Quanto custa em média cada peça no laboratório de prótese (coroa de zircônia, dissilicato, faceta, protocolo) em 2026?
Não existe preço médio oficial de peça de laboratório privado no Brasil, mas existem tabelas públicas: o SUS remunera a peça feita no laboratório regional e o convênio paga o procedimento inteiro, com o laboratório dentro. Veja a tabela de referência 2026 por tipo de peça (zircônia, dissilicato, metalocerâmica, faceta e protocolo), o custo oculto da refação e como montar a tabela interna da sua clínica.
Não existe preço médio oficial de laboratório privado: em 2026 o SUS remunera R$ 225,00 por prótese feita no laboratório regional, e o convênio BC Saúde paga de R$ 731,17 (faceta) a R$ 11.750,47 (protocolo superior) pelo procedimento inteiro, laboratório incluído.
- O SUS tem a tabela pública nacional que remunera a peça de laboratório em si: a Portaria GM/MS nº 1.924/2023, do Ministério da Saúde, fixou R$ 225,00 por prótese feita nos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária, valor que vale para prótese total, prótese parcial removível e coroa ou prótese fixa por elemento.
- O convênio mostra o teto: na tabela do BC Saúde de janeiro de 2026, a coroa de cerâmica pura é paga a R$ 880,30, a metalocerâmica a R$ 850,94, a faceta em porcelana a R$ 731,17 e o protocolo sobre implante a R$ 8.151,82 (inferior) ou R$ 11.750,47 (superior), com protético e laboratório já incluídos no valor.
- A régua clássica de peso do laboratório vem da FIPE: no relatório final da CBHPO (março de 2009), o laboratório ficou fora da pontuação, com sugestão de 25% adicionais sobre os honorários e negociação direta quando o custo passar disso, e a própria tabela marca coroa de cerâmica pura, metalocerâmica, faceta e protocolo como laboratório negociável.
Faz parte do guia: Quanto custa e qual o retorno do marketing para clínica odontológica?
Nesta página
- TL;DR
- Pontos-chave
- Tabela de referência 2026: quanto as tabelas públicas pagam por peça
- Por que não existe preço médio oficial de peça de laboratório
- Quem são os laboratórios: escala e materiais mais usados
- Quanto o laboratório deve pesar no preço: a régua da FIPE e a conta do convênio
- SUS como piso: quanto o SUS remunera por peça do laboratório regional
- Coroa de zircônia: monolítica, estratificada e o custo do lascamento
- Coroa e onlay em dissilicato de lítio: o material mais usado na unitária
- Metalocerâmica: a base de comparação de custo e sobrevida
- Faceta e lente cerâmica: vítrea x feldspática, sobrevida e complicações
- Protocolo sobre implante: o que entra no preço e o que vem à parte
- Os itens da fatura além da peça
- Refação: o custo que não aparece na tabela de preço
- Custo por ano de vida útil: a conta que muda a comparação
- Fluxo digital, analógico ou chairside: prazo e retorno de cadeira
- Como montar a tabela de referência interna da clínica
- Como negociar e auditar o laboratório
- O custo de laboratório só vira custo quando o caso fecha
- Seu próximo passo
- Perguntas frequentes
"Quanto custa em média cada peça no laboratório de prótese (coroa de zircônia, dissilicato, faceta, protocolo) em 2026?"
Você quer saber se o seu laboratório está fora da curva. E se a margem do alto ticket fecha.
O problema: essa pergunta não tem resposta oficial. Nenhum órgão publica preço médio de laboratório privado.
E as listas que circulam na internet falam, quase sempre, do preço ao paciente. Isso é outra conta.
O que existe são três réguas públicas, cada uma medindo uma coisa diferente: o que o SUS remunera por peça feita no laboratório regional, o que um consórcio público paga ao credenciado e o que um convênio paga pelo procedimento inteiro, com o laboratório dentro.
Em 2026, o SUS remunera R$ 225,00 por prótese feita nos Laboratórios Regionais de Prótese Dentária. Na outra ponta, o convênio BC Saúde paga R$ 880,30 por uma coroa de cerâmica pura, com protético e laboratório incluídos.
O preço do seu laboratório precisa caber entre essas réguas e ainda deixar honorário.
Neste guia você vai ver:
- A tabela de referência 2026, peça por peça, com a fonte de cada valor
- Por que não existe preço médio oficial (e o que a CBHPO diz sobre laboratório)
- Zircônia, dissilicato, metalocerâmica, faceta e protocolo: o que muda o preço e o risco de cada um
- Os itens da fatura além da peça e o custo oculto da refação
- Como montar a tabela interna da clínica e auditar o laboratório
Tabela de referência 2026: quanto as tabelas públicas pagam por peça
Antes do número, a regra de leitura.
