Escolher Agência

Dá pra ver os anúncios que a agência está rodando hoje pros clientes dela antes de contratar? Como usar a Biblioteca de Anúncios da Meta pra avaliar uma agência odontológica?

Sim: a Biblioteca de Anúncios da Meta mostra, sem pedir nada à agência, todo anúncio ativo da Página de cada clínica cliente. Veja o que cada campo revela, os 7 sinais que separam gestão ativa de vitrine, a checagem ética do CFO e da Meta, o limite do histórico e o roteiro de perguntas pra levar à reunião.

Vinícius Ragazzi
Por Vinícius RagazziAtualizado em 4 de outubro de 2026 · 23 min de leitura
TL;DR

Sim. Na Biblioteca de Anúncios da Meta você vê, sem pedir nada à agência, todo anúncio ativo da Página de cada clínica cliente: criativo, texto, plataformas e data de início. Gasto, CPL, agendamento e comparecimento ficam de fora.

Pontos-chave
  • Dá pra ver sem pedir acesso. Segundo o Meta Transparency Center, a Biblioteca de Anúncios é uma base abrangente e pesquisável de transparência de anúncios em que qualquer pessoa pode buscar todos os anúncios ativos veiculados nos produtos da Meta, então você abre a Página de cada clínica cliente da agência e vê o que está no ar hoje.
  • Anúncio comercial não deixa histórico. Pela própria Meta, só anúncios sobre temas sociais, eleições ou política ficam visíveis ativos ou inativos, guardados por 7 anos, e anúncios com impressão na União Europeia ficam arquivados por um ano após a última impressão; o anúncio de clínica veiculado só no Brasil sai da busca quando para de rodar.
  • A Biblioteca para no clique, e o paciente se perde depois dele. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial (base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp; janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026), por isso testar o destino do anúncio, inclusive à noite, vale tanto quanto ler o criativo.

Faz parte do guia: Como escolher uma agência de marketing odontológico?

Nesta página
  1. TL;DR
  2. Pontos-chave
  3. A resposta curta: o que a Biblioteca mostra e o que ela esconde
  4. O que aparece em cada anúncio (e o que cada campo te diz)
  5. Transparência da Página: o detalhe que denuncia a Página montada pra vitrine
  6. Os dois caminhos pra chegar nos anúncios de um cliente da agência
  7. O problema central: a Biblioteca mostra a clínica, não a agência
  8. Comece pela Página da própria agência
  9. Os 7 sinais pra ler nos anúncios dos clientes
  10. Conteúdo de marca: a parceria paga também aparece
  11. Complemento: a Central de Transparência de Anúncios do Google
  12. O limite que mais engana: anúncio comercial no Brasil não deixa histórico
  13. Como contornar a falta de histórico: monitore as mesmas Páginas por algumas semanas
  14. O que a Biblioteca nunca prova (e como conseguir o número de outro jeito)
  15. O roteiro da reunião: perguntas pra fazer depois da checagem
  16. Antes de assinar: a Biblioteca não te diz quem é dono da conta
  17. Checklist rápido: sinal verde x sinal vermelho
  18. Seu próximo passo
  19. Perguntas frequentes

"Dá pra ver os anúncios que a agência está rodando hoje pros clientes dela antes de contratar? Como usar a Biblioteca de Anúncios da Meta pra avaliar uma agência odontológica?"

O portfólio que a agência te mostra foi escolhido a dedo.

O anúncio que está no ar hoje, na Página de cada clínica que ela atende, não foi. Ele é o trabalho real, do jeito que está, na semana em que você está decidindo.

E você consegue ver esse trabalho sem pedir senha, acesso ou favor a ninguém.

A resposta direta: sim. Segundo o Meta Transparency Center, a Biblioteca de Anúncios é uma base abrangente e pesquisável de transparência de anúncios em que qualquer pessoa pode buscar todos os anúncios ativos veiculados nos produtos da Meta.

