza as regras e descentraliza a execução.
Google Ads com várias unidades: a regra que quase ninguém conta
Esse é o ponto que mais pesa e menos aparece na conversa sobre agência.
A política de abuso da rede de publicidade (vantagem injusta) do Google Ads proíbe usar a Rede do Google para conseguir vantagem injusta no tráfego em relação a outros participantes do leilão.
Entre os exemplos, a política cita anunciantes que usam várias contas para promover conteúdo igual ou similar, em consultas iguais ou semelhantes, "com o objetivo de exibir mais de um anúncio por vez para promover a empresa, o app ou o site em uma única posição de anúncio".
Repare em quem a política alcança: o anunciante, não só a agência.
Se duas agências anunciam a mesma marca e o mesmo site nas mesmas buscas, quem fica perto do exemplo descrito pelo Google é a rede.
E mesmo quando não há violação, a disputa interna custa caro. Duas contas da mesma marca no mesmo leilão tendem a pressionar o custo por clique uma da outra.
Como estruturar a mídia paga de uma rede
Existem três jeitos de organizar as contas de várias unidades:
| Estrutura | Como funciona | Quando serve | Risco |
|---|---|---|---|
| Centralizada | Uma conta e uma campanha para a rede toda | Marca forte, unidades muito próximas | Perde o controle de verba por unidade |
| Descentralizada | Uma conta (ou uma agência) por unidade | Unidades que são negócios separados | Leilão interno e relatório incomparável |
| Híbrida | Contas da rede sob um administrador, campanha por unidade | A maioria das redes | Exige disciplina de nomenclatura e de negativação |
Na estrutura híbrida, quatro regras evitam que uma unidade canibalize a outra:
- Uma campanha por unidade, com a segmentação por local restrita à área que aquele endereço atende.
- Negativação cruzada: termos com nome de bairro ou região de uma unidade viram palavra-chave negativa na campanha da vizinha.
- Verba por unidade, definida pela capacidade de agenda e pelo custo por paciente de cada uma, não dividida em partes iguais.
- Contas em nome da rede, ligadas à agência por uma conta de administrador (MCC), que o Google descreve como o jeito de acessar e gerenciar várias contas do Google Ads em um só lugar.
Perfil da Empresa no Google: um perfil por endereço, na conta da rede
No Maps, cada unidade compete sozinha. E aqui as regras do Google são diretas.
As diretrizes para representar sua empresa no Google dizem: "Não crie mais de uma página para cada local da sua empresa, mesmo em contas diferentes."
Ou seja: duas agências não podem, cada uma, manter o seu perfil da mesma unidade.
A mesma página traz a regra de redes e marcas. Todos os locais precisam ter o mesmo nome, a não ser que a representação real da empresa varie de um local para outro, e a mesma categoria se prestarem o mesmo serviço.
Com uma agência por unidade, essa consistência vira sorte.
Tem também um detalhe operacional que decide de quem é a conta. A verificação em massa de perfis vale para planilhas com 10 ou mais locais da mesma empresa, e o Google avisa que "as agências com mais de uma empresa em uma conta não podem fazer a verificação em massa".
A conclusão prática: o perfil da rede mora na conta da rede, com a agência como administradora.
Dentro desse padrão, o que é de cada unidade:
- Avaliações próprias. O Google diz que os resultados locais se baseiam em relevância, distância e destaque (o nível de popularidade da empresa), e que "quanto mais avaliações e classificações positivas sua empresa tiver, melhor será a classificação local dela" (dicas de classificação local). Avaliação é por endereço: a unidade forte não empresta nota para a fraca.
- Fotos, horário, serviços e atributos locais, atualizados por quem conhece a unidade.
- Postagens e ofertas coerentes com a agenda daquele endereço.
Para comparar, o Gerenciador de Perfis permite baixar os dados de performance de vários perfis de uma vez, numa planilha, "para comparar a performance de diversos locais".
É um recorte orgânico por unidade que não depende de agência nenhuma.