Preço de laboratório é o que a clínica paga pela peça. Preço do procedimento é o que o pagador (paciente, convênio ou SUS) paga pelo tratamento inteiro. Misturar os dois distorce qualquer comparação.
Veja como fica, com o que cada valor cobre:
| Peça | Valor | Fonte | O que o valor cobre |
|---|---|---|---|
| Coroa ou prótese fixa/adesiva (por elemento) | R$ 225,00 | SUS (Portaria GM/MS nº 1.924/2023) | Só a parte laboratorial |
| Prótese total (maxilar ou mandibular) | R$ 225,00 | SUS (Portaria GM/MS nº 1.924/2023) | Só a parte laboratorial |
| Prótese parcial removível | R$ 225,00 | SUS (Portaria GM/MS nº 1.924/2023) | Só a parte laboratorial |
| Prótese total | R$ 290,00 | Consórcio CISAMREC (SC), tabela atualizada em 22/03/2026 | Valor pago ao credenciado (R$ 150,00 SIGTAP + R$ 140,00 de complemento) |
| Prótese parcial removível | R$ 370,00 | Consórcio CISAMREC (SC) | Valor pago ao credenciado |
| Coroa provisória (unidade) | R$ 95,00 | Consórcio CISAMREC (SC) | Valor pago ao credenciado |
| Coroa de jaqueta em cerâmica pura (porcelana) | R$ 880,30 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, laboratório incluído |
| Coroa em metalocerâmica | R$ 850,94 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, laboratório incluído |
| Faceta em porcelana | R$ 731,17 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, laboratório incluído |
| Inlay-onlay em porcelana | R$ 863,04 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, laboratório incluído |
| Protocolo sobre implante inferior | R$ 8.151,82 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, com componentes, barra, soldas, confecção e ajustes |
| Protocolo sobre implante superior | R$ 11.750,47 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro, com componentes, barra, soldas, confecção e ajustes |
| Provisório para protocolo sobre implante | R$ 1.031,87 | BC Saúde (janeiro/2026) | Procedimento inteiro |
Fontes da tabela: Portaria GM/MS nº 1.924, de 17 de novembro de 2023, tabela de prótese dentária do CISAMREC (consórcio público da região de Criciúma) e Tabela de Procedimentos Odontológicos do BC Saúde, o plano dos servidores do Banco Central.
Repare nestes pontos:
- O SUS não separa material. O código de próteses coronárias, intrarradiculares, fixas e adesivas paga o mesmo valor por elemento.
- O BC Saúde não tem linha para zircônia nem para dissilicato. A linha mais próxima é a "coroa de jaqueta em cerâmica pura (porcelana)".
- No convênio, o laboratório já está dentro. A tabela do BC Saúde diz que todos os procedimentos de prótese incluem o valor do protético e do laboratório, e veda o pagamento de qualquer honorário ou custo à parte por essas despesas.
Lembre: o valor do SUS é preço de laboratório para prótese de cobertura pública. O do convênio é preço de procedimento. Nenhum dos dois é o preço do seu laboratório, mas os dois delimitam a conversa.
Por que não existe preço médio oficial de peça de laboratório
A primeira referência que vem à cabeça é a VRPO.
Segundo o CRO-PE, a tabela de valores referenciais, baseada na CBHPO da Comissão Nacional de Convênios e Credenciamentos, serve como referencial no trabalho dos profissionais da Odontologia. É régua de honorário, não de laboratório.
A CBHPO, por sua vez, deixou o laboratório de fora de propósito.
O Relatório Final da FIPE sobre a CBHPO (março de 2009) registra que o custo de laboratório "muitas vezes" representa "um grande peso no custo total do procedimento", e que a FIPE não teve acesso à forma como a VRPO o calculava.
A saída da FIPE foi tratar o laboratório como elemento à parte, negociado caso a caso. Como sugestão, a CBHPO poderia indicar 25% adicionais ao valor dos honorários, percentual que, nas palavras do relatório, "parece ser a prática de mercado, historicamente aceita".
Quando o custo de laboratório exceder esse percentual, a recomendação é negociação direta entre as partes.
Mas tem um detalhe que quase ninguém lê:
Na tabela anexa ao relatório, a coroa de jaqueta de cerâmica pura, a coroa metalocerâmica, o inlay, o onlay e a faceta em cerâmica pura, a coroa livre de metal sobre implante e o protocolo aparecem com laboratório marcado como negociável, não com os 25%.