Mas tem um detalhe: a Biblioteca mostra quem anuncia (a clínica), não quem opera a conta (a agência). E mostra o anúncio, não o resultado. Nada de gasto, CPL, agendamento ou comparecimento.

Então ela não substitui o número. Ela serve pra outra coisa: ver, em público, como a agência trabalha quando ninguém está olhando.

Neste guia você vai ver:

  • O que a Biblioteca mostra em cada anúncio e o que ela esconde
  • Como chegar nos anúncios de um cliente da agência (e o problema de saber quem opera)
  • Os 7 sinais que separam gestão ativa de vitrine montada pra proposta
  • A checagem ética do CFO e da política de saúde da Meta, peça por peça
  • O limite do histórico, como contornar, e o roteiro de perguntas pra reunião

A resposta curta: o que a Biblioteca mostra e o que ela esconde

Antes de abrir a ferramenta, alinhe a expectativa. Ela é ótima pra uma pergunta e inútil pra outra.

Ela responde: o que esta clínica está anunciando agora, com que peça, que texto, em que plataforma e desde quando.

Ela não responde: quanto custou, quantos pacientes vieram e quem operou.

A Biblioteca mostra A Biblioteca não mostra
Criativo (imagem, vídeo, carrossel) e texto do anúncio Quanto a clínica investe por mês
Botão de ação (CTA) e o link de destino Alcance, impressões e segmentação (público, idade, raio)
Plataformas onde roda (Facebook, Instagram, Messenger, rede de parceiros) CPL, custo por agendamento e comparecimento
Data de início da veiculação e ID da biblioteca Qual agência, freelancer ou funcionário opera a conta
Aviso de que o anúncio tem várias versões Anúncios comerciais que já saíram do ar
Transparência da Página (criação, mudanças de nome, fusões) Quem é dono do Portfólio Empresarial e da conta de anúncios

A coluna da direita você vai buscar em outro lugar, e este guia mostra onde. A da esquerda você lê hoje, de graça.

Lembre: a Biblioteca não prova resultado. Ela prova comportamento: se a agência testa, se adapta a comunicação à especialidade de cada clínica e se respeita a norma ética. Isso já elimina agência despreparada antes da primeira reunião.

O que aparece em cada anúncio (e o que cada campo te diz)

Cada anúncio vem num cartão. Os rótulos mudam um pouco quando a Meta atualiza a interface, mas os campos centrais são estes:

Campo no cartão O que mostra O que revela sobre a agência
Status ativo Que o anúncio está entregando agora Que a conta não está parada
Data de início da veiculação O dia em que o anúncio começou a rodar Longevidade da peça e ritmo de troca
ID da biblioteca Número único daquele anúncio Sua prova datada pra comparar depois
Plataformas Facebook, Instagram, Messenger, rede de parceiros Se a distribuição faz sentido pro público
Criativo e texto A peça e a copy completas Qualidade, adequação ao ticket, ética
Botão (CTA) "Enviar mensagem", "Saiba mais", "Cadastre-se" e similares Pra onde o paciente vai depois do clique
Aviso de várias versões Que o anúncio combina mais de uma imagem ou texto Se existe teste de criativo ou peça única

Repare em dois campos em especial.

O ID da biblioteca é o seu registro. Anote junto com o print e a data da checagem. É ele que permite comparar a mesma Página em semanas diferentes.

O aviso de várias versões é o termômetro do teste. Ele indica que a agência subiu combinações de imagem e texto pra entrega escolher. Peça única, sem variação, conta outra história.

Ao abrir os detalhes do anúncio, aparece também o destino do clique. Guarde esse link: é lá que o lead vira paciente ou some, e você volta nele no Sinal 6.

Transparência da Página: o detalhe que denuncia a Página montada pra vitrine

Todo anúncio sai de uma Página. E a Página tem um histórico público que pouca gente lê.