Site e SEO local: um domínio da rede, uma página por unidade
Com várias agências, cada unidade costuma ganhar o próprio site. Parece bom para a unidade. É ruim para a rede.
Domínios separados dividem a autoridade: links, menções e histórico ficam presos em cada site. Um domínio da rede, com uma página por unidade, soma tudo num lugar e ainda deixa cada endereço disputar o resultado local.
O que cada página de unidade precisa ter:
- Nome, endereço e telefone idênticos aos do Perfil da Empresa daquela unidade.
- Marcação estruturada (schema) de negócio local por unidade, com endereço e horário próprios.
- Equipe, especialidades e responsável técnico daquela unidade, um detalhe que o CFO cobra (veja a seção sobre publicidade).
- Landing page por unidade para a mídia paga, para o anúncio do bairro levar ao endereço certo.
- Links e menções locais. O próprio Google inclui no fator destaque "quantos sites têm links para sua empresa". Parceria e imprensa de bairro contam por unidade.
A autoridade do domínio é da rede. O ranking local é de cada unidade. O modelo híbrido aproveita as duas coisas.
Publicidade da rede e CFO: cada unidade tem o seu responsável técnico
Esta é a lacuna mais perigosa da fragmentação. Quase ninguém cruza a escolha de agência com norma de conselho.
Comece pela Consolidação das Normas para Procedimentos nos Conselhos de Odontologia (Resolução CFO-63/2005). O art. 90 obriga toda entidade prestadora de serviços odontológicos a ter um cirurgião-dentista como responsável técnico.
O § 2º do mesmo artigo se dirige ao profissional: o cirurgião-dentista só pode ser responsável técnico por uma única entidade, "sendo vedada, inclusive, a acumulação de responsabilidade de filial". E a mesma consolidação prevê inscrição de filial com sigla própria ("CLF", enquanto a matriz usa "CLM").
Agora cruze com o Código de Ética Odontológica. O art. 43 obriga constar, na comunicação e divulgação, o nome e o número de inscrição da pessoa física ou jurídica.
E completa: "No caso de pessoas jurídicas, também o nome e o número de inscrição do responsável técnico."
O que isso significa na prática? A peça de cada unidade precisa sair com os dados daquela unidade e do responsável técnico daquela unidade.
Com uma agência por unidade, cada fornecedor guarda a própria versão desses dados. Uma troca de responsável técnico vira peça desatualizada no ar, em vários lugares ao mesmo tempo.
E a responsabilidade não fica com a agência. O Código alcança a empresa: o art. 1º regula os direitos e deveres também das pessoas jurídicas que exercem atividade na odontologia.
O art. 45 fecha a conta: pela publicidade em desacordo com o Código, "respondem solidariamente os proprietários, responsável técnico e demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade".
Tem mais uma trava que a fragmentação dificulta. A Resolução CFO-196/2019 permite a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento apenas pelo cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem.
A pessoa jurídica (a clínica, a rede) não está autorizada a essa divulgação. Com várias agências postando nos perfis da rede, alguém precisa ser dono dessa trava.
O checklist de compliance da rede, com um dono só:
- Planilha mestra com razão social e inscrição no CRO de cada unidade, mais nome e inscrição do responsável técnico de cada uma.
- Toda peça puxa os dados dessa planilha, nunca da memória de quem executa.
- Troca de responsável técnico dispara revisão de todas as peças ativas daquela unidade.
- Imagem de caso clínico só no perfil do cirurgião-dentista que executou, nunca no perfil da clínica ou da rede.
Para o detalhe de quem responde quando a peça sai errada, veja anúncio que infringe norma do CFO: quem responde, clínica ou agência.
LGPD: cada agência é mais um operador dos dados dos seus pacientes
Lead de formulário, conversa de WhatsApp, lista de público personalizado. Tudo isso é dado pessoal, e a rede é a controladora.
A LGPD (Lei 13.709/2018) define controlador como quem toma as decisões sobre o tratamento e operador como quem trata dados "em nome do controlador" (art. 5º, VI e VII).