Traduzindo: para as peças que mais pesam no faturamento de uma clínica de alto ticket, nem a classificação de referência arriscou um percentual.
Há ainda um motivo legal que ajuda a explicar por que é difícil achar lista pública de preço de laboratório.
A Lei nº 6.710/1979, que regula a profissão de Técnico em Prótese Dentária, veda ao técnico prestar, sob qualquer forma, assistência direta a clientes e fazer propaganda de seus serviços ao público em geral. A vedação é dirigida ao técnico em prótese dentária.
Na prática, o laboratório vende para o cirurgião-dentista, e o preço circula em tabela privada, negociada clínica a clínica. Para entender a origem das tabelas de referência, veja o que são VRPO e CBHPO.
Quem são os laboratórios: escala e materiais mais usados
Ajuda saber com quem você negocia.
Segundo o Conselho Federal de Odontologia (publicação de 5 de novembro de 2025), o Brasil tem 33,5 mil profissionais de prótese dentária inscritos, sendo 25.677 técnicos e 7.855 auxiliares.
E a escala de cada laboratório costuma ser pequena. Num trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP, 2023), que ouviu 29 laboratórios de Araraquara e região:
- Produção: grande parte produz entre 1 e 300 peças por mês; 4 laboratórios produzem mais de 300 peças e apenas 1 passa de 1.000 peças mensais.
- Zircônia: 10 dos 29 laboratórios não produzem zircônia. Dos 19 restantes, 10 produzem entre 1 e 20 peças de zircônia por mês e 9 produzem acima disso, de 21 até 400 peças mensais.
- Material por tipo de prótese: o mais usado na prótese fixa unitária é o dissilicato de lítio monolítico; na prótese fixa múltipla, a metalocerâmica.
É um retrato regional, de uma amostra pequena, e o estudo não mediu preço.
Uma leitura possível (hipótese, não medição): laboratório que faz poucas peças de zircônia por mês dilui menos o custo de forno, fresadora e bloco, e isso tende a aparecer no preço e no prazo. Vale perguntar o volume mensal de cada material antes de negociar.
Quanto o laboratório deve pesar no preço: a régua da FIPE e a conta do convênio
A régua que serve para auditar o laboratório não é o preço ao paciente. É quanto do preço do procedimento sobra depois que a peça é paga.
Pensa assim: se o laboratório é 25% sobre o honorário, honorário e laboratório somados valem 125% do honorário. O laboratório fica com 20% dessa soma (25 dividido por 125).
E a CBHPO ainda pontua o custo operacional em coluna separada do honorário. Então, no preço inteiro do procedimento, a fatia do laboratório fica abaixo de 20%.
Esse é o primeiro erro de markup e margem: 25% sobre o honorário não é 25% do preço. É, no máximo, 20%.
Agora aplique a lógica aos valores do BC Saúde, que já incluem o laboratório.
Exemplo de conta (ilustrativo, não é preço de mercado):
| Procedimento (BC Saúde, jan/2026) | Valor pago, laboratório incluído | Teto do laboratório na regra dos 25% (conta ilustrativa) | Sobra para honorário e custo operacional (conta ilustrativa) |
|---|---|---|---|
| Coroa de cerâmica pura | R$ 880,30 | cerca de R$ 176 | cerca de R$ 704 |
| Coroa metalocerâmica | R$ 850,94 | cerca de R$ 170 | cerca de R$ 681 |
| Faceta em porcelana | R$ 731,17 | cerca de R$ 146 | cerca de R$ 585 |
| Inlay-onlay em porcelana | R$ 863,04 | cerca de R$ 173 | cerca de R$ 690 |
| Protocolo inferior | R$ 8.151,82 | cerca de R$ 1.630 | cerca de R$ 6.521 |
| Protocolo superior | R$ 11.750,47 | cerca de R$ 2.350 | cerca de R$ 9.400 |
O que isso significa na prática?
Se o seu laboratório cobra mais do que a coluna do teto, o que sobra no caso de convênio para pagar honorário, hora de cadeira e material fica abaixo da última coluna. A conta é coerente com a decisão da FIPE de deixar essas peças como negociáveis.
No particular, a lógica é a mesma. O preço que você cobra precisa pagar a peça, a hora de cadeira, a refação esperada e a margem.
E não use régua estrangeira como se fosse de laboratório. Em entrevista publicada pela ADA News (Estados Unidos, março de 2022), uma especialista em financiamento de clínicas afirma que os custos variáveis de uma clínica (folha, taxas de laboratório, suprimentos odontológicos e de escritório) devem ficar em torno de 45% a 55% do faturamento.