Quando ampliou a Biblioteca para todos os anúncios ativos, em 2019, a Meta anunciou junto a seção Transparência da Página, com a data de criação da Página, as fusões anteriores com outras Páginas e as mudanças de nome. A mesma informação aparece quando você abre a Página dentro da Biblioteca.

O que isso significa na prática? Três leituras:

  • Página criada há poucas semanas exibindo "case de sucesso": pode ser uma clínica nova (legítimo) ou uma Página montada pra mostrar resultado na proposta. Pergunte.
  • Mudança de nome recente: a Página pode ter sido de outro negócio. Seguidores e prova social talvez não sejam da clínica que você está vendo.
  • Fusão de Páginas: comum em clínica que reorganizou unidades. Vale entender, mas não é sinal vermelho sozinho.

Nenhum desses pontos condena a agência. Eles dizem quais perguntas fazer.

Os dois caminhos pra chegar nos anúncios de um cliente da agência

Você só precisa do nome da clínica ou do endereço da Página.

Caminho 1: busca direta na Biblioteca

  1. Abra facebook.com/ads/library no navegador (no celular também funciona).
  2. Em país, escolha Brasil. Em categoria, Todos os anúncios.
  3. Digite o nome da clínica e escolha a Página na lista de sugestões.
  4. Confira cidade, foto e endereço da Página. Nome parecido entre clínicas é comum, e a Página errada estraga a leitura inteira.
  5. Use os filtros de plataforma e de tipo de mídia se a Página tiver muitos anúncios.

Caminho 2: pela própria Página

  1. Abra a Página da clínica no Facebook.
  2. Procure a seção Transparência da Página e abra os detalhes.
  3. Use o atalho para a Biblioteca de Anúncios que aparece ali.

O caminho 2 protege contra homônimo, porque você parte da Página certa.

Dica: a busca também aceita palavra-chave. Copie uma frase marcante de um anúncio e pesquise. Você vai usar isso no Sinal 3.

O problema central: a Biblioteca mostra a clínica, não a agência

Aqui está o ponto que muda a forma de fazer a checagem.

Não existe campo "operado por" no anúncio. A Biblioteca registra o anunciante, que é a Página da clínica. A agência, o freelancer ou o funcionário que sobe a campanha não aparecem em lugar nenhum.

Ou seja: você não consegue listar sozinho "todos os anúncios da agência X". Você consegue ler os anúncios das clínicas que a agência diz atender.

Por isso a checagem tem duas partes:

  1. Peça a lista de Páginas de clientes ativos hoje, de perfil parecido com o seu (especialidade, ticket, praça), com autorização deles. Exemplo de pedido: "me passe três Páginas de clientes ativos e o contato de um dos donos".
  2. Confirme com o dono da clínica, numa ligação de referência, que a agência opera aquela conta hoje e desde quando.

Sem a parte 2, você pode estar avaliando o trabalho de outra agência, do marketing interno da clínica ou de um gestor que já saiu.

E se a agência se recusar a indicar qualquer Página? O anúncio já é público. O que ela protege é a identidade do cliente, e isso se resolve pedindo autorização a quem topa ser referência. Recusa total é, em si, uma resposta.

O passo a passo da ligação está em como checar referências de clientes atuais da agência.

Comece pela Página da própria agência

Antes dos clientes, abra a Página da agência na Biblioteca. Ela anuncia o próprio serviço? Desde quando? Com que mensagem?

Três leituras rápidas:

  • Não anuncia nada: não é sinal vermelho sozinho, porque indicação também é canal. Mas pergunte como ela capta clientes.
  • Anuncia promessa de volume: lead barato, agenda lotada, resultado garantido. A agência tende a gerir o seu dinheiro pela mesma régua que usa pra se vender. Se a vitrine dela fala de lead, a gestão dela vai perseguir lead.
  • Anuncia método e resultado de negócio: paciente na cadeira, comparecimento, custo por agendamento. É o vocabulário de quem mede depois do clique.

Olhe também a data de início dos anúncios dela. Discurso que muda a cada checagem é um dado sobre consistência.