O art. 39 se dirige ao operador: ele deve tratar os dados segundo as instruções do controlador, que "verificará a observância das próprias instruções e das normas sobre a matéria".
Traduzindo: cada agência é um operador que a rede precisa instruir e fiscalizar.
Exemplo: cinco agências são cinco contratos, cinco fluxos de dados e cinco lugares onde o lead pode vazar ou continuar guardado depois que o contrato acaba.
O art. 42 prevê que o operador responde solidariamente pelos danos quando descumpre a lei ou não segue as instruções lícitas do controlador. Isso protege o paciente, mas não tira a rede da conta: o mesmo artigo obriga o controlador que causar dano a repará-lo.
E o art. 37 obriga controlador e operador a manter registro das operações de tratamento que realizarem.
Com um dono só das regras, o contrato de operador, a política de retenção e a exclusão de dados no fim do contrato viram um padrão, não cinco negociações.
De quem são as contas: a rede é dona, a agência administra
Existe um teste rápido para saber se a sua rede está fragmentada. Se a agência de uma unidade sair amanhã, o que vai embora junto com ela?
No modelo certo, nada. Todos os ativos ficam em nome da rede:
- Contas de anúncio (Google Ads e Meta) criadas em nome da rede, com a agência como administradora.
- Perfis da Empresa no Google na conta da rede, com a agência como administradora.
- Domínio, site, pixel, públicos e CRM em nome da rede.
- Criativos e arquivos de marca entregues e guardados pela rede.
Em rede, isso pesa em dobro. Quando cada unidade tem a sua agência, cada saída de fornecedor vira uma reconstrução.
Veja o que exigir no contrato em conta de anúncios e pixel: ficam comigo ou com a agência?.
Se a sua rede é franquia: a COF já decidiu parte disso
Na franquia, metade da resposta já está escrita. Ela mora na Circular de Oferta de Franquia (COF).
A Lei de Franquias (Lei 13.966/2019), no art. 2º, obriga o franqueador a entregar a COF ao candidato informando, entre outros pontos:
- Taxa de publicidade ou semelhante (inciso IX, alínea c), com a base de cálculo e o que ela remunera.
- Regras de concorrência territorial entre unidades próprias e franqueadas (inciso XI, alínea c).
- Conselho ou associação de franqueados, com as competências para gestão e fiscalização dos recursos de fundos existentes (inciso XX).
- Regras de limitação à concorrência entre franqueador e franqueados, e entre franqueados (inciso XXI).
O que isso significa na prática? Se o franqueado paga taxa de publicidade, o marketing de marca já é central.
A discussão real é o marketing local: quem contrata a mídia do bairro, em qual conta, com qual área e sem invadir o território de outra unidade.
A franquia em que cada franqueado contrata a própria agência, sem regra de território na mídia, reproduz o leilão interno do Google Ads. Só que agora entre sócios.
Relatório consolidado: a mesma régua para todas as unidades
Sem régua única, você compara relatórios, não unidades.
E a diferença entre operações pode ser enorme. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 12% dos leads viram agendamento dentro do WhatsApp (faixa 9% a 15%), sem contar telefone, mas entre clínicas a taxa vai de 2,6% a 56,1%. Base: 21.433 leads. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.
Uma distância dessa ordem não aparece na média da rede. Só aparece quando cada unidade é medida do mesmo jeito.
O relatório da rede precisa responder, por unidade e por canal:
| Métrica | Pergunta que responde | Recorte |
|---|---|---|
| Leads e origem | De onde vem a demanda de cada unidade? | Unidade e canal |
| Agendamentos | O atendimento converte a demanda? | Unidade e canal |
| Comparecimento | A agenda vira paciente na cadeira? | Unidade |
| Custo por paciente que compareceu | Quanto custa cada paciente real? | Unidade e canal |
| Tendência mês a mês | A unidade está melhorando ou piorando? | Unidade |
| Performance do Perfil da Empresa | Quanto o orgânico local entrega? | Unidade |
A definição de cada métrica é central e única: o que conta como agendamento, o que conta como comparecimento, qual a janela de atribuição. Só o recorte é por unidade.