É um balde que mistura folha e laboratório, em outro mercado. Serve de contexto, não de meta para a fatura do protético. Para a régua da sua clínica, veja quanto material e laboratório devem pesar no faturamento.
SUS como piso: quanto o SUS remunera por peça do laboratório regional
O SUS tem a tabela pública nacional que remunera a peça de laboratório separada da parte clínica.
Segundo a Nota Técnica do Ministério da Saúde que fundamentou o reajuste, o Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD) responde pela parte laboratorial, e a parte clínica e a instalação ficam com as equipes de saúde bucal ou com os Centros de Especialidades Odontológicas.
O município ou estado pode ter um laboratório próprio (público) ou contratar a prestação do serviço (privado). Ou seja: o recurso do SUS também financia peça feita por laboratório privado contratado.
Veja a linha do tempo do valor por peça:
- Antes: R$ 150,00 por prótese, valor do último reajuste, feito pela Portaria nº 1.825, de 24 de agosto de 2012.
- Desde a Portaria GM/MS nº 1.924, de 17 de novembro de 2023: R$ 225,00 por prótese.
O repasse federal mensal segue faixas de produção credenciada, segundo a página dos LRPD no gov.br:
| Faixa de produção credenciada | Repasse mensal |
|---|---|
| 20 a 50 próteses/mês | R$ 11.250,00 |
| 51 a 80 próteses/mês | R$ 18.000,00 |
| 81 a 120 próteses/mês | R$ 27.000,00 |
| Acima de 120 próteses/mês | R$ 33.750,00 |
Repare que as três primeiras faixas equivalem ao teto de peças da faixa multiplicado por R$ 225,00 (50 vezes R$ 225,00 dá R$ 11.250,00, por exemplo).
E o que entra na lista? Prótese total mandibular e maxilar, prótese parcial removível mandibular e maxilar e próteses coronárias, intrarradiculares, fixas e adesivas (código 07.01.07.014-5, por elemento).
Zircônia estética e protocolo sobre implante não aparecem. Por isso o SUS funciona como piso de referência para prótese convencional, não como régua para cerâmica de alto ticket.
Coroa de zircônia: monolítica, estratificada e o custo do lascamento
Nenhuma das tabelas públicas tem linha própria para zircônia.
No BC Saúde, a linha mais próxima é a coroa de jaqueta em cerâmica pura (porcelana): R$ 880,30 pelo procedimento inteiro, laboratório incluído (janeiro de 2026).
Por isso, a pergunta certa para o laboratório não é "quanto custa a zircônia". É qual zircônia, feita como:
- Monolítica: a peça sai inteira de um bloco fresado e recebe maquiagem e glaze. Menos etapas manuais.
- Estratificada (com cerâmica de cobertura): uma infraestrutura de zircônia recebe cerâmica aplicada em camadas. Mais horas de técnico e mais queimas.
- Multicamada (multilayer): o próprio disco já traz gradiente de cor, o que busca estética sem estratificar a peça inteira.
A técnica muda o preço e muda o risco.
Na revisão guarda-chuva de Tomar e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2026), que reuniu 7 revisões sistemáticas sobre próteses fixas de arco total sobre implantes com seguimento mínimo de 5 anos, o lascamento relatado da cerâmica de cobertura ficou entre 15% e 35% na zircônia estratificada, que lascou mais que a monolítica (P<0,05).
É dado de prótese de arco total sobre implante, não de coroa unitária. Mas mostra onde mora o risco: na camada de cobertura.
A monolítica também tem seu ponto fraco. Numa auditoria de 40.344 restaurações indiretas feitas em sete laboratórios de Riade (Arábia Saudita, Saudi Dental Journal, 2026), problemas de contato proximal foram mais frequentes como motivo de refação na zircônia monolítica do que nos outros materiais.
Dica: ao comparar preço de zircônia entre laboratórios, compare técnica, número de provas e política de refação. Duas "coroas de zircônia" podem ser produtos diferentes.
Coroa e onlay em dissilicato de lítio: o material mais usado na unitária
No levantamento de Araraquara (UNESP, 2023), o dissilicato de lítio monolítico foi o material mais usado pelos laboratórios na prótese fixa unitária.
E o desempenho de longo prazo é bem documentado. No estudo clínico de Malament e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2021), com 304 participantes e 556 restaurações parciais (inlays e onlays) de dissilicato de lítio prensado, recrutados numa clínica privada:
- a sobrevida cumulativa estimada em 10 anos foi de 95,6%;
- o risco estimado de falha foi de 0,3% ao ano;
- as falhas registradas foram fratura ou lascamento grande que exigiram substituição.