Os 7 sinais pra ler nos anúncios dos clientes

Com as Páginas em mãos, abra uma por uma. Estes são os sinais, do mais fácil ao mais trabalhoso.

Sinal 1: longevidade (peça antiga ainda ativa x tudo iniciado na semana da proposta)

Olhe a data de início de cada anúncio ativo.

Bom sinal: uma ou mais peças com data de início antiga, ainda rodando, convivendo com peças novas. É o retrato de quem achou um anúncio que funciona e continua testando em volta dele.

Sinal vermelho: todos os anúncios da Página começaram na mesma semana, coincidindo com a sua conversa com a agência. Pode ser campanha montada pra você ver.

Não existe data "certa". O que importa é o padrão: campeão que dura, mais teste que entra.

Sinal 2: cadência de teste (quantos anúncios e quantas versões)

Conte os anúncios ativos e quantos trazem o aviso de várias versões.

O que você vê Leitura provável
Peça antiga, peças novas e várias versões Gestão ativa, com teste e com campeão
Uma peça única, sem versões, rodando há meses Conta no piloto automático
Só peças novas, todas trocadas de uma vez Rotatividade sem aprendizado, ou vitrine
Muitas peças quase iguais, mudando só a cor Volume de teste sem hipótese

A peça única de meses não prova que a agência é ruim. Prova que ninguém está mexendo. Pergunte por quê.

Sinal 3: criativo de fábrica (a mesma peça em clínicas de cidades diferentes)

Esse é o teste mais revelador da lista.

Pegue uma frase marcante do anúncio de um cliente e pesquise como palavra-chave na Biblioteca, com país Brasil. Se a mesma copy aparece em Páginas de clínicas de cidades diferentes, com a mesma foto de banco e o mesmo roteiro, você achou o template da agência.

Template não é crime. Mas ele mostra que a comunicação não foi pensada pra especialidade, ticket e praça daquela clínica. E a clínica da cidade vizinha pode estar rodando o mesmo anúncio que você vai receber.

O bom sinal é o oposto: peças com a cara da clínica, com o dentista real, falando do tratamento que aquela clínica quer vender.

Sinal 4: conformidade ética (o que o CFO veda e você vê na hora)

Aqui a Biblioteca vira auditoria de risco. Tudo que está no anúncio da Página da clínica é publicidade da clínica.

E o Código de Ética alcança a clínica. O Art. 1º do Código de Ética Odontológica diz que ele regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, dos profissionais técnicos e auxiliares e das pessoas jurídicas que exerçam atividades na área da Odontologia. O Art. 45 completa: pela publicidade em desacordo com o Código "respondem solidariamente os proprietários, responsável técnico e demais profissionais que tenham concorrido na infração, na medida de sua culpabilidade".

Ou seja: o anúncio irregular que você vê no cliente da agência é o risco que você assume quando ela passar a operar a sua conta.

Passe cada peça por esta lista:

O que aparece no anúncio Onde a norma pega
Preço, parcela, condição de pagamento, desconto Art. 44, I: publicidade "com preços, serviços gratuitos, modalidades de pagamento, ou outras formas que impliquem comercialização da Odontologia"
Avaliação grátis ou "sem compromisso" Art. 20, IX: "divulgar ou oferecer consultas e diagnósticos gratuitos ou sem compromisso"
A palavra "popular" Art. 44, VII, que cita "especialmente a utilização da expressão 'popular'"
Antes e depois (imagem de diagnóstico e de conclusão) publicado pela Página da clínica Resolução CFO-196/2019: essa divulgação é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com nome e número de inscrição no CRO na imagem; a pessoa jurídica não pode
Imagem do "durante" (passo a passo, cirurgia em andamento) Art. 44, XII, que inclui entre as infrações "a utilização de imagens e/ou expressões antes, durante e depois, relativas a procedimentos odontológicos"
Promessa de resultado com prazo Pode configurar publicidade enganosa (Art. 44, I) e esbarra na política da Meta (Sinal 5)

A leitura do antes e depois e do "durante" está na página oficial da Resolução CFO-196/2019: o CFO afirma que clínica, pessoa jurídica, não pode fazer esse tipo de divulgação, e que proíbe a exposição de imagens de "durante" o procedimento.