Na Odonto Results, é essa a régua: cada unidade medida do lead ao agendamento e ao comparecimento, não pelo volume de lead.
Veja como exigir esse formato em relatório da agência com recorte por unidade e por procedimento.
Lembre: a métrica que decide a verba entre unidades é custo por paciente que compareceu, não custo por lead. Lead barato na unidade errada continua sendo dinheiro perdido.
Padrão de marca com espaço para a unidade: quem decide o quê
O híbrido só funciona se ficar claro o que é da central e o que é da unidade. Sem isso, a central vira gargalo ou a unidade vira terra de ninguém.
| Decisão | Central (dono das regras) | Unidade |
|---|---|---|
| Identidade visual, tom de voz e templates | Define e aprova | Usa |
| Contas, domínio, perfis e pixel | É dona | Acessa |
| Compliance (CFO e LGPD) | Define e audita | Cumpre e avisa troca de responsável técnico |
| Métrica e relatório | Define a régua | Recebe o recorte e a meta |
| Oferta e campanha local | Aprova o enquadramento | Propõe conforme agenda e concorrência |
| Verba | Define o total e a regra de rateio | Pede ajuste com dado de capacidade |
| Fotos, equipe e depoimentos locais | Define o padrão | Produz |
Três rotinas sustentam esse acordo:
- Templates com campos variáveis. Nome da unidade, endereço, responsável técnico e oferta entram em campos fixos da peça. O resto não muda.
- Fluxo de aprovação com prazo. A unidade propõe, a central aprova dentro de um prazo combinado, e o que passa do prazo segue o padrão.
- Ritual mensal por unidade. Cada gerente recebe o seu recorte do relatório consolidado e responde por ele.
Para templates e governança em detalhe, veja como padronizar o marketing entre unidades.
Comprou uma unidade? Como consolidar os fornecedores herdados
Aquisição é o caminho mais comum para a rede acabar com várias agências. A unidade chega com o fornecedor dela, as contas dela e o histórico dela.
A consolidação segue uma ordem:
- Inventário de ativos. Liste contas de anúncio, perfis no Google, domínio, site, pixel, públicos, CRM e redes sociais, e em nome de quem está cada um.
- Transferência de propriedade antes da troca. Traga cada ativo para a conta da rede enquanto o fornecedor antigo ainda está sob contrato.
- Histórico preservado. Não apague campanhas nem perfis. Conta nova começa sem o aprendizado acumulado, e perfil novo para o mesmo endereço é justamente o que a diretriz do Google proíbe.
- Transição por unidade. O fornecedor que entra assume uma unidade de cada vez, com a captação rodando.
- Entrada na régua. A unidade adquirida passa a ser medida na régua da rede a partir de um mês definido, e o histórico anterior fica marcado como herança.
Unidade nova entra no framework, não cria outro
A vantagem do modelo híbrido aparece de verdade a cada endereço novo. Abrir uma unidade não pode significar abrir um fornecedor.
O checklist de entrada de unidade nova:
- Perfil da Empresa criado na conta da rede, com nome e categoria iguais aos das outras unidades.
- Página da unidade no domínio da rede, com a inscrição da filial e os dados do responsável técnico.
- Campanha da unidade com área própria e negativação cruzada com as vizinhas.
- Linha nova no relatório consolidado, com a mesma definição de métrica.
- Meta da unidade definida pela capacidade de agenda, não copiada da unidade mais antiga.
Quando faz sentido ter mais de uma agência na rede
Honestidade calibrada: o modelo de um dono só não é dogma.
Ter mais de um fornecedor faz sentido quando:
- A divisão é por canal ou competência, não por unidade (exemplo: uma agência de mídia e um estúdio de conteúdo), com as mesmas contas e a mesma régua.