No convênio, a peça parcial é paga quase como a coroa. No BC Saúde, o inlay-onlay em porcelana vale R$ 863,04 e a coroa de cerâmica pura, R$ 880,30.
Mas tem um ponto de atenção. Na auditoria de Riade (2026), a divergência de cor apareceu com mais frequência como motivo de refação no dissilicato do que nos outros materiais.
Dica: com dissilicato, combine por escrito como o laboratório trata refação por cor: quem paga, em que prazo e com que registro (foto com escala, por exemplo).
Metalocerâmica: a base de comparação de custo e sobrevida
A metalocerâmica ainda é a linha de base. No levantamento de Araraquara, é o material mais usado na prótese fixa múltipla.
No convênio, metal e cerâmica pura praticamente empatam. No BC Saúde de janeiro de 2026, a coroa em metalocerâmica vale R$ 850,94 e a de cerâmica pura, R$ 880,30: diferença de R$ 29,36 pelo procedimento inteiro.
No arco total sobre implante, a mesma revisão de Tomar e colegas (2026) registrou desempenho comparável das estruturas metalocerâmicas (P=0,38).
Por que isso importa para a sua tabela?
Porque a metalocerâmica é a régua natural para medir quanto a cerâmica pura custa a mais no seu laboratório. Se a diferença na fatura for muito maior do que a diferença que o pagador aceita, o prêmio estético precisa vir do honorário ou da sua apresentação de valor ao paciente.
Faceta e lente cerâmica: vítrea x feldspática, sobrevida e complicações
Aqui a escolha de material pesa menos na sobrevida do que no pós-venda.
Na meta-análise de Klein e colegas (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2025), com 29 estudos e 7.753 laminados cerâmicos:
| Material | Sobrevida em 10,4 anos | Complicações técnicas / estéticas / biológicas |
|---|---|---|
| Feldspática | 96,13% | 41,48% / 19,64% / 6,51% |
| Vitrocerâmica reforçada por leucita | 93,70% | 29,87% / 17,89% / 4,4% |
| Dissilicato de lítio | 96,81% | 6,1% / 1,9% / 0,45% |
Os autores não encontraram diferença de sobrevida entre os materiais. As facetas de zircônia tiveram 100% de sobrevida sem complicações em 2,6 anos, mas ainda sem dado de longo prazo.
A meta-análise de Morimoto e colegas (International Journal of Prosthodontics, 2016), com 13 estudos de laminados de porcelana feldspática e vitrocerâmica, aponta na mesma direção: sobrevida cumulativa estimada de 89% em mediana de 9 anos de acompanhamento. Fratura ou lascamento (4%) foi a complicação mais frequente, e o descolamento ficou em 2%.
E a faceta exige atenção redobrada à refação. Na auditoria de Riade (2026), as facetas tiveram a maior prevalência de refação entre os tipos de restauração: 7,5%.
O que isso significa na prática? Se a faceta feldspática sair mais barata na fatura, ela ainda pode sair mais cara em retorno de cadeira. A conta certa é a do custo por ano de vida útil, que você vê mais abaixo.
Protocolo sobre implante: o que entra no preço e o que vem à parte
No convênio, o protocolo vem fechado. No BC Saúde (janeiro de 2026), o protocolo inferior vale R$ 8.151,82 e o superior R$ 11.750,47, e o valor já inclui todos os componentes protéticos, barra e soldas, resinas para fechamento dos orifícios, a confecção e os ajustes da prótese. O provisório para protocolo vale R$ 1.031,87.
No laboratório privado, a fatura costuma vir quebrada. Antes de comparar preço de protocolo entre laboratórios, confira o que cada um cobra à parte:
- Estrutura ou barra: fundida ou fresada, em metal, titânio ou zircônia.
- Componentes e interfaces: cilindros, bases e parafusos protéticos do sistema de implante.
- Planejamento da forma final: enceramento ou montagem digital antes da estrutura.
- Provas: de dentes, de estrutura e de passividade, cada uma com ida e volta.
- Gengiva artificial: em resina ou cerâmica.
- Provisório: fresado ou impresso.
O material da prótese definitiva muda o risco de manutenção. Na revisão guarda-chuva de Tomar e colegas (2026), a sobrevida da prótese variou de 89,5% a 96,8% em 5 a 15 anos, e as complicações relatadas incluíram:
- afrouxamento de parafuso, de 5% a 15%;
- lascamento da cobertura, de 15% a 35% na zircônia estratificada;
- fratura de estrutura, abaixo de 5%.
Os autores concluem que zircônia monolítica e próteses parafusadas mostraram menos complicações técnicas.