Se a agência roda essas peças em outra clínica, ela vai propor as mesmas pra você. O detalhe de quem responde no CRO está em se o anúncio da agência infringir a norma do CFO, quem responde.

Sinal 5: política de saúde da Meta (anúncio rejeitado não roda)

Além do CFO, a Meta tem regra própria. A norma de Saúde e Bem-Estar dos Padrões de Publicidade proíbe táticas de clickbait em contexto de saúde, como linguagem sensacionalista com alegações exageradas ou extremas, ou promessa de resultados específicos dentro de um prazo sem ressalvas ou qualificadores.

Em anúncio de produto ou procedimento estético, a mesma norma também proíbe afirmações de inferioridade sobre a aparência física: termos, descrições ou perguntas negativas que atacam a aparência, partes do corpo ou a higiene de alguém.

Traduzindo pro criativo odontológico, desconfie de:

  • Pergunta que ataca quem lê, no estilo "vergonha dos seus dentes?".
  • Promessa de transformação com prazo e sem ressalva, no estilo "sorriso perfeito em poucos dias, garantido".
  • Linguagem de milagre, com superlativo no lugar de explicação.

E o custo disso não é só ético. Pelos Padrões de Publicidade da Meta, o anúncio que viola a política é rejeitado, e a Meta pode restringir contas de anunciante que não seguem os padrões.

A Biblioteca não mostra o anúncio rejeitado, porque ele não roda. Mas mostra o aprovado que está no limite, e isso basta pra você medir o apetite de risco da agência. Quem joga no limite na conta do cliente vai jogar no limite na sua.

Sinal 6: o destino do anúncio (faça o caminho do paciente)

O anúncio é metade do trabalho. A outra metade começa no clique, e a Biblioteca para ali.

Clique no botão do anúncio do cliente e observe:

  1. Tempo de resposta: quanto demora a primeira resposta no WhatsApp, ou o retorno do formulário?
  2. Roteiro: a resposta é genérica ("olá, como posso ajudar?") ou conduz a conversa?
  3. Qualificação: alguém pergunta o que você procura, qual tratamento, qual a urgência?
  4. Horário: a conversa termina com oferta concreta de dia e hora, ou com "vou verificar e te retorno"?

Faça o teste também à noite. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), 46,0% dos leads de clínica odontológica chegam fora do horário comercial. Base: 16.719 leads na primeira mensagem do WhatsApp. Janela: 25 de março a 25 de agosto de 2026.

Se ninguém responde fora do expediente, o lead que chega à noite espera até o dia seguinte, e nesse intervalo pode falar com outra clínica.

Seja honesto no teste: não marque horário que não vai cumprir. Observe a primeira resposta e a condução, e encerre.

Nota: nem toda agência responde pelo atendimento, que pode ser da equipe da clínica. Mas agência que mede paciente na cadeira pergunta como o lead é atendido e ajusta a campanha a isso. Se o cliente dela deixa lead sem resposta e ela nunca tocou no assunto, ela mede até o clique.

Sinal 7: coerência com especialidade e ticket

Clínica de alto ticket não vende implante, alinhador, lentes e protocolo com o mesmo anúncio.

Veja se o cliente da agência tem:

  • Anúncios distintos por tratamento, cada um com a dor e o público daquele tratamento.
  • Oferta compatível com o ticket: avaliação com o especialista, planejamento, explicação do tratamento. Não promoção.
  • Prova coerente: o dentista real, a estrutura real, o tratamento explicado sem promessa.

Se a agência atende clínica de ticket alto com linguagem de preço, ela vai fazer o mesmo com você. E paciente que chega por preço negocia por preço.