- As unidades são negócios de fato separados: marcas diferentes, públicos diferentes, sem site, perfil ou conta compartilhados e sem sobreposição geográfica.
- A franquia define em contrato a mídia local do franqueado, com território e regra de conta claros.
O que nunca faz sentido: duas agências na mesma unidade e no mesmo canal, ou duas contas da mesma marca disputando a mesma busca.
Como escolher a agência da rede: 6 perguntas antes de assinar
Se você vai concentrar a rede num fornecedor, ele precisa provar que sabe operar várias unidades, não só uma clínica grande.
- As contas ficam em nome da rede? A resposta certa é sim, com acesso de administrador para a agência.
- Como vocês evitam que as unidades disputem o mesmo leilão? Peça a estrutura de campanha e a regra de negativação.
- O relatório recorta por unidade até o comparecimento? Peça um exemplo com custo por paciente que compareceu, por unidade.
- Como vocês tratam os dados do responsável técnico de cada unidade nas peças? Quem não sabe responder vai publicar peça com dado errado.
- Como entra uma unidade nova? Peça o checklist e o prazo.
- Qual é o contrato de operador de dados? Peça a cláusula de LGPD e a regra de exclusão dos dados no fim do contrato.
Seu próximo passo
- Faça o inventário da rede. Liste, por unidade, quem é o fornecedor, em nome de quem estão as contas, o perfil no Google e o domínio, e quem é o responsável técnico. Esse mapa já mostra onde a rede está fragmentada.
- Defina a régua antes do fornecedor. Escreva o que conta como agendamento, comparecimento e custo por paciente, igual para todas as unidades.
- Escolha um dono das regras e recorte a execução. Uma agência (ou um núcleo central) dona das contas, da marca e do compliance, com campanha, verba e meta por unidade.
Quer ver a sua rede medida unidade a unidade, do anúncio ao paciente na cadeira? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Posso ter uma agência para o Google e outra para o Meta na rede inteira?
Pode, desde que a divisão seja por canal ou competência, e não por unidade. As contas ficam em nome da rede, as duas respondem à mesma régua de paciente na cadeira e o relatório é consolidado. O problema não é ter dois fornecedores, é ter dois donos da mesma unidade ou duas contas da mesma marca disputando a mesma busca.
Duas agências podem cuidar do Perfil da Empresa no Google da mesma unidade?
Não como dois perfis. As diretrizes do Google proíbem criar mais de uma página para cada local da empresa, mesmo em contas diferentes. O certo é um perfil por endereço, na conta da rede, com a agência entrando como administradora por um acesso que você concede e retira.
Se cada unidade tem a sua agência, quem responde por um anúncio irregular?
A rede responde junto. O Código de Ética Odontológica alcança pessoas jurídicas (art. 1º) e prevê, no art. 45, responsabilidade solidária de proprietários, responsável técnico e demais profissionais que concorreram para a infração, na medida da culpabilidade de cada um. Mais agências significam mais portas por onde uma peça irregular sai com o nome da sua rede.
Numa rede de franquias, quem contrata a agência: a franqueadora ou o franqueado?
Depende do que está na Circular de Oferta de Franquia e no contrato. A Lei 13.966/2019 obriga o franqueador a informar na COF a taxa de publicidade, quem gere e fiscaliza os fundos existentes e as regras de concorrência territorial entre unidades. É ali que se decide quem paga a marca, quem contrata a mídia local e em qual conta ela roda.
Quando faz sentido cada unidade ter a própria agência?
Quase só quando as unidades são negócios de fato separados: marcas diferentes, públicos diferentes, sem site, perfil ou conta compartilhados e sem sobreposição geográfica. Fora disso, a autonomia que você ganha custa a comparabilidade entre unidades e o controle do compliance.
Como descobrir qual unidade da rede está performando pior?
Meça todas na mesma régua: custo por paciente que compareceu, por unidade e por canal, com a mesma definição de agendamento e de comparecimento. Sem essa régua única, diferença de relatório se confunde com diferença de resultado, e a média da rede esconde a unidade que está afundando.