O provisório também tem custo oculto. Num ensaio clínico randomizado cruzado (Journal of Prosthodontics, 2026), 20 pacientes desdentados usaram por 3 meses um provisório de arco total em PMMA fresado e outro impresso em resina cerâmica híbrida: o fresado teve menos complicações mecânicas, 10% contra 45%.
Lembre: protocolo barato na fatura e caro na manutenção não é economia. Compare o pacote inteiro (estrutura, componentes, provas, provisório e política de refação), não a linha "protocolo".
Os itens da fatura além da peça
O preço da peça é só uma linha. A fatura real carrega etapas que, somadas, mudam a comparação entre laboratórios.
A própria tabela da FIPE trata o "diagnóstico por meio de enceramento (por arcada)" como procedimento à parte. Ou seja: planejamento é etapa com custo, não brinde.
| Item | O que é | O que perguntar ao laboratório |
|---|---|---|
| Enceramento ou planejamento digital | Forma final desenhada antes da peça | Está no preço da peça ou é cobrado por arcada? |
| Mock-up | Prova estética em boca a partir do enceramento | Quem faz a guia, e quantas versões estão incluídas? |
| Provisório | Fresado ou impresso, unitário ou de arco total | Qual material e qual a política se fraturar? |
| Coping ou infraestrutura | Base da peça estratificada ou metalocerâmica | Vem separado ou dentro do preço da coroa? |
| Modelo | Em gesso ou impresso | O modelo impresso tem custo próprio? |
| Provas | Estrutura, dentes, passividade, provas impressas | Quantas provas o preço inclui? |
| Frete e coleta | Retirada e entrega na clínica | Tem custo por viagem ou franquia mensal? |
| Refação e ajuste | Peça refeita ou corrigida | Quem paga, em que prazo e por qual motivo? |
Dica: peça ao laboratório a tabela com essas colunas preenchidas. Laboratório que não consegue separar os itens também não vai conseguir explicar a fatura do mês em que ela dobrar.
Refação: o custo que não aparece na tabela de preço
A tabela de preço mostra a peça que dá certo. A refação é a peça que você paga em tempo de cadeira, retorno de paciente e, às vezes, peça nova.
A auditoria retrospectiva multicêntrica de Riade (Saudi Dental Journal, 2026) é um retrato grande: 40.344 restaurações indiretas feitas em sete laboratórios, com 2.612 refações. Por tipo de restauração, a prevalência de refação foi:
- facetas: 7,5%;
- onlays: 7,1%;
- coroas: 6,9%;
- pontes: 4,8%;
- endocrowns: 4,0%.
Entre as refações, os principais motivos foram discrepância de adaptação marginal (29,5%), problema de contato proximal (23,2%) e adaptação inadequada (22,7%).
É um dado da Arábia Saudita, não do Brasil. Mas ensina a categoria: os três motivos mais frequentes de refação da auditoria moram na adaptação e no contato, o que em geral depende de preparo, moldagem ou escaneamento e da comunicação entre clínica e laboratório.
E quem paga diante do paciente? Pelo Código de Defesa do Consumidor, o art. 20 permite ao consumidor exigir do fornecedor de serviços a reexecução sem custo adicional, quando cabível. E o art. 25, § 1º, determina que, havendo mais de um responsável pelo dano, todos respondem solidariamente.
Ou seja: perante o paciente, a conta chega primeiro na clínica. Entre clínica e laboratório, quem paga é o que estiver no contrato. Veja quem paga o retrabalho quando o defeito é do fornecedor.
Custo por ano de vida útil: a conta que muda a comparação
O preço da fatura compara peças no dia da entrega. O que importa para a margem é quanto a peça custa por ano em que ela funciona.
A fórmula:
Custo anual esperado = [preço da peça + (chance de refação × custo total de refazer)] ÷ anos de vida útil esperados
O "custo total de refazer" inclui a peça nova e o tempo de cadeira que a refação consome.
Exemplo hipotético (números ilustrativos, não são preços nem taxas de mercado):
| Peça A | Peça B | |
|---|---|---|
| Preço no laboratório | R$ 600 | R$ 800 |
| Chance de refação (suponha) | 10% | 3% |
| Custo total de refazer (suponha) | R$ 1.000 | R$ 1.200 |
| Vida útil esperada (suponha) | 10 anos | 15 anos |
| Custo anual esperado | R$ 70,00 | cerca de R$ 55,73 |
Nesse exemplo, a peça B é 33% mais cara na fatura e custa cerca de 20% menos por ano.