Conteúdo de marca: a parceria paga também aparece

Agência que trabalha com influenciador ou dentista parceiro, em vez de anúncio tradicional, também deixa rastro.

Segundo o Meta Transparency Center, a Biblioteca tem uma base pesquisável que exibe todo conteúdo de marca ativo e público rodando no Facebook e no Instagram com o rótulo de parceria paga.

Pra você, isso responde duas perguntas:

  1. A agência usa parceria paga com os clientes dela? Com que perfil de parceiro, e com que mensagem?
  2. O conteúdo do parceiro passa no Sinal 4? Parceria paga continua sendo publicidade a serviço da clínica. Se o vídeo traz preço, antes e depois ou a expressão "popular", quem o Art. 45 do Código de Ética coloca na linha de responsabilidade são os proprietários, o responsável técnico e os demais profissionais que concorreram na infração.

Complemento: a Central de Transparência de Anúncios do Google

Se a agência também opera Google Ads pros clientes, existe o equivalente do lado do Google: a Central de Transparência de Anúncios.

Ela se apoia no programa de verificação de anunciantes. Segundo a Ajuda de Políticas do Google Ads, após a verificação, parte das informações da conta fica disponível ao público, como histórico de alterações de nome, criativos de anúncios, datas e locais de veiculação, anúncios removidos ou contas suspensas por motivos legais ou relacionados à política, e dados de contato da organização.

Pra avaliar agência, três usos:

  • Confirmar se o cliente roda Google de verdade, quando a agência diz que opera "Google e Meta".
  • Ver se os anúncios de busca são específicos por tratamento ou genéricos.
  • Checar se há anúncio removido ou conta suspensa por motivo de política.

Se não achar pelo nome fantasia, tente a razão social da clínica ou o site. O nome verificado nem sempre é o nome da fachada.

O limite que mais engana: anúncio comercial no Brasil não deixa histórico

Esse limite gera conclusão errada nos dois sentidos.

Pela própria Meta, o histórico existe só em casos específicos:

Tipo de anúncio Fica visível Por quanto tempo
Temas sociais, eleições ou política Ativo ou inativo Guardado por 7 anos
Com impressão na União Europeia ou territórios associados Enquanto ativo Arquivado por um ano após a última impressão
Comercial de clínica, veiculado só no Brasil Enquanto ativo Sai da busca quando o anúncio para

E tem o detalhe dos dados. Gasto, alcance e entidade pagadora são informações que a Meta fornece para anúncios sobre temas sociais, eleições ou política. O nível extra de transparência vale para anúncios com impressão na UE. O anúncio comercial de clínica no Brasil não está em nenhum dos dois grupos.

Consequências pra sua avaliação:

  • "Não tem anúncio ativo" não é "nunca anunciou". A clínica pode ter pausado por agenda cheia, férias ou troca de campanha.
  • O case do ano passado não é verificável aqui. Se a agência diz que um anúncio rodou meses com resultado, a Biblioteca não confirma nem desmente.
  • O que você vê é uma foto do dia. Uma foto só não mostra ritmo.

Como contornar a falta de histórico: monitore as mesmas Páginas por algumas semanas

Se a Biblioteca não guarda o filme, você grava.

Monte uma planilha simples, com uma linha por anúncio:

Data da checagem Página ID da biblioteca Início da veiculação Várias versões? Observação
(preencha) (preencha) (preencha) (preencha) (sim/não) (o que mudou)

Faça print de cada cartão, com a data visível. Exemplo de rotina: checar as mesmas Páginas uma vez por semana, durante um mês, antes de assinar.

A partir da segunda checagem, compare:

  • O que saiu do ar, e pergunte por quê na reunião.
  • O que entrou: teste novo ou troca total?
  • O que continua: o campeão que segura a conta.

Esse acompanhamento resolve o ponto cego mais caro: separar a conta que evolui da conta que só troca de roupa quando tem proposta na mesa.

O que a Biblioteca nunca prova (e como conseguir o número de outro jeito)

Nenhum print de anúncio responde a pergunta que paga a sua clínica: quantos pacientes vieram e quanto custou cada um na cadeira.

Isso vem de três fontes, nesta ordem:

  1. Relatório com funil, do lead ao comparecimento, de um cliente parecido com você (com autorização dele).
  2. Ligação com o dono da clínica de referência, perguntando o que entrou de paciente, não de lead.
  3. Comparação com uma régua externa, pra saber se o número do relatório é plausível.

Pra essa régua, use referências com recorte e janela declarados. Segundo dados internos da Odonto Results (2026), o lead de clínica odontológica custa de R$12 a R$14 no Meta Ads (WhatsApp R$14,10 e formulário R$12,14 na mediana entre clínicas, com faixas sobrepostas). Base: cerca de 94,6 mil leads. Janela: agosto de 2023 a agosto de 2026.

Mas lead barato não é a meta. Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa.

Se a agência mostra CPL e não sabe dizer quantos desses leads viraram agendamento e comparecimento, ela mede até o clique, não até a cadeira. Veja como cobrar o resto em como medir se a agência traz paciente ou só lead.

O roteiro da reunião: perguntas pra fazer depois da checagem

Agora você chega na reunião com print na mão. A conversa muda de "me mostra seus cases" pra "me explica este anúncio".

  1. "Este anúncio está no ar desde [data]. Por que ele continua rodando?" A resposta boa fala de resultado medido (custo por agendamento, comparecimento). A ruim fala de curtida.
  2. "Quantas versões vocês testaram antes de chegar nele, e qual perdeu?" Quem testa de verdade lembra do que perdeu.
  3. "Por que esta mesma copy aparece numa clínica de outra cidade?" Escute se existe adaptação por praça, especialidade e ticket.
  4. "Quem confere a conformidade com o CFO antes de subir a peça?" Procure um fluxo por escrito, com aprovação do responsável técnico da clínica. "A gente toma cuidado" não é fluxo.
  5. "Quanto essa clínica paga de CPL e quantos desses leads viraram paciente na cadeira?" Com autorização do cliente, a agência boa tem esse número.
  6. "O que acontece com o lead que chega à noite, num fim de semana?" A resposta mostra se a agência pensa no funil ou só na campanha.
  7. "A conta de anúncios e a Página desse cliente estão no nome de quem?" É a ponte pra última checagem.

Antes de assinar: a Biblioteca não te diz quem é dono da conta

A Biblioteca mostra a Página. Não mostra quem é dono do Portfólio Empresarial, da conta de anúncios e do pixel.

Isso importa porque os Padrões de Publicidade da Meta colocam no anunciante a responsabilidade de entender e cumprir as políticas, os termos e as leis locais. Se a conta é da clínica, o risco é da clínica. Faz sentido que o controle também seja.

Na prática, exija:

  • Portfólio, conta de anúncios, Página e conjunto de dados (pixel) em nome da clínica, com você como administrador.
  • Agência com acesso de parceiro ou de funcionário, com a permissão necessária pra operar, não como dona dos ativos.
  • Acesso seu ao gerenciador, pra ver gasto e resultado sem depender de print.

Faça a mesma pergunta na ligação com o cliente de referência: ele é dono da própria conta? Se a agência mantém os ativos dos clientes no portfólio dela, você descobre isso antes de virar o próximo refém. O detalhe está em a conta de anúncios e o pixel ficam comigo se eu sair da agência.