Os números do exemplo são inventados de propósito. Os seus devem vir do seu próprio registro de refação por laboratório e por material, e da literatura para a vida útil, como o risco estimado de falha de 0,3% ao ano calculado por Malament e colegas em onlays e inlays de dissilicato prensado.
Fluxo digital, analógico ou chairside: prazo e retorno de cadeira
O fluxo muda quantas vezes o paciente volta à cadeira, e isso é custo mesmo quando não aparece na fatura do laboratório.
No estudo clínico de Park e colegas (Materials, 2020), com 13 pacientes que precisavam de coroa unitária em pré-molar ou primeiro molar:
- o escaneamento intraoral levou, em média, 7min16s e 7min29s nos dois escâneres testados, contra 12min41s da moldagem convencional;
- o tempo total de trabalho para fabricar a coroa de dissilicato chairside foi, em média, de 30min58s;
- a adaptação marginal não teve diferença significativa entre a coroa chairside e a do fluxo convencional.
Veja como cada fluxo mexe na conta:
- Analógico: moldagem, modelo, envio e provas físicas. Cada prova é uma ida e volta e um retorno do paciente.
- Digital com laboratório: escaneamento enviado por arquivo, sem modelo físico obrigatório. O prazo passa a depender da fila de fresagem e do forno, já que zircônia exige sinterização.
- Chairside: a peça unitária pode sair na mesma sessão, mas o custo do equipamento e do bloco migra do laboratório para a clínica.
A auditoria de Riade (2026) aponta, entre os alvos de melhoria, prescrições mais claras ao laboratório e a adoção gradual do fluxo digital com treinamento por competência.
Como montar a tabela de referência interna da clínica
Já que não existe tabela pública de laboratório privado, a sua precisa existir. Ela é o que transforma "acho que o laboratório está caro" em decisão.
Monte uma linha por tipo de peça, com estas colunas:
| Peça | Material e técnica | Fluxo | Prazo combinado | Provas incluídas | Política de refação | Preço atual | Regra de reajuste |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Coroa unitária posterior | Zircônia monolítica | Digital | ___ dias úteis | ___ | Quem paga e em que prazo | R$ ___ | Data-base e índice |
| Coroa unitária anterior | Dissilicato ou zircônia multicamada | Digital ou analógico | ___ | ___ | Inclui refação por cor? | R$ ___ | ___ |
| Onlay | Dissilicato prensado ou fresado | ___ | ___ | ___ | ___ | R$ ___ | ___ |
| Faceta | Feldspática ou dissilicato | ___ | ___ | ___ | ___ | R$ ___ | ___ |
| Elemento de prótese múltipla | Metalocerâmica | ___ | ___ | ___ | ___ | R$ ___ | ___ |
| Protocolo | Estrutura e material da cobertura | ___ | ___ | ___ | ___ | R$ ___ | ___ |
| Provisório | Fresado ou impresso | ___ | ___ | ___ | ___ | R$ ___ | ___ |
Três regras para a tabela funcionar:
- Preço sem técnica não entra. "Coroa de zircônia" sem dizer monolítica, estratificada ou multicamada não é comparável.
- Toda linha tem política de refação. Sem ela, o preço da linha é incompleto.
- Reajuste tem data-base e índice combinados. Reajuste negociado na hora da fatura vira surpresa no fluxo de caixa.
Depois, compare cada linha com as réguas públicas da primeira tabela e com a conta da FIPE. Linha que fica muito acima do que o convênio comporta pede explicação; linha muito abaixo do piso do SUS pede desconfiança.
Como negociar e auditar o laboratório
Negociar laboratório não é pedir desconto. É trocar previsibilidade por preço.
- Negocie por volume e mix. Como grande parte dos laboratórios do levantamento de Araraquara produz entre 1 e 300 peças por mês, o seu volume pode pesar na agenda do laboratório. Leve o número de peças por material dos últimos meses.
- Combine prazo por tipo de peça. Prazo combinado é parte do preço: atraso vira remarcação de paciente.
- Escreva a política de refação. Quem paga, por qual motivo (margem, contato, cor, fratura) e em quantos dias a peça volta.
- Registre toda refação por motivo. Use as categorias da auditoria de Riade (adaptação marginal, contato proximal, adaptação geral, cor) e revise o placar a cada trimestre.
- Indexe o reajuste. Data-base anual e índice de inflação definido antes de assinar, não na fatura.
- Confira a inscrição. Pela Lei nº 6.710/1979, a fiscalização do exercício da profissão de técnico em prótese dentária é dos Conselhos Regionais de Odontologia. Peça o número de inscrição do técnico responsável.
Para os critérios de escolha (qualidade, prazo, conformidade e custo), veja como escolher o laboratório de prótese.
O custo de laboratório só vira custo quando o caso fecha
Tem um ponto que a tabela de preço não mostra: a fatura do laboratório só existe depois que o paciente aceitou o orçamento.
Antes disso, o que pesa é quantos dos seus leads viram consulta e quantos comparecem.
Segundo dados internos da Odonto Results, no funil completo (IA, equipe e telefone) 20% a 40% dos leads viram agendamento e 20% a 50% dos agendados comparecem. É uma faixa da operação, não uma medição de recorte datado: o fechamento por ligação não fica registrado na conversa. Base: operação de atendimento das clínicas atendidas pela Odonto Results.
Repare na amplitude dessas faixas. Antes de brigar por desconto na peça, vale saber se o seu funil até a cadeira está na ponta de baixo ou na de cima.
Lembre: economizar no laboratório protege a margem do caso que fechou. Previsibilidade de agenda é o que traz o caso até a decisão.
Seu próximo passo
- Monte a tabela interna esta semana. Puxe as faturas dos últimos meses e preencha uma linha por tipo de peça, com técnica, fluxo, prazo, provas, política de refação e reajuste.
- Compare com as réguas públicas e faça a conta da FIPE. Use o SUS como piso, o convênio como teto e a regra dos 25% sobre o honorário para ver quanto sobra para honorário e custo de cadeira em cada peça. Comece a registrar refação por motivo.
- Meça o funil até a cadeira. Acompanhe quantos leads de prótese viram avaliação, comparecem e fecham. É ali que o custo de laboratório vira faturamento.
Quer que os casos de prótese e reabilitação cheguem à sua agenda com previsibilidade, do anúncio ao comparecimento? Agende uma apresentação.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma coroa de zircônia no laboratório em 2026?
Não existe preço médio público de coroa de zircônia no laboratório privado. As tabelas públicas não têm linha própria para zircônia: o SUS remunera R$ 225,00 por elemento de coroa ou prótese fixa feito no laboratório regional, sem distinguir material, e o convênio BC Saúde paga R$ 880,30 pela coroa de cerâmica pura com o laboratório incluído (janeiro de 2026). Entre laboratórios, a técnica (monolítica, estratificada ou multicamada) muda o preço e o risco, então peça cotação por técnica, não só por material.
Qual a diferença entre preço de laboratório e preço ao paciente?
Preço de laboratório é o que a clínica paga pela peça; preço ao paciente é o valor do procedimento inteiro, que precisa pagar a peça, a hora de cadeira, a refação esperada e o honorário. As listas de preço que circulam na internet costumam falar do preço ao paciente, e por isso não servem para auditar o seu laboratório.
Quanto do preço do tratamento deve ir para o laboratório?
A referência brasileira clássica é a da FIPE: no relatório final da CBHPO (março de 2009), a sugestão é um adicional de 25% sobre os honorários, com negociação direta quando o custo de laboratório passar disso. Em conta simples, 25% sobre o honorário equivale a 20% da soma de honorário e laboratório; como a CBHPO pontua o custo operacional em coluna separada, a fatia do laboratório no preço inteiro fica abaixo disso. Para coroas cerâmicas, facetas e protocolo, a própria tabela da FIPE deixa o laboratório como negociável.
Quanto custa o protocolo sobre implante no laboratório?
Não há tabela pública de preço de laboratório para protocolo. O convênio BC Saúde paga R$ 8.151,82 pelo protocolo inferior e R$ 11.750,47 pelo superior (janeiro de 2026), com componentes protéticos, barra, soldas, confecção e ajustes incluídos. No laboratório privado, confira o que vem à parte: estrutura, componentes, provas, planejamento da forma final, gengiva artificial e provisório.
Quem paga a refação da peça protética?
Diante do paciente, a clínica: pelo art. 20 do Código de Defesa do Consumidor, o consumidor pode exigir a reexecução do serviço sem custo adicional, e o art. 25, § 1º, torna solidários os responsáveis pelo dano. Entre clínica e laboratório, quem paga é o que estiver no contrato, por isso a política de refação precisa estar escrita antes da primeira peça.
Faceta feldspática ou de dissilicato: qual sai mais barata no longo prazo?
A sobrevida é parecida, mas a manutenção não. Na meta-análise de Klein e colegas (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2025), a sobrevida em 10,4 anos foi de 96,13% na feldspática e 96,81% no dissilicato, sem diferença entre materiais, mas as complicações técnicas foram de 41,48% na feldspática contra 6,1% no dissilicato. Complicação vira retorno de cadeira e, às vezes, peça nova.