Checklist rápido: sinal verde x sinal vermelho

Checagem Sinal verde Sinal vermelho
Lista de clientes Indica Páginas ativas parecidas com a sua, com contato de referência Recusa qualquer Página ou só mostra case em PDF
Página da agência Fala de método, comparecimento, custo por agendamento Promete volume de lead, prazo e garantia
Longevidade Campeão antigo ativo, mais testes novos Tudo iniciado na semana da proposta
Teste Várias versões e troca gradual Peça única por meses, ou troca total sem lógica
Personalização Peça com o dentista e a praça reais Mesma copy em clínicas de várias cidades
Ética (CFO) Sem preço, sem gratuidade, sem "popular", sem antes e depois publicado pela Página da clínica Preço, parcela, avaliação grátis, "popular", antes e depois ou "durante"
Política da Meta Linguagem informativa, sem promessa de prazo Clickbait, ataque à aparência, resultado garantido
Destino Resposta rápida, qualificação, oferta de horário Demora, resposta genérica, nenhuma oferta de agenda
Especialidade Anúncio distinto por tratamento e ticket O mesmo anúncio pra tudo
Histórico Prints datados batem com o que a agência conta O que você vê muda a cada checagem sem explicação
Conta Ativos no nome da clínica Ativos no portfólio da agência

Seu próximo passo

  1. Peça a lista de Páginas. Antes da próxima reunião, peça à agência Páginas de clientes ativos com perfil parecido com o seu, e autorização de um deles pra ligação de referência.
  2. Leia os 7 sinais e guarde a prova. Abra cada Página na Biblioteca, rode o checklist, faça o caminho do paciente e salve print com data e ID da biblioteca. Repita nas semanas seguintes.
  3. Leve os prints pra reunião e cobre o funil. Use o roteiro de perguntas e exija o número que a Biblioteca não mostra: do lead ao paciente na cadeira.

Se você quer ver como esse funil é medido do anúncio ao comparecimento, numa operação que aceita ser auditada desse jeito, Agende uma apresentação.

Perguntas frequentes

Dá pra ver quanto a clínica cliente da agência gasta em anúncio?

Não. Segundo o Meta Transparency Center, gasto, alcance e entidade pagadora são informações que a Meta fornece para anúncios sobre temas sociais, eleições ou política, e o nível extra de transparência vale para anúncios com impressão na União Europeia. Anúncio comercial de clínica veiculado no Brasil não traz gasto nem resultado: esse número você pede à agência, com autorização do cliente.

Se a Página do cliente não tem nenhum anúncio ativo, a agência mentiu?

Não necessariamente. Anúncio comercial veiculado só no Brasil aparece na Biblioteca enquanto está ativo e sai da busca quando para, então a clínica pode ter pausado por agenda cheia ou por troca de campanha. Pergunte o motivo e volte a checar a mesma Página nas semanas seguintes.

Como sei que o anúncio que estou vendo foi feito pela agência que está me atendendo?

Pela Biblioteca, não dá pra saber: ela registra a Página anunciante (a clínica), não quem opera a conta. Peça à agência a lista de Páginas de clientes ativos e confirme numa ligação com o dono da clínica que ela opera aquela conta hoje, e desde quando.

A Biblioteca de Anúncios mostra os anúncios do Instagram também?

Sim. Segundo o Meta Transparency Center, a Biblioteca permite buscar todos os anúncios ativos veiculados nos produtos da Meta, e o campo de plataformas de cada anúncio indica se ele roda no Facebook, no Instagram, no Messenger ou na rede de parceiros.

Antes e depois no anúncio da Página da clínica é sinal vermelho?

Sim. Segundo a página oficial do CFO sobre a Resolução CFO-196/2019, a divulgação de imagem de diagnóstico e de conclusão de procedimento é permitida apenas ao cirurgião-dentista que executou o procedimento, com o nome dele e o número de inscrição no CRO na imagem, e a pessoa jurídica (a clínica) não pode fazer esse tipo de divulgação. Agência que sobe isso na Página de um cliente tende a propor o mesmo pra você.

Existe algo parecido pra ver os anúncios do Google?

Sim, a Central de Transparência de Anúncios do Google. Segundo a Ajuda de Políticas do Google Ads, após a verificação do anunciante ficam públicos dados como criativos de anúncios, datas e locais de veiculação, histórico de alterações de nome e anúncios removidos ou contas suspensas por motivos legais ou de